O MURO DE ADRIANO
William Contraponto
Há palavras caminhando pela sala,
sem encontrar destino ao terminar;
cada resposta contorna o que se fala,
como quem teme enfim se revelar.
No espaço das vozes cresce uma parede,
construída devagar por precaução;
cada pergunta esbarra no que impede
que a fala alcance o centro da questão.
O diálogo prossegue, mas não avança,
repete os mesmos passos pelo chão;
há muito movimento, pouca mudança,
e toda frase retorna à mesma mão.
Roma também subiu seu grande limite,
para conter o que vinha de outro lugar;
há muros que nenhum exército derrube,
quando duas pessoas deixam de atravessar.





