Não Foi a Primeira Censura. Não Será a Última
Por William Contraponto
Fui excluído das redes da META.
Alguns dirão que foi apenas uma decisão empresarial. Outros afirmarão que se trata do cumprimento de regras internas. Há ainda aqueles que celebrarão o ocorrido, convencidos de que o desaparecimento de uma voz equivale ao desaparecimento das ideias que ela carrega.
Não compartilho dessa crença.
Ao longo da história, toda estrutura de poder desenvolveu seus próprios mecanismos de exclusão. Mudam os instrumentos, mudam os discursos justificadores, mas permanece a tentativa de controlar aquilo que pode ou não circular entre as pessoas. Antes eram púlpitos, tribunais, editoras, governos e jornais. Hoje são algoritmos, plataformas e conglomerados tecnológicos.
Minha exclusão não me surpreende. Minha escrita nunca foi construída para agradar. Não escrevo para confirmar certezas. Escrevo para questioná-las. Não escrevo para servir a dogmas. Escrevo para colocá-los sob exame. Não escrevo para me integrar ao coro. Escrevo porque toda sociedade precisa de vozes dispostas a desafiar a música dominante.
O curioso é que aqueles que mais falam sobre diversidade nem sempre demonstram apreço pela diversidade de pensamento. Há uma diferença profunda entre defender a pluralidade como slogan e aceitá-la como prática. A primeira é confortável. A segunda exige tolerar opiniões, críticas e questionamentos que nem sempre agradam.
Não tenho ilusões sobre o mundo digital. As redes sociais jamais foram territórios neutros. São empresas privadas guiadas por interesses próprios. O que me preocupa não é meu caso individual, mas o precedente que ele representa. Quando poucos grupos concentram a capacidade de determinar quem será ouvido, toda a sociedade deveria prestar atenção.
Mas há algo que a experiência me ensinou.
As ideias não dependem de plataformas para sobreviver. Livros sobreviveram sem redes sociais. Poetas sobreviveram sem algoritmos. Pensadores sobreviveram sem curtidas, compartilhamentos ou métricas de engajamento. A palavra humana sempre encontrou caminhos alternativos quando portas foram fechadas.
Já vi isso acontecer antes. Já testemunhei tentativas de silenciamento em outros espaços. Sobrevivi a elas. Continuarei sobrevivendo.
A META pode excluir perfis. Pode limitar alcance. Pode apagar páginas inteiras. O que não pode fazer é apagar aquilo que já foi lido, pensado e incorporado por outras consciências.
Toda censura parte da mesma ilusão: a de que controlar os meios equivale a controlar as ideias.
A história demonstra exatamente o contrário.
As plataformas passarão.
Os algoritmos passarão.
Os executivos passarão.
As palavras permanecerão.
E eu continuarei escrevendo.
Que seja constado em ata!
