WATERLOO
William Contraponto
Há dias em que o homem calcula o futuro,
como quem desenha a rota antes de andar;
faz dos próprios planos um mapa seguro,
sem perceber que o tempo pode mudar.
Constrói suas metas, organiza os passos,
confia que a vontade conduz o que virá;
mas a vida não conhece os seus traçados,
e nem sempre o caminho que se espera dará.
Há quem passe a existência acumulando vitórias,
confundindo o aplauso com alguma razão;
vence batalhas, coleciona histórias,
e chega ao fim sem conhecer a direção.
Então vem Waterloo, sem trombetas ou soldados,
sem bandeiras caindo diante de um rei;
apenas a realidade diante dos olhos cansados,
mostrando que o controle nunca foi uma lei.
Não é preciso perder tudo para compreender,
nem esperar que o mundo nos diga quem somos;
há derrotas que ensinam antes de acontecer,
quando percebemos o preço dos nossos sonhos.
Porque a maior batalha não está no exterior,
nem existe inimigo esperando em algum lugar;
é descobrir, entre o desejo e o temor,
o que vale a pena vencer e o que devemos deixar.
Waterloo não é o fim de uma trajetória,
é o instante em que a consciência vê:
não somos donos do tempo, nem da história,
mas somos responsáveis pelo modo de viver.



