Ternopil - William Contraponto

TERNOPIL

William Contraponto


Um sino divide a manhã ao meio,

e ninguém pergunta o que ele anuncia;

há nomes adormecidos no passeio,

sob a rotina exata de cada dia.


Um homem passa diante de uma porta,

detém-se apenas pelo que não vê;

alguma coisa antiga ainda o importa,

sem que ele saiba exatamente o quê.


Nessas paredes o tempo perde a pressa,

mas deixa sua marca sem intenção;

uma cidade muda quando atravessa

a memória de outra geração.


Nem toda origem pede reconhecimento,

nem todo retorno precisa acontecer;

há coisas que sobrevivem ao momento

somente porque recusam desaparecer.


Ternopil segue o curso das horas,

indiferente ao que ficou para trás;

e há quem descubra, entre partidas e auroras,

que certas distâncias nunca são iguais.