Maurício Rodrigues Lucas- Atualização

 Ontem, 29, Maurício foi desintubado. Ainda sem se expressar corretamente.  Por resquício da sedação. 

Contudo, entendia tudo praticamente do que  eu falava. Por exemplo,  pedia para ele me "dar um sorrisão lindo" e ele sorria com entusiasmo.

E enquanto eu dizia que ele é o amor da minha vida, o amor de todo meu coração,  que  ele mora dentro do meu coração, que  ele éa minha vida! ... ele sussurrava com determinação que  me ama. Foi um longo diálogo assim. Cantei como sempre a musiquinha de ninar que  desde o nosso início canto pra ele. É como eu compreendia seus sussurros ele sorria alegre por isso.

Mas, infelizmente,  hoje pela manhã o médico decidiu intubá-lo novamente por conta da forte dificuldade para respirar de forma natural. 


Agora, aguardo a equipe médica principal fazer um novo diagnóstico. 



Escrevi ontem:




WATERLOO - William Contraponto

 



WATERLOO

William Contraponto 


Há dias em que o homem calcula o futuro,

como quem desenha a rota antes de andar;

faz dos próprios planos um mapa seguro,

sem perceber que o tempo pode mudar.


Constrói suas metas, organiza os passos,

confia que a vontade conduz o que virá;

mas a vida não conhece os seus traçados,

e nem sempre o caminho que se espera dará.


Há quem passe a existência acumulando vitórias,

confundindo o aplauso com alguma razão;

vence batalhas, coleciona histórias,

e chega ao fim sem conhecer a direção.


Então vem Waterloo, sem trombetas ou soldados,

sem bandeiras caindo diante de um rei;

apenas a realidade diante dos olhos cansados,

mostrando que o controle nunca foi uma lei.


Não é preciso perder tudo para compreender,

nem esperar que o mundo nos diga quem somos;

há derrotas que ensinam antes de acontecer,

quando percebemos o preço dos nossos sonhos.


Porque a maior batalha não está no exterior,

nem existe inimigo esperando em algum lugar;

é descobrir, entre o desejo e o temor,

o que vale a pena vencer e o que devemos deixar.


Waterloo não é o fim de uma trajetória,

é o instante em que a consciência vê:

não somos donos do tempo, nem da história,

mas somos responsáveis pelo modo de viver.


Série: Vestígios do Passado: A Hipocrisia

 





Acho de uma hipocrisia  essa gente que  baba ovo de quem abusou de criança.

Principalmente quando  essa gente tem filhos(as) em idade de infância. 

Será  que  são  iguais? Será que  agem da mesma forma?

Me pergunto.

E desde este tempo me solidarizo com essas crianças.  Pois, sei como é. Vivi. Sofri...  E desejo que tenham força pra superar de alguma forma.

E mesmo que eu não  esteja mais aqui materialmente quando a consciência aflorescer sobre aquilo que  viveram fica aqui a minha solidariedade. 

O Pensamento e o Tempo - William Contraponto

 



O Pensamento e o  Tempo 

William Contraponto 


A realidade muda com o passar dos dias,

nenhuma forma consegue sempre existir;

as lutas encontram novas geografias,

e o mundo nos obriga novamente a refletir.


O cenário se altera, outro começa a surgir,

o que ontem foi resposta pode hoje limitar;

há ideias que precisam aprender a evoluir,

sem perder seus princípios, mas sabendo se renovar.


Não há pensamento fora do seu próprio tempo,

nem verdade humana que dispense revisão;

quem transforma o passado em único fundamento

pode fazer da certeza uma prisão.


Pensar é seguir quando a história se reorganiza,

é rever a estrada sem negar o que se viu;

pois nenhuma consciência se conserva na mesma divisa,

quando o próprio mundo já se modificou.


Quanto Vale a Paz - William Contraponto



Quanto Vale a Paz

William Contraponto 


O lucro que se quer,

às vezes, traz dor demais;

será que vai valer

mais que sua paz?


Há quem transforme o viver

numa conta a calcular,

e só depois venha perceber

o que não pode recuperar.


Há escolhas que parecem

conduzir à liberdade,

mas pouco a pouco revelam

o preço da própria vontade.


Há uma conta sobre a mesa

que nenhuma cifra encerra;

de um lado, a própria riqueza,

do outro, o tempo que se enterra.


Quando o ganho vira norte,

todo limite perde a vez;

há quem chame isso de sorte

sem perceber o que desfez.


O tempo não faz negócio,

nem aceita negociação;

quando a vida vira um sócio,

quem decide sua direção?


Nenhum resultado alcançado

justifica abandonar o ser;

há vitória que deixa ao lado

aquilo que fazia viver.


O lucro que se quer,

às vezes, traz dor demais;

será que vai valer

mais que sua paz?