O MITO DA LIBERDADE - WILLIAM CONTRAPONTO




O Mito da Liberdade

William Contraponto 


Disseram-me: És livre!

E eu, ingênuo, acreditei.  

Pisei na estrada com pés leves,  

mas logo senti o peso invisível  

das escolhas já feitas por mim.  


Chamaram de liberdade o campo aberto,  

mas esqueceram de falar dos muros.  

De quem são as mãos que desenham os caminhos  

antes mesmo que eu sonhe em trilhá-los?  


Dizem-me: Escolha!

Mas as cartas já estão marcadas.  

Dizem-me: Decida!

Mas os trilhos só levam ao mesmo lugar.  


Se sou livre, por que cada passo ecoa  

o comando de vozes que não são minhas?  

Se sou livre, por que o horizonte  

parece um quadro fixo, sem brechas para o acaso?  


A liberdade é um mito bem contado,  

uma ilusão bem iluminada.  

Uma gaiola tão vasta, tão bela,  

que já nem percebemos as grades.

ÁRVORE DE MIM - WILLIAM CONTRAPONTO

 



Árvore de Mim

William Contraponto 


Minhas raízes afundam na terra molhada,  

braços de tempo que nunca se apagam.  

São memórias, medos, risos e abraços,  

os ventos da infância que sopram dos laços.  


No caule, eu cresço, anéis de jornada,  

cicatrizes que guardo, lições desenhadas.  

Cada ruga na casca é um dia vivido,  

sou forte, sou frágil, sou meu próprio abrigo.  


E os galhos, os sonhos que estendo ao céu,  

uns fortes, inteiros, outros ao léu.  

Frutifico em amores, perco folhas no outono,  

renasço em silêncios, refaço meu trono.  


Sou árvore erguida na brisa ou na dor,  

danço com a vida, recebo o sol.  

E mesmo que o tempo me curve a espinha,  

sou tronco, sou vida, sou sombra que aninha.

CÍRCULO INFINDO - WILLIAM CONTRAPONTO

 


Círculo Infindo 

William Contraponto 


O tempo gira, insone e exato,

o que foi pó, renasce em vento.

O que foi forte, hoje é retrato,

o que era novo, jaz em cimento.


O mesmo sol que abre caminhos

deixa os desertos em seu clarão.

E o mar que embala barcos e ninhos

afoga sonhos sem compaixão.


Dança o destino em passos tortos,

somos começo, somos fim.

Entre ruínas e campos mortos,

sempre há um grão que nasce enfim.


Os deuses falam por vozes gastas,

seus nomes mudam, mas são iguais.

Erguemos templos, cortamos matas,

mas carregamos os mesmos sinais.


A noite engole o dia, e o dia responde,

mas quem governa, quem se mantém?

A chama apaga, o rio se esconde,

mas sempre volta quem vai além.


Dança o destino em passos tortos,

somos começo, somos fim.

Entre ruínas e campos mortos,

sempre há um grão que nasce enfim.

Citação

 Deputado Federal Bacelar  - Vice líder na Câmara Federal cita o poema Livre -  William Contraponto.






ALÉM DA ILUSÃO - WILLIAM CONTRAPONTO

 



Além da Ilusão 

William Contraponto 


O pensar me avisa

Que o conto é oco,

Apreendi a divisa

Do fantasma e do sufoco.


Elucrubei em demasia

E superei do que trata,

Não me fale de fantasia

Baseada em vozes abstratas.


O que aventas, superado me é

Mas tuas dores vejo no vernáculo,

Sei da sua sentença pela fé

Apenas não prezo pelo báculo.


Não há vastidão no ínfimo

É tudo compreensível no aspecto posto,

A trama deixa de fora o lídimo

Em benefício do valor sotoposto.


Pelo âmago da questão

A face fica explícita,

O medo em desmedida ampliação

É o servo que adornações suscita.