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O Trabalho Que a Mente Julga Inacabado - William Contraponto

 


O Trabalho Que a Mente Julga Inacabado

Meu corpo dá sinais de cansaço, de que deseja um descanso maior. Meus sentimentos também desejam repousar na lembrança daquilo que viveram, pois a vivência foi plena, completa.

O que impede, por algum motivo, esse descanso permanente é a mente. Ela atua como um freio diante do cansaço. Deseja registrar o que pensa e aquilo que esta existência lhe permitiu absorver. Há uma necessidade de colocar em palavras o que foi vivido, como se o registro pudesse dar forma definitiva àquilo que já encontrou sua completude na experiência.

Não há, nesse sentido, o desejo de viver outras experiências naquilo que considero completo. É assim que compreendo minha vida conjugal, na qual tive a oportunidade de experimentar o companheirismo em suas diversas dimensões, até mesmo em suas nuances menos cômodas. Houve uma vida compartilhada, com suas contradições, dificuldades, reconciliações e formas de amor. Não falo de uma experiência idealizada, mas de uma experiência vivida por inteiro.

Lembro-me de uma pessoa que me disse: “Não te imagino mais sem o Maurício, nem o Maurício sem ti.” Essa frase permanece em mim não apenas pela maneira como nos enxergava, mas porque traduzia algo que construímos ao longo da nossa história.

São essas memórias, entre tantas outras, que me fazem continuar para além do que meu corpo deseja. Não porque a dor tenha desaparecido, nem porque eu precise encontrar imediatamente um novo sentido para a vida. Continuo porque há algo que minha mente ainda precisa elaborar, registrar e transformar em palavra.

Talvez meu corpo peça descanso porque atravessou muito. E talvez minha mente continue trabalhando porque sabe que uma história como a nossa não termina no instante em que a convivência se interrompe. Ela permanece naquilo que vivi, naquilo que aprendi e naquilo que ainda preciso escrever.

Um Canto de Amor, Memória e Respeito - William Contraponto



UM CANTO DE AMOR, MEMÓRIA E RESPEITO


Como se pode ver na imagem, fiz um canto de homenagem ao Maurício, na casa onde vivíamos. Nele, estão presentes dois santos, um crucifixo e um terço.

Mas como explicar isso sendo eu ateu?

Acontece que, quando me desprendi das crenças espirituais e religiosas, Maurício seguiu outro caminho. Ele deixou as crenças espiritualistas, mas manteve viva sua identidade católica.

Por isso, esse espaço não representa uma mudança nas minhas convicções, mas o respeito àquilo em que ele acreditava. É uma homenagem à sua memória, à sua história e também à sua identidade.

Não precisamos compartilhar as mesmas crenças para respeitar aquilo que faz parte da vida de quem amamos. Eu não preciso acreditar para compreender o significado que esses símbolos tinham para ele. Até  pelo motivo que um dia acreditei e sei a força do significado disso para quem crê. 

Esse canto é, acima de tudo, uma expressão do meu amor pelo Maurício. É uma forma de preservar sua memória respeitando quem ele foi, inclusive naquilo em que nossas convicções eram diferentes.

Porque amar também é isso: respeitar a individualidade do outro, sem exigir que ele seja igual a nós. E, mesmo depois da sua partida, continuo respeitando aquilo que fez parte da sua vida.


William Contraponto


O Luto

 



O Luto

Eu nem sei quanto tempo durará. E nem sei se terá fim. 

Cada canto, cada ação, cada som que se faz... tudo carrega lembrança de momentos,  palavras, jeito de realizar algo, enfim... um oceano inesgotável de lembranças. E elas causam a saudade mais implacável. Aquela que rasga o peito de dor enquanto o soluço que acompanha o  choro ecoa pela casa vazia daquela presença física.

Por ora, busco fotos, as reproduzo em forma de arte como um jeitinho de homenagear o meu amor. Espalho pela casa recordações, pois não tem como ser diferente de qualquer forma.

A essência do Maumau ( Maurício Rodrigues Lucas) vive entre Bob,  Baby e eu. A essência daquilo que ele nos deixou: o amor por essa nossa vida pacata,  sincera e simples. Exatamente  como a alma dele.

Não sou mais o mesmo. Com ele partiu ao menos metade de mim. É irrecuperável essa metade. E eu não quero substituir por algo. No máximo só posso aprender a  viver amputado, pela metade.

Esse momento tem sido de lembranças,  saudade, dor e choro. E o único ponto de saída tem sido movimentar o pensamento em torno de maneiras de homenagear a sua passagem pelas nossas vidas. Seja num painel, numa missa, doações, orações ou poema. 




09.10 ANIVERSÁRIO DO MAUMAU

 Hoje, 09.10, Maurício Rodrigues Lucas,  o meu amor Maumau,  estariam completando seus 38 anos nessa existência material. 

Não poderia deixar de mencionar essa data aqui no espaço  que mostra a minha arte e vida.

Que a sua passagem por essa existência não seja jamais esquecida e permaneça como exemplo de simplicidade, carinho, dedicação e amor ao próximo. 




16 de Dezembro de 2012


 



 16 de dezembro de 2012

Era domingo. Tarde de 16 de dezembro de 2012.

Maurício desceu três paradas depois. Fui ao seu encontro o mais rápido que pude.

Naquele tempo, eu morava de aluguel numa casinha pequena, de duas peças e um banheiro. Durante três meses, escondi dele o meu sobrenome. Ele acreditava que eu era apenas empregado da loja onde eu trabalhava. A loja, na verdade, pertencia aos meus pais. Mas isso não significava, para mim, autoridade ou vantagem alguma. Naquela altura, eu mesmo preferia ser visto somente como empregado. Não queria que qualquer condição familiar ou patrimonial interferisse na maneira como ele me enxergava.

E então apareceu Maurício.

Não demorou para que ele deixasse de ser simplesmente Maurício. Já no primeiro dia, inventei para ele o apelido que nasceu espontaneamente do afeto: Maumau.
(o que ao longo dos tempos acabou se ampliando  para outros. Inúmeros).

Logo percebi também que Maurício gostava de ser ninado. E, diante daquela descoberta, inventei uma cantiga para ele:

Eu sou o Maumau,
que veio trazer a luz das estrelas
para iluminar...

Naqueles primeiros meses, fomos nos conhecendo aos poucos. Eu havia escondido meu sobrenome. Ele também guardava partes de si. Havia coisas que ainda não sabíamos um do outro, histórias que ainda não tinham sido contadas, detalhes que o tempo haveria de revelar.

Depois de três meses, fui me revelando. E ele, também, foi se revelando para mim.

E então aconteceu algo que, olhando para trás, considero uma das coisas mais importantes de toda a nossa história: o sentimento nascido naquele primeiro dia não se alterou em nada.

As revelações não diminuíram o encanto.

Não mudaram aquilo que havíamos sentido.

Não fizeram desaparecer o Maumau que eu havia encontrado naquele domingo, nem o homem que, pouco a pouco, eu conheceria muito além da primeira impressão.

Ao contrário.

Quanto mais um conhecia o outro, mais aquele primeiro sentimento encontrava motivos para continuar existindo.

O que começou naquele 16 de dezembro não precisava ser inventado novamente.

Já estava lá.





As Interpretações do Maumau

 Maumau, Maurício Rodrigues Lucas,  meu amor, meu lindo, minha vida, e seus vídeos para o TikTok. 

Essa é a  parte um.

Aqui alguns: 











No Facebook fiz do perfil de Maurício um memorial de suas fotos,  vídeos,  etc. 


Aos poucos vou postando lá também. 




Maurício Era Feito de Simplicidade

 Maurício Era Feito de Simplicidade.

Um Relato de Quem Amou e Viveu 15 Anos com Maurício Rodrigues Lucas. 


Não gostava de luxos extremos, nem se encantava com aquilo que tantas vezes serve apenas para impressionar os outros. A ostentação lhe era estranha. Não precisava de muito para estar bem, nem precisava mostrar o que tinha para provar quem era.

Havia nele uma humildade silenciosa. Era calado, sensível, atento às coisas que muitas pessoas deixam passar. Sentia profundamente, embora nem sempre transformasse em palavras aquilo que sentia.

E gostava, sobretudo, de ser útil.

Havia uma espécie de satisfação em poder ajudar, resolver alguma coisa, facilitar a vida de alguém, fazer-se presente quando necessário. Essa era uma das formas mais próprias que encontrou para demonstrar carinho: estar disponível, contribuir, servir.

Maurício, o meu Maumau, não parecia querer muito da vida em termos de luxo. Queria aquilo que lhe fazia sentido. E, justamente por isso, sua simplicidade nunca foi pobreza de espírito. Era uma maneira de existir.

Ele tinha pouco interesse em parecer importante. Seu valor estava justamente em não precisar parecer.



Maurício Rodrigues Lucas 09/10/1988 – 26/09/2026

 


Maurício Rodrigues Lucas 09/10/1988 – 26/09/2026.


O Meu Maumau Partiu Para as Estrelas.


Não sei como será a vida. Se houver. Sem cinquenta porcento de mim é  imprevisto qualquer futuro. 


Maurício e eu éramos como uma entidade praticamente única. Atrelados nossas existências de forma previamente impensada. 


Mas desde o dia que o conheci tive a certeza de estar diante de uma pessoa encantada. Encantada na sua sutileza, originalidade e de uma alma virtuosamente sincera na sua mais evidente característica: a sua original postura de simplicidade. 


Não falo de simplicidade pelo aspecto material,  mas comportamental e realista. Não fingiu ser o que não era e tinha ao seu redor a aura luminosa de quem não inventa um personagem apenas para ser aceito pelo outro conforme creia que o outro preferisse.


Nao tem como ser breve se abordasse cada pedacinho da ternura que dominava a essência do Mauricio e o que essa ternura significa pessoalmente para a minha vida.


Até no campo dos percalços do relacionamento eu digo que foi plenamente satisfatória a nossa experiência.  De modo que é impossível viver outra vez isso. O nosso relacionamento me completou como ser. E estando completo não necessito de outras experiências conjugais nessa caminhada.


O Maumau me completou. Imensamente. 


Para finalizar só quero deixar a minha gratidão por esses quinze anos de parceria e companheirismo através da música de ninar que fiz e cantava quase toda noite mexendo nos seus cabelos:


Eu sou o Maumau 

Que veio trazer

A luz das estrelas

Para iluminar...


R.I.P MEU AMOR 



...


William:

Watts: 51 995435132

O Lala e o Maumau - William Gogolenko Risther e Maurício Rodrigues Lucas




O Lala e o Maumau 


Eu, William Gogolenko Risther, sempre fui aquele que coloca o pé no acelerador diante daquilo em que acredita. Tenho a intensidade de quem não suporta assistir calado às injustiças, às contradições e às hipocrisias.


Maumau, MaurícioRodriguesLucas, porém, sempre me fez pensar melhor. Seu jeito de me conter, de me fazer reconsiderar atitudes e palavras, impediu que muitas situações fossem enfrentadas com o radicalismo que, por vezes, eu desejava expressar.


Muita gente não conheceu a dimensão desse meu radicalismo porque Maurício esteve ao meu lado. Ele foi o freio de algumas atitudes minhas, e isso não representava fraqueza. Era, muitas vezes, a razão necessária para que eu não transformasse a indignação em algo de que pudesse me arrepender.


Ele me ajudou a compreender que nem toda verdade precisa ser lançada de qualquer maneira, que nem toda exposição produz justiça e que pensar melhor também é uma forma de lutar.


Mas existe um temor que me atravessa: se um dia Maurício me faltar, quem será esse freio? Quem me fará respirar antes de agir, reconsiderar antes de falar e enxergar além da minha própria indignação?


Meu freio é Maumau. A razão da minha vida. E, quando penso na possibilidade de sua ausência, não temo apenas a saudade. Temo também a falta daquela presença que, tantas vezes, me ajudou a ser uma versão mais consciente de mim mesmo.


Perguntei ao CHAT GPT sobre Maumau Estrelinha na minha vida.

 Perguntei ao CHAT GPT sobre Maumau Estrelinha, Maurício Rodrigues Lucas, na minha vida.









Ceuta ‐ William Contraponto

 



CEUTA

WILLIAM CONTRAPONTO 


Existem cidades carregadas de perguntas,

mesmo quando o tempo já passou,

suas ruas carregam muitas lutas,

e cada geração algo acrescentou.


Ali diferentes vozes se encontram,

trazendo no nome memória e razão,

antigos conflitos lentamente se transformam

quando o diálogo supera a separação.


No azul que une as margens,

há uma força a despertar,

e aquilo que parecia distante

pode enfim se aproximar.


Ceuta vive como pensamento,

mais profunda que sua própria história,

um nome que vence calendários

sem depender de conquista ou glória.


Nesse lugar o mundo pode ser compreendido

como encontro de múltiplas realidades,

e o passado, quando é revisitado,

revela outras possibilidades.


No azul que une as margens,

há uma força a despertar,

e aquilo que parecia distante

pode enfim se aproximar.


O que rompe o tempo

pode alcançar outra dimensão:

vidas distintas compartilhando o momento,

e a humanidade encontrando nova compreensão.



WATERLOO - William Contraponto

 



WATERLOO

William Contraponto 


Há dias em que o homem calcula o futuro,

como quem desenha a rota antes de andar;

faz dos próprios planos um mapa seguro,

sem perceber que o tempo pode mudar.


Constrói suas metas, organiza os passos,

confia que a vontade conduz o que virá;

mas a vida não conhece os seus traçados,

e nem sempre o caminho que se espera dará.


Há quem passe a existência acumulando vitórias,

confundindo o aplauso com alguma razão;

vence batalhas, coleciona histórias,

e chega ao fim sem conhecer a direção.


Então vem Waterloo, sem trombetas ou soldados,

sem bandeiras caindo diante de um rei;

apenas a realidade diante dos olhos cansados,

mostrando que o controle nunca foi uma lei.


Não é preciso perder tudo para compreender,

nem esperar que o mundo nos diga quem somos;

há derrotas que ensinam antes de acontecer,

quando percebemos o preço dos nossos sonhos.


Porque a maior batalha não está no exterior,

nem existe inimigo esperando em algum lugar;

é descobrir, entre o desejo e o temor,

o que vale a pena vencer e o que devemos deixar.


Waterloo não é o fim de uma trajetória,

é o instante em que a consciência vê:

não somos donos do tempo, nem da história,

mas somos responsáveis pelo modo de viver.


O Pensamento e o Tempo - William Contraponto

 



O Pensamento e o  Tempo 

William Contraponto 


A realidade muda com o passar dos dias,

nenhuma forma consegue sempre existir;

as lutas encontram novas geografias,

e o mundo nos obriga novamente a refletir.


O cenário se altera, outro começa a surgir,

o que ontem foi resposta pode hoje limitar;

há ideias que precisam aprender a evoluir,

sem perder seus princípios, mas sabendo se renovar.


Não há pensamento fora do seu próprio tempo,

nem verdade humana que dispense revisão;

quem transforma o passado em único fundamento

pode fazer da certeza uma prisão.


Pensar é seguir quando a história se reorganiza,

é rever a estrada sem negar o que se viu;

pois nenhuma consciência se conserva na mesma divisa,

quando o próprio mundo já se modificou.


Quanto Vale a Paz - William Contraponto



Quanto Vale a Paz

William Contraponto 


O lucro que se quer,

às vezes, traz dor demais;

será que vai valer

mais que sua paz?


Há quem transforme o viver

numa conta a calcular,

e só depois venha perceber

o que não pode recuperar.


Há escolhas que parecem

conduzir à liberdade,

mas pouco a pouco revelam

o preço da própria vontade.


Há uma conta sobre a mesa

que nenhuma cifra encerra;

de um lado, a própria riqueza,

do outro, o tempo que se enterra.


Quando o ganho vira norte,

todo limite perde a vez;

há quem chame isso de sorte

sem perceber o que desfez.


O tempo não faz negócio,

nem aceita negociação;

quando a vida vira um sócio,

quem decide sua direção?


Nenhum resultado alcançado

justifica abandonar o ser;

há vitória que deixa ao lado

aquilo que fazia viver.


O lucro que se quer,

às vezes, traz dor demais;

será que vai valer

mais que sua paz?


Maurício - Atualização

  Maurício - Atualização. 


Maumau segue na CTI. Exames estão  sendo realizados a fim de identificar a causa do quadro apresentado. Enquanto isso, Maumau segue sedado e intubado. E recebendo a medicação necessária no momento. 

 A equipe médica e de enfermagem são profissionais sensíveis e dedicados. Assim que os médicos identificarem a causa o tratamento  passa a ser mais efetivo.

Assim a equipe responsável deseja.


Reforçando os horários de visitano Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA):




Ternopil - William Contraponto




TERNOPIL

William Contraponto


Um sino divide a manhã ao meio,

e ninguém pergunta o que ele anuncia;

há nomes adormecidos no passeio,

sob a rotina exata de cada dia.


Um homem passa diante de uma porta,

detém-se apenas pelo que não vê;

alguma coisa antiga ainda o importa,

sem que ele saiba exatamente o quê.


Nessas paredes o tempo perde a pressa,

mas deixa sua marca sem intenção;

uma cidade muda quando atravessa

a memória de outra geração.


Nem toda origem pede reconhecimento,

nem todo retorno precisa acontecer;

há coisas que sobrevivem ao momento

somente porque recusam desaparecer.


Ternopil segue o curso das horas,

indiferente ao que ficou para trás;

e há quem descubra, entre partidas e auroras,

que certas distâncias nunca são iguais.


Maurício Rodrigues Lucas

 Maurício Rodrigues Lucas - Atualização 


Maurício Rodrigues Lucas,  o Maumau,  está na UTI do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.  Todos seus amigos e parentes podem visitá-lo nos seguintes horários:




Azov - William Contraponto

 



AZOV

William Contraponto 


Pequeno mar de águas rasas,

guardando o peso de outra extensão.

Suas margens carregam tantas marcas

que o tempo já perdeu a dimensão.


Terras se encontram nas suas águas,

navegantes cruzam seu horizonte.

Cada corrente carrega antigas mágoas,

cada margem conhece sua própria fonte.


O mundo desenha suas barcas,

e a história insiste em prosseguir.

Cada margem guarda suas marcas,

cada corrente conhece o partir.


Não mede a grandeza pelo espaço,

nem pela distância até o cais.

Há mundos inteiros em pouco traço,

e conflitos maiores que seus sinais.


Quando as águas mudam de rumo,

nenhuma margem segue igual.

O que parecia pequeno no mundo

revela a força de um temporal.


A MESMA ESTRADA - WILLIAM CONTRAPONTO




A MESMA ESTRADA

William Contraponto 


Há uma fronteira desenhada no chão,

mas ninguém nasceu dentro dela,

há mil maneiras de chamar de nação,

e uma só humanidade sob a estrela.


Cada povo carrega sua própria memória,

seu jeito de cair e recomeçar,

não existe um caminho escrito na história,

nem uma única forma de caminhar.


Vamos deixar as portas abertas,

deixar o futuro entrar,

se somos vozes tão diferentes,

há uma canção para compartilhar.

Nenhum de nós possui o amanhã,

nenhum de nós pode o controlar,

somos partes de uma mesma estrada,

aprendendo juntos a caminhar.


Há quem construa muros por medo,

há quem transforme a fé em poder,

mas nenhuma bandeira guarda um segredo

que impeça outro povo de escolher.


Que a liberdade não seja privilégio,

que a justiça encontre seu lugar,

que toda criança receba um começo

antes que alguém lhe ensine a odiar.


Vamos deixar as portas abertas,

deixar o futuro entrar,

se somos vozes tão diferentes,

há uma canção para compartilhar.

Nenhum de nós possui o amanhã,

nenhum de nós pode o controlar,

somos partes de uma mesma estrada,

aprendendo juntos a caminhar.


Não precisamos pensar igualmente

para descobrir o que podemos ser,

basta reconhecer no outro, frente a frente,

o mesmo direito de existir e escolher.


E quando a última fronteira desaparecer,

não haverá vitória de um sobre alguém,

haverá somente o que pudermos fazer

para que a liberdade alcance também.


Se cada país é uma experiência,

se cada povo tem algo a ensinar,

talvez a maior revolução da existência

seja aprender sem deixar de questionar.


O Muro de Adriano - William Contraponto

 



O MURO DE ADRIANO

William Contraponto


Há palavras caminhando pela sala,

sem encontrar destino ao terminar;

cada resposta contorna o que se fala,

como quem teme enfim se revelar.


No espaço das vozes cresce uma parede,

construída devagar por precaução;

cada pergunta esbarra no que impede

que a fala alcance o centro da questão.


O diálogo prossegue, mas não avança,

repete os mesmos passos pelo chão;

há muito movimento, pouca mudança,

e toda frase retorna à mesma mão.


Roma também subiu seu grande limite,

para conter o que vinha de outro lugar;

há muros que nenhum exército derrube,

quando duas pessoas deixam de atravessar.


Vestígios do Passado - William Contraponto (William Gogolenko Risther)



 Já  passei por acidente de automóvel quando criança. Estive em coma. Guardo seguelas físicas notáveis até os dias atuais. Porém,  o meu maior trauma é outro e cujas seguelas vão muito além da questão física. 


Existem  dores que o tempo não  apaga. E o esquecimento é  impossível.  Acredito  que todas as pessoas que passam por esta situação carregam as marcas do ocorrido na alma por toda a vida.


Já mencionei em algum outro momento o fato. Sem dar detalhes, pois é  extremamente dolorido escrever sobre tais e sobre a responsabilidade do acontecido. Mas, em nome de elucidar e prevenir para que  ninguém mais sofra o mesmo pelas mesmas mãos.


Para tanto, usarei o presente espaço. Destoando da criação artística aqui apresentada para poder dar voz a acontecimentos que até aqui ficaram restritos e os quais buscarei colocar luz sobre com a intenção exposta no parágrafo anterior.  Utilizarei o método de uma série de publicações para expor o ocorrido.  Faço isso, pois, como disse, relatar tudo de uma única só vez é sofrido e desgastante emocionalmente. 


Como disse, o trauma não é tal o acidente. Trata-se do que podemos chamar de grande maldade em relação a uma criança. 




Parágrafo 175 - William Contraponto




PARÁGRAFO 175


Dois homens dividiam a mesma espera,

duas vidas guardadas pela discrição,

enquanto uma norma fria e severa

tentava transformar afeto em infração.


Havia um quarto, uma janela, uma cidade,

e um mundo que não lhes permitia escolher,

mas entre os dois permanecia a vontade

de continuar próximos, apesar do poder.


Um número passou a nomear suas vidas,

um papel decidiu aquilo que deveriam ser,

e um triângulo rosa sobre suas roupas

passou a dizer aquilo que não podiam esconder.


Não havia culpa naquele sentimento,

nem havia ameaça naquilo que os unia,

mas o poder transformou um simples vínculo

em motivo para lhes negar a própria alegria.


Depois vieram os portões e a distância,

um lugar onde o medo aprendeu a mandar,

e o tempo perdeu sua importância

diante de um destino impossível de mudar.


Ficaram para trás os dias partilhados,

as conversas, os livros, a antiga afeição,

e dois nomes, quase apagados,

permaneceram guardados pela recordação.


Hoje resta apenas aquela sentença,

fria como um número perdido no papel,

e um triângulo rosa na memória

como testemunho de um tempo cruel.


Porque nenhuma lei possui o direito

de determinar aquilo que alguém pode sentir,

e nenhum poder consegue por decreto

decidir quem merece amar ou existir.



Dois Reis - William Contraponto




DOIS REIS

William Contraponto


Duas coroas sobre a mesma mesa,

dois olhares recusando o papel,

e na distância imposta pelo dever,

um sentimento aprendendo a ser fiel.


Um trazia a força da espada,

Filipe guardava um reino no olhar,

mas havia entre os dois, na madrugada,

uma vontade que não sabia se calar.


Não era o poder que os fazia inteiros,

nem a glória que os fazia permanecer,

eram dois homens, antes de serem guerreiros,

descobrindo outro modo de viver.


O mundo lhes pedia força e aparência,

mas o coração desconhecia tal dever;

há sentimentos que vencem a prudência

quando encontram alguém capaz de compreender.


E quando o tempo fechou suas cortinas,

restou aquilo que ninguém pôde apagar:

dois reis, duas vidas, duas rotas distintas,

e um afeto que a memória traz a testemunhar.


Biblioteca de Celso - William Contraponto




Biblioteca de Celso

William Contraponto 


Entre colunas, a tarde descia,

e dois desconhecidos buscavam saber,

cada qual carregava sua própria teoria,

sem imaginar o que estava para acontecer.


Discutiam ideias, o tempo e a memória,

autores antigos, perguntas sem fim,

um defendia o peso de uma velha história,

o outro encontrava novos caminhos em si.


As palavras cresceram, perderam fronteiras,

e a conversa deixou de ser apenas razão,

duas inteligências, antes estrangeiras,

descobriram afinidade na mesma direção.


Não houve promessa, nem gesto ensaiado,

somente a vontade de continuar ali,

como se o mundo tivesse, por algum momento,

diminuído o espaço entre mim e ti.


A tarde caiu sobre as antigas colunas,

e ninguém percebeu quando o dia terminou,

as perguntas ficaram entre as ruínas,

enquanto alguma coisa entre os dois começou.


Partiram depois, cada qual por seu caminho,

levando livros, ideias e uma nova questão:

há encontros que não precisam de destino

para transformar discretamente uma existência.


E entre páginas que sobreviveram,

fica aquilo que nenhum livro explicou:

duas pessoas chegaram procurando respostas

e encontraram uma na presença da outra.



Alexandria - William Contraponto




 Alexandria

William Contraponto 


Havia uma cidade voltada para o mar,

onde duas vidas cruzaram sem aviso,

e uma delas aprendeu, ao caminhar,

que certos encontros mudam o juízo.


As ruas guardavam línguas diferentes,

janelas abertas para outro lugar,

e nós éramos dois desconhecidos presentes

num mundo que decidiu nos aproximar.


Não fizemos promessas para o futuro,

nem procuramos respostas para o fim,

deixamos o instante seguir seu curso,

como a maré que encontra outro jardim.


O amor não pede permanência,

nem precisa de um nome para existir,

basta uma breve coincidência

para uma vida inteira se modificar.


Quando a manhã devolveu cada estrada,

ficou no horizonte alguma coisa a brilhar:

não era certeza, nem despedida marcada,

era a vontade de um dia retornar.


Os MUNDOS ESQUECIDOS - WILLIAM CONTRAPONTO

 




Os Mundos Esquecidos

William Contraponto 


Talvez já fomos mais do que lembrança, 

E o tempo ocultou nossa passagem; 

Restou da antiga e vasta confiança 

Somente o mito, herança da viagem. 


Se o fogo um dia consumiu cidades,

E o mar levou palácios para o chão, 

Restou só a poeira dessas verdades 

Acumuladas na discreta tradição. 


Quem sabe um templo fosse uma oficina,

Ou um saber tornado devoção;

A história, quando o esquecimento inclina, 

Reveste a perda com imaginação.


Não digo que essa hipótese é verdade, 

Nem quero tratá-la como religião;

A dúvida preserva a liberdade

De investigar sem qualquer imposição. 


Talvez também sejamos só passagem, 

Um breve instante à beira da erosão; 

O orgulho não resiste à ventania,

Nem vence para sempre a destruição.


Se um novo amanhecer surgir depois,

De outro enredo feito de poeira, 

Que reste a velha pergunta entre nós:

Quantos mundos perdeu a humanidade inteira? 


Se NÃO EU, QUEM? - WILLIAM CONTRAPONTO

 SE NÃO EU, QUEM?

Dizem que sou intelectualmente incapaz. Curioso. Se é assim, por que dedicam tanto tempo ao que escrevo? Por que tentam desqualificar o autor em vez de enfrentar as ideias?

Se eu não sou capaz de responder intelectualmente pelo que expresso, quem será?

Nao escondo minhas palavras atrás de gurus, partidos, religiões ou títulos acadêmicos. Tudo o que publico passa pelo meu próprio julgamento. Posso estar certo ou errado, mas cada texto é fruto da minha reflexão. E, quando erro, a responsabilidade é exclusivamente minha.

Não peço que concordem comigo. Peço apenas o mínimo de honestidade intelectual: respondam aos argumentos, não às caricaturas que criam sobre mim.

Há quem ache mais fácil chamar alguém de incapaz do que explicar por que discorda. É um atalho antigo. O insulto exige pouco; o debate exige estudo, paciência e coragem.

Continuarei escrevendo. Continuarei revendo minhas convicções quando houver razões para isso. Continuarei aceitando críticas fundamentadas, porque elas fazem parte do pensamento livre. Mas não aceitarei que tentem reduzir uma vida inteira de leitura, reflexão e escrita a um rótulo conveniente.

No fim das contas, não são os adjetivos que me definem. São as ideias que sou capaz de sustentar, revisar e desenvolver. E, enquanto eu puder responder por aquilo que escrevo, não precisarei que ninguém pense por mim.



Quando Minha Voz Não Puder Mais Falar - WILLIAM CONTRAPONTO (WILLIAM GOGOLENKO RISTHER)



Quando Minha Voz Não Puder Mais Falar

William Contraponto (William Gogolenko Risther)


Ao longo da minha vida, procurei construir minhas convicções por meio da reflexão, da dúvida e do conhecimento. Não encontrei nas crenças religiosas o fundamento para compreender a existência ou orientar minhas escolhas. Foi só pensando por conta própria que defini meus valores, minhas críticas e minha forma de estar no mundo. Por isso, considero importante deixar registrada uma vontade que expressa aquilo em que  acredito.

Se um dia o pensar me fugir na névoa dos dias e minha consciência já não puder responder por mim, peço que ninguém busque explicações ou tratamentos baseados em crenças religiosas. Não desejo que rezas, rituais ou interpretações espirituais ocupem o lugar das decisões que tomei enquanto estava plenamente consciente. Quero que minha trajetória intelectual e filosófica seja respeitada até o fim, da mesma maneira que respeito aqueles que escolhem viver guiados pela fé.

Peço que me amparem com a ciência, com o conhecimento e com o cuidado humano. Confio no trabalho dos profissionais da saúde, na ética, na pesquisa e no compromisso de aliviar o sofrimento por meio das melhores evidências disponíveis. Também espero que o afeto daqueles que estiverem ao meu lado seja suficiente para oferecer conforto, sem a necessidade de recorrer a crenças que deixaram  de fazer parte da minha maneira de compreender a realidade. E deixaram por completo. De forma ética e pela compreensão de que inexistente forças espirituais. 

Não escrevo estas palavras por rejeição às pessoas religiosas, mas por fidelidade àquilo que sou. Sempre defendi que cada indivíduo deve ser livre para acreditar ou para não acreditar. Da mesma forma que nunca desejei impor minhas convicções a ninguém, peço que as convicções de outras pessoas não sejam impostas a mim quando eu já não puder expressar minha própria vontade.

Se minha consciência vacilar e minha voz se calar, que permaneça viva a decisão que tomei enquanto ainda podia pensar com clareza. Que minha dignidade seja preservada, que minha autonomia seja respeitada e que minha história não seja reescrita pela ausência da minha lucidez. Se algo deve permanecer de mim, que seja o compromisso que sempre assumi com a liberdade de pensamento e com o direito de viver — e de ser cuidado — em coerência com aquilo que escolhi acreditar.




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William Contraponto



O Deus que Cabe no Patriarcado - William Contraponto



O Deus que Cabe no Patriarcado

William Contraponto 


Há quem levante a Bíblia com uma mão e, com a outra, sustente as velhas estruturas de dominação. Chamam isso de fé. Eu chamo de conveniência.

Se Deus é amor, por que tantos transformaram esse amor em instrumento de controle? Se a compaixão fosse realmente o centro de suas crenças, não haveria tanto entusiasmo em decidir quem pode amar, quem pode falar, quem deve obedecer e quem merece ser silenciado.

Curioso é perceber que muitos dos que afirmam viver para o céu fazem de tudo para preservar os privilégios da terra. Não defendem apenas uma religião. Defendem uma hierarquia. Um mundo onde o homem manda, a mulher aceita, a diversidade se esconde e a autoridade jamais é questionada. Deus torna-se argumento; o patriarcado, verdadeiro altar.

Não é coincidência. Durante séculos, crenças foram usadas para justificar poderes humanos. Reis governaram em nome do divino. Pais governaram suas casas como pequenos soberanos. Líderes religiosos transformaram interpretações em decretos morais. A transcendência serviu, muitas vezes, para proteger interesses profundamente terrenos.

Como ateu, não vejo nisso uma prova da existência de qualquer divindade. Vejo apenas a extraordinária capacidade humana de criar discursos capazes de legitimar aquilo que já desejava conservar.

A fé pode inspirar gestos de solidariedade, e seria injusto negar isso. Mas também pode servir de escudo para a intolerância quando deixa de ser um caminho pessoal e passa a exigir submissão coletiva. O problema não está na espiritualidade em si, mas na facilidade com que ela é capturada por estruturas de poder.

Talvez a maior blasfêmia não seja deixar de acreditar em Deus. Talvez seja usar Deus para justificar preconceitos, desigualdades e privilégios históricos, enquanto se proclama humildade diante do sagrado.

A ética não precisa de recompensa eterna para existir. O respeito não depende de mandamentos gravados em pedra. A dignidade humana não deveria precisar da autorização de um livro, de um púlpito ou de uma tradição.

Enquanto houver quem confunda autoridade com virtude e dominação com ordem, continuaremos assistindo ao espetáculo de uma religiosidade que fala de amor, mas pratica exclusão; que prega igualdade diante do divino, mas aceita desigualdade entre os vivos.

No fim, talvez a pergunta mais desconfortável não seja se Deus existe.

Talvez seja por que tantos insistem em criar um deus que se parece tanto com aqueles que sempre ocuparam o topo da mesa.


NAO ME APRESENTE O CAOS - WILLIAM CONTRAPONTO




Não Me Apresente o Caos
William Contraponto 

Não me apresente o caos,
Que eu faço dele um mingau,
Esse que se come devagar
Até o fim chegar.

Cada colher tem seu gosto,
Mesmo quando é dissabor;
Quem mastiga a própria noite
Perde o medo da dor.

Não me embriagam promessas,
Nem o brilho do altar;
Prefiro o peso da dúvida
Ao conforto de acreditar.

Se o destino é tempestade,
Faço do vento um varal;
Penduro nele os meus medos
Até secarem no vendaval.

Quando o caos perde a força
Por não me ver recuar,
Descobre que seu império
Nunca soube me dobrar.


Não Foi a Primeira Censura. Não Será a Última - William Contraponto



Não Foi a Primeira Censura. Não Será a Última

Por William Contraponto


Fui excluído das redes da META.

Alguns dirão que foi apenas uma decisão empresarial. Outros afirmarão que se trata do cumprimento de regras internas. Há ainda aqueles que celebrarão o ocorrido, convencidos de que o desaparecimento de uma voz equivale ao desaparecimento das ideias que ela carrega.


Não compartilho dessa crença.

Ao longo da história, toda estrutura de poder desenvolveu seus próprios mecanismos de exclusão. Mudam os instrumentos, mudam os discursos justificadores, mas permanece a tentativa de controlar aquilo que pode ou não circular entre as pessoas. Antes eram púlpitos, tribunais, editoras, governos e jornais. Hoje são algoritmos, plataformas e conglomerados tecnológicos.


Minha exclusão não me surpreende. Minha escrita nunca foi construída para agradar. Não escrevo para confirmar certezas. Escrevo para questioná-las. Não escrevo para servir a dogmas. Escrevo para colocá-los sob exame. Não escrevo para me integrar ao coro. Escrevo porque toda sociedade precisa de vozes dispostas a desafiar a música dominante.


O curioso é que aqueles que mais falam sobre diversidade nem sempre demonstram apreço pela diversidade de pensamento. Há uma diferença profunda entre defender a pluralidade como slogan e aceitá-la como prática. A primeira é confortável. A segunda exige tolerar opiniões, críticas e questionamentos que nem sempre agradam.


Não tenho ilusões sobre o mundo digital. As redes sociais jamais foram territórios neutros. São empresas privadas guiadas por interesses próprios. O que me preocupa não é meu caso individual, mas o precedente que ele representa. Quando poucos grupos concentram a capacidade de determinar quem será ouvido, toda a sociedade deveria prestar atenção.


Mas há algo que a experiência me ensinou.

As ideias não dependem de plataformas para sobreviver. Livros sobreviveram sem redes sociais. Poetas sobreviveram sem algoritmos. Pensadores sobreviveram sem curtidas, compartilhamentos ou métricas de engajamento. A palavra humana sempre encontrou caminhos alternativos quando portas foram fechadas.


Já vi isso acontecer antes. Já testemunhei tentativas de silenciamento em outros espaços. Sobrevivi a elas. Continuarei sobrevivendo.


A META pode excluir perfis. Pode limitar alcance. Pode apagar páginas inteiras. O que não pode fazer é apagar aquilo que já foi lido, pensado e incorporado por outras consciências.


Toda censura parte da mesma ilusão: a de que controlar os meios equivale a controlar as ideias.


A história demonstra exatamente o contrário.

As plataformas passarão.

Os algoritmos passarão.

Os executivos passarão.


As palavras permanecerão.

E eu continuarei escrevendo.


Que seja constado em ata!

Deus Prefere os Ateus - William Contraponto

 Deus Prefere os Ateus

William Contraponto 


Não dobram o joelho ao céu vazio, 

nem vestem fé por medo da solidão; 

encaram o abismo, frio e sombrio, 

sem terceirizar ao eterno a decisão. 


Enquanto muitos rezam por aparência, 

erguendo templos sobre a contradição, 

eles carregam a própria consciência 

como quem assume o peso da condição. 


Não prometem virtudes para outro plano, 

nem compram absolvição por devoção; 

sabem que o bem se prova no cotidiano 

e não no discurso de uma procissão. 


Se existe um deus além da névoa humana, 

talvez rejeite toda submissão; 

talvez admire a coragem soberana 

de quem procura sem conclusão. 


Pois a dúvida sincera vale mais, 

que a certeza herdada pela tradição;

e entre os que o invocam e os que buscam sinais, 

talvez prefira os ateus à adoração. 

Marcar Posição - William Contraponto

 



Marcar Posição

William Contraponto


Quando o mundo exige rendição, 

eu sigo a trilha da consciência, 

não vendo a voz por aprovação, 

nem faço da omissão uma evidência. 


Há quem procure abrigo no favor, 

e molde a fala ao gosto dominante, 

mas toda ideia que renuncia ao vigor, 

acaba serva do instante. 


Marcar posição é enfrentar o vendaval, 

sem transformar a diferença em guerra, 

é não chamar de natural 

a corrente que o pensamento encerra. 


Prefiro a dúvida ao dogma triunfal, 

e a busca franca à certeza fabricada, 

pois o espírito que se quer integral 

não teme a estrada inacabada. 


Se um dia eu mudar de direção, 

que seja pela força do argumento, 

não pela pressão da multidão,

nem pelo conforto do consentimento.


A PALAVRA PERMANECE - WILLIAM CONTRAPONTO

A Palavra Permanece


A minha arte incomoda. Incomoda tanto que fui banido dos serviços da META. Incomoda a extrema-direita. Ainda assim, minhas palavras continuam encontrando outros caminhos. Já enfrentei censura em jornais impressos e sobrevivi. Não será a censura de uma empresa que transformará minha escrita em silêncio.


A META passará. O que escrevo permanecerá. De alguma forma.


Há muito tempo desafio a extrema-direita, e nunca conseguiram me apagar por completo. Sempre ressurjo. Pela minha própria escrita ou pela lembrança deixada na escrita de outros. Às vezes, por uma citação. Outras vezes, apenas por uma ideia que segue circulando sem que sua origem seja lembrada.


E mesmo quando não houver redes para me citar, estarei presente no pensamento que ajudei a provocar. A empresa hoje poderosa será apenas mais uma empresa na história. A palavra, a ideia e a arte lançadas por mim e por tantos outros artistas perseguidos continuarão seu percurso.


Empresas podem falir. Plataformas podem desaparecer. Impérios econômicos podem ser substituídos. Mas as ideias atravessam o tempo. E a arte, quando encontra eco, permanece.


O texto reforça a permanência das ideias em contraste com o caráter transitório das empresas e instituições, mantendo o tom combativo associado à voz ensaística de William Contraponto.


Sigo na rede: Aqui no blog oficial, em inúmeros  outros site nos quais sou citado. Em outras redes não  associadas a empresa citada. Ou seja: YouTube,  TikTok,  X (twitter), nos meus livros publicados no que podem ser adquiridos  aqui (em breve gratuitamente), no Clube de Autores  ou no Google Livros do PlayStore em português em versões escritas ou adaptadas  em espanhol.  Etc. Etc...

Eu sou citado no Instagram e no Facebook por contas que me citam pelos meus poemas, minhas frases... mas eu, o autor, não posso ter conta nessas plataformas.  


Tenho um sentimento  dúbio sobre isso: ojeriza por ser censurado por e oruglho por ser censurado por essa empresa que serve ao império atualmente vassalo da extrema-direita trumpista.


Posso não ser considerado hoje por essa empresa, mas suas sucessoras ainda me citação. Mesmo que  atraves de seus usuários.  


O que digo permanecerá.  Essas plataformas que censuram meu perfil, mas não  citações  das minhas obras,  passarão. 

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Sinopse
Em Com Todas as Letras, William Contraponto reúne poemas que confrontam dogmas, expõem violências simbólicas e afirmam o direito de existir sem tutela. Entre crítica social, reflexão existencial e afetos em resistência, a obra percorre opressões, travessias e escolhas conscientes. Não busca consenso nem conforto: diz o que precisa ser dito, com clareza, lucidez e sem concessões.

Características
Número de páginas 42
Edição 2 (2026)

R$ 9,90 no pix

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Sinopse
Lucidez Sem Atalho reúne poemas que recusam consolo fácil, promessas costumeiras e caminhos prontos. Ao longo da obra, William Contraponto investiga o pensar, o tempo, a travessia e o inacabamento como condições do existir, tratando a lucidez não como chegada, mas como exercício contínuo. Sem recorrer à fé, ao dogma ou à esperança automática, os versos afirmam a experiência, a dúvida e a consciência como únicas chamas possíveis. É um livro que não orienta nem acolhe: provoca, expõe e permanece em vigília.

Características
Número de páginas 16
Edição 1 (2026)

R$ 3,90 no pix

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Sinopse 
Sem Roteiro Prévio reúne poemas sobre tempo, memória e escolhas diante do desconhecido. Sem respostas prontas, cada verso propõe atenção e resistência, revelando como a consciência atravessa limites e incertezas, insistindo em permanecer presente mesmo sem garantias.

Características 
Número de Páginas 33
Edição 1 (2026)

R$ 5,99 no pix

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Sinopse 
Breves Considerações Reflexivas reúne textos curtos que observam o pensar, a consciência e os limites do dizer a partir das margens do real. Sem oferecer respostas finais, a obra propõe um exercício de atenção: interrogar hábitos, silêncios, dogmas e certezas que estruturam a experiência cotidiana. Com linguagem sóbria e direta, os ensaios percorrem o espaço entre o individual e o coletivo, entre o tempo vivido e o tempo pensado, afirmando a reflexão como gesto de responsabilidade e inquietação. É um livro para quem não busca conforto intelectual, mas clareza crítica mesmo quando ela exige permanecer na incompletude.

Características 
Número de Páginas 13
Edição 2 (2026)

R$ 2,10 no pix

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Sinopse 
Consciência do Desamparo é um livro que percorre a fratura do mundo sem recorrer a consolos simbólicos ou promessas transcendentes. Seus poemas expõem a desigualdade, o controle e o consenso como estruturas normalizadas, interrogam os limites do pensar e da linguagem e recusam qualquer tutela que alivie a responsabilidade humana. Ao final, a obra não oferece redenção nem síntese reconfortante, mas afirma o existir sobre o solo comum, onde cada escolha se sustenta sem garantias e sem absolvição.

Características 
Número de Páginas 31
Edição 2 (2026)

R$ 4,99 no pix

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Sobretudo, Resistente — William Contraponto




Sobretudo, Resistente — William Contraponto 


 Por vinte e dois anos escrevi sem publicar um livro. Acumulei material, fartamente compartilhado nas redes e na web em geral ao longo dos últimos quinze anos, além daquilo que foi publicado em jornais locais. Foram anos não só de espera, mas de lutas. Meu caminho foi minado, bombardeado, para que eu não chegasse ao ponto objetivado.

 Segui fiel ao objetivo por força de ideais e de resistência. Pela escrita, descobri-me mais do que poeta: descobri-me ser humano — forte, resistente — cuja caminhada superou obstáculos cujas razões, muitas vezes, nem eu mesmo compreendia, nascidos dos complexos, hoje, já inferidos, de pessoas ressentidas e boçais  ao longo do trajeto.

 Ninguém tem a obrigação de conhecer plenamente essas situações enfrentadas. Digo tudo isso apenas para esclarecer uma coisa: não foi do dia para a noite. Não houve milagre. Não houve investimento financeiro. Não houve uso de truques. Houve, sim, objetivo. Houve superação. E houve imersão cognitiva nas áreas que atravessam aquilo que escrevo.

 Iniciei essa história aos dezesseis anos, publicando um texto em um jornal local. De lá para cá, vieram muitas outras experiências semelhantes, além da escrita para meu site e outros espaços — como uma breve pesquisa no Google pode revelar. E agora, passadas duas décadas, lanço-me como autor de livros. Aprendi o necessário para ser um autor independente e, com o acúmulo de material criado ao longo desse tempo, pude já lançar alguns.

 Aos trinta e oito anos, acho que posso me considerar, sobretudo, resistente.



 E.T.: Que  esse presente texto sirva de reflexão para qualquer pessoa.  Que sirva também para quem pretende concluir algo sobre a minha caminhada, pois sem a pesquisa  alicerçada  sobre esse seria impossível a mínima compreensão. 






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Os e-books  Consciência do Desamparo,  Com Todas as Letras, Breves Considerações Reflexivas - O Pensar, a Consciência e as Margens do Real e Lucidez Sem Atalho foram acrescentadas ao catálogo do Google Livros lá  na Play Store do seu aparelho.


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