Considerações Reflexivas:
A Palavra Como Instrumento de Desgaste
Há discursos que não nascem da dúvida, mas da necessidade de ferir. Neles, o fato não importa: é apenas um corpo disponível para a agressão. A versão muda, não por revisão honesta, mas porque o ataque exige novas formas; não há contradição real, há insistência. Fala-se hoje de um modo, amanhã de outro, desde que o outro permaneça menor, sob suspeita, corroído. A palavra, que poderia ser ato de lucidez, é rebaixada a instrumento de desgaste moral. Nesse movimento, a coerência deixa de ser valor porque a verdade já foi abandonada de saída; o que resta é um exercício pobre de poder, onde quem acusa revela menos sobre o acusado e mais sobre a própria incapacidade de sustentar sentido sem destruir alguém no caminho.
