O Lala e o Maumau

O Lala e o Maumau 


Eu, William, sempre fui aquele que coloca o pé no acelerador diante daquilo em que acredita. Tenho a intensidade de quem não suporta assistir calado às injustiças, às contradições e às hipocrisias.


Maurício, porém, sempre me fez pensar melhor. Seu jeito de me conter, de me fazer reconsiderar atitudes e palavras, impediu que muitas situações fossem enfrentadas com o radicalismo que, por vezes, eu desejava expressar.


Muita gente não conheceu a dimensão desse meu radicalismo porque Maurício esteve ao meu lado. Ele foi o freio de algumas atitudes minhas, e isso não representava fraqueza. Era, muitas vezes, a razão necessária para que eu não transformasse a indignação em algo de que pudesse me arrepender.


Ele me ajudou a compreender que nem toda verdade precisa ser lançada de qualquer maneira, que nem toda exposição produz justiça e que pensar melhor também é uma forma de lutar.


Mas existe um temor que me atravessa: se um dia Maurício me faltar, quem será esse freio? Quem me fará respirar antes de agir, reconsiderar antes de falar e enxergar além da minha própria indignação?


Meu freio é Maumau. A razão da minha vida. E, quando penso na possibilidade de sua ausência, não temo apenas a saudade. Temo também a falta daquela presença que, tantas vezes, me ajudou a ser uma versão mais consciente de mim mesmo.