ANTES QUE EU NÃO TENHA VOZ - William Contraponto - William Gogolenko Risther

 Antes que eu não tenha voz preciso registrar fatos. O cerco contra a minha a pessoa devido o que sou e o que carrego esta claramente sendo fechado. Fechado por quem, afinal, podes você questionar. E eu vou te responder. Não apenas por quem, mas também o motivo - ou motivos. E é preciso fazer uma linha temporal do presente para o passado.

De ínicio tenho que dizer: não sou bandido. Apesar que alguns boçais considerem ser homossexual algo comparavel a ser bandido. O que claramente, evidentemente, esclarecidamente... não é. Nunca foi!

Estou num ano complicado. Pessoalmente para a minha pessoa, pois perdi o amor da minha vida 30 dias atrás. É um momento de extrema dor.  Perdi a pessoa com quem tive 15 anos de convívio, amor e companheirismo .

Parece que passados apenas 30 dias dessa perda irreparável para mim, ruídos exteriores que de forma pouco nobre se insurgem vindos de onde até pouco se mostravam solidários com o meu luto. Ou até mais do que isso. Porém,  parece haver uma brusca e repentina mudança. 

A motivação de hora não fica bastante  clara. Uma súbita mudança como descrita não encontra na lógica,  na razão explicações.  O que se supõe que tenha surgimento em motivações  movidas por reações de cunho estranho aos valores antes demonstrados. E isso provavelmente não tem base racional, e, sim, estravazamente de alguma natureza antes represada.

Há fatores com base nos idos tempos aos quais, por força das circunstâncias, via como pouco prováveis, mas que podem ser causa ainda mais profunda.


[Continua. Se eu ainda tiver voz}

26 de Outubro: Um mês de luto.

 



26 de Outubro: Um mês de luto por meu amor. 

Os últimos dias tem sido os mais difíceis. Até o O pânico tem se manifestado todas as noites. Me sinto um trapo velho. Sem ter a noção exata do tempo. Vivo perdido nos dias, nas horas... tem dias que penso um dia adiante, outro um dia atrás. O sentido virou todo lembranças. 

Não sei quanto tempo essas dores vão estar tão presentes e oferecendo esses enganos. 

Não sei como fugir desse teste. Nós éramos um. É a dor de perder 50% de mim.

Esse é o luto. Se não for para me compreender de forma humana, com sensibilidade, entendendo esse período, então... isso não tem como desenhar. É intenso demais para tanto.

Infelizmente descobri que expressar um amor pela data da sua passagem para a eternidade, para a memória gera raiva. Mesmo assim, expressarei sempre o meu amor em momentos como o presente.



Um Canto de Amor, Memória e Respeito - William Contraponto



UM CANTO DE AMOR, MEMÓRIA E RESPEITO


Como se pode ver na imagem, fiz um canto de homenagem ao Maurício, na casa onde vivíamos. Nele, estão presentes dois santos, um crucifixo e um terço.

Mas como explicar isso sendo eu ateu?

Acontece que, quando me desprendi das crenças espirituais e religiosas, Maurício seguiu outro caminho. Ele deixou as crenças espiritualistas, mas manteve viva sua identidade católica.

Por isso, esse espaço não representa uma mudança nas minhas convicções, mas o respeito àquilo em que ele acreditava. É uma homenagem à sua memória, à sua história e também à sua identidade.

Não precisamos compartilhar as mesmas crenças para respeitar aquilo que faz parte da vida de quem amamos. Eu não preciso acreditar para compreender o significado que esses símbolos tinham para ele. Até  pelo motivo que um dia acreditei e sei a força do significado disso para quem crê. 

Esse canto é, acima de tudo, uma expressão do meu amor pelo Maurício. É uma forma de preservar sua memória respeitando quem ele foi, inclusive naquilo em que nossas convicções eram diferentes.

Porque amar também é isso: respeitar a individualidade do outro, sem exigir que ele seja igual a nós. E, mesmo depois da sua partida, continuo respeitando aquilo que fez parte da sua vida.


William Contraponto


O Luto

 



O Luto

Eu nem sei quanto tempo durará. E nem sei se terá fim. 

Cada canto, cada ação, cada som que se faz... tudo carrega lembrança de momentos,  palavras, jeito de realizar algo, enfim... um oceano inesgotável de lembranças. E elas causam a saudade mais implacável. Aquela que rasga o peito de dor enquanto o soluço que acompanha o  choro ecoa pela casa vazia daquela presença física.

Por ora, busco fotos, as reproduzo em forma de arte como um jeitinho de homenagear o meu amor. Espalho pela casa recordações, pois não tem como ser diferente de qualquer forma.

A essência do Maumau ( Maurício Rodrigues Lucas) vive entre Bob,  Baby e eu. A essência daquilo que ele nos deixou: o amor por essa nossa vida pacata,  sincera e simples. Exatamente  como a alma dele.

Não sou mais o mesmo. Com ele partiu ao menos metade de mim. É irrecuperável essa metade. E eu não quero substituir por algo. No máximo só posso aprender a  viver amputado, pela metade.

Esse momento tem sido de lembranças,  saudade, dor e choro. E o único ponto de saída tem sido movimentar o pensamento em torno de maneiras de homenagear a sua passagem pelas nossas vidas. Seja num painel, numa missa, doações, orações ou poema. 




09.10 ANIVERSÁRIO DO MAUMAU

 Hoje, 09.10, Maurício Rodrigues Lucas,  o meu amor Maumau,  estariam completando seus 38 anos nessa existência material. 

Não poderia deixar de mencionar essa data aqui no espaço  que mostra a minha arte e vida.

Que a sua passagem por essa existência não seja jamais esquecida e permaneça como exemplo de simplicidade, carinho, dedicação e amor ao próximo.