E-book: Diversidade na Educação - Grupo de Pesquisa Educação, Diversidade e Direitos Humanos (GPEDDH) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (IFMS)

Disponibilizando  o ebook de Diversidade na Educação. Do Grupo de Pesquisa Educação, Diversidade e Direitos Humanos (GPEDDH) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (IFMS).

Nele é  ciatado William Contraponto com um trecho de seu poema "Diversidade" em complemento ou diálogo com uma citação de Paulo Freire. 


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Bolsonarismo: catalisadores da extrema-direita brasileira - William Contraponto



Bolsonarismo: catalisadores da extrema-direita brasileira.

[Revisado em 06/01/2026]

William Contraponto


O bolsonarismo não é um desvio momentâneo nem um mal-entendido histórico. É um fenômeno político com raízes sociais profundas, que organiza ressentimentos, legitima impulsos autoritários e converte frustrações difusas em identidade agressiva. Não se sustenta por ideias, mas por afetos negativos: medo, ódio, nostalgia de hierarquias e aversão à pluralidade.


Um de seus motores centrais é a massa dos ressentidos, ou seja, osndivíduos e grupos que interpretam a ampliação de direitos como perda pessoal. Para essa caterva, democracia só é aceitável quando confirma privilégios. Quando o mundo se torna diverso, a reação é boçal: simplificar, atacar, desumanizar. O bolsonarismo oferece a esses sujeitos uma gramática rudimentar, onde o grito substitui o argumento e o inimigo imaginário dá sentido à própria mediocridade.


O golpismo não aparece como exceção, mas como método latente. A desconfiança permanente das instituições, do processo eleitoral, da imprensa e da ciência não visa corrigir falhas, mas corroer a ideia mesma de mediação democrática. Governa-se pela tensão contínua. O conflito não é meio; é fim. A extrema-direita brasileira prospera no desgaste, no ruído e na ameaça constante.


Nesse arranjo, as milícias ocupam lugar estrutural — não apenas como fenômeno criminal, mas como lógica política. Controle territorial, intimidação, lealdade pela força e desprezo seletivo pela lei formam um modelo de poder que dialoga diretamente com o bolsonarismo. Não por acaso, são amplamente documentadas as ligações da família Bolsonaro com milicianos no Rio de Janeiro: homenagens parlamentares a figuras centrais dessas organizações, relações de proximidade política e simbólica, e a normalização pública de personagens associados a esse universo. Não se trata de detalhe periférico, mas de afinidade eletiva entre um projeto autoritário e uma forma de poder baseada na coerção informal.


Os fundamentalistas cristãos cumprem função decisiva como blindagem moral. Não operam no registro da fé, mas do controle. Transformam política em cruzada, dogma em arma e obediência em virtude. Ao sacralizar líderes medíocres, tornam a crítica um pecado e o autoritarismo uma missão. O resultado é uma moral seletiva, asquerosa, que pune os vulneráveis e absolve os poderosos.


Há ainda a recusa sistemática do pensamento. Ciência vira conspiração, educação vira doutrinação, cultura vira ameaça. A extrema-direita não teme ideias; teme o hábito de pensar. Por isso ataca professores, jornalistas, artistas e qualquer instância que introduza complexidade num mundo que prefere slogans.


No fundo, o bolsonarismo é um projeto antidemocrático, sustentado por uma aliança entre elites predatórias, classes médias ressentidas e uma base mobilizada pelo medo. Não oferece futuro; tenta congelar o passado e punir quem dele escapa. Combatê-lo exige mais do que indignação moral. Exige análise, memória e recusa firme à normalização da barbárie.


C.R.: A PALAVRA COMO INSTRUMENTO DE DESGASTE

 


Considerações Reflexivas:

A Palavra Como Instrumento de Desgaste 


Há discursos que não nascem da dúvida, mas da necessidade de ferir. Neles, o fato não importa: é apenas um corpo disponível para a agressão. A versão muda, não por revisão honesta, mas porque o ataque exige novas formas; não há contradição real, há insistência. Fala-se hoje de um modo, amanhã de outro, desde que o outro permaneça menor, sob suspeita, corroído. A palavra, que poderia ser ato de lucidez, é rebaixada a instrumento de desgaste moral. Nesse movimento, a coerência deixa de ser valor porque a verdade já foi abandonada de saída; o que resta é um exercício pobre de poder, onde quem acusa revela menos sobre o acusado e mais sobre a própria incapacidade de sustentar sentido sem destruir alguém no caminho.


E-book: Regimes do Real – três estados do existir. De William Contraponto

 E-book: Regimes do Real – três estados do existir. De William Contraponto 


Três poemas que investigam o real como imposição: pela exposição excessiva, pela suspensão do escuro e pela normalização da violência. O livro recusa consolo e redenção, afirmando a consciência crítica e a decisão como modos de atravessar o mundo sem ilusão. 


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