Maurício R. R. Lucas

 Desde a passagem do meu amor sou comprometido em doar a minha força e vida para deixar viva a memória do meu Mauricío Rodrigues Lucas, meu amor, meu Maumau.

Seja através dos meus textos e poemas ou na ação  social direta. 

Desde o dia que marcou o seu desencarne dessa existência prometi que iria eternizar seu nome em conjunto com o meu.

William Contraponto se tornou Wiliam Contraponto Lucas ( antes William Gogolenko Risther).

E, mesmo como homenagem postuma, dou a ele meu sobrenome: Mauricio Rodrigues Risther Lucas. 

Quinze anos não são quinze meses. É uma vida.


Portanto, mesmo que por homenagem, eu anuncio meu amor como Mauricio Rodrigues Risther Lucas.

Amor é Amor. Ideologia Política é Ideologia Política

 

Amor é Amor. Ideologia Política é Ideologia Política.

A sociedade contemporânea parece atravessar uma dificuldade crescente em distinguir identidade política de convivência social. Em muitos espaços, as pessoas passaram a ser avaliadas, acolhidas ou rejeitadas não necessariamente por suas atitudes, seu caráter ou sua contribuição coletiva, mas pela posição ideológica que manifestam.

É uma confusão que merece reflexão.

A política é parte fundamental da organização social. Envolve projetos de sociedade, concepções econômicas, princípios, direitos, deveres e diferentes interpretações sobre os caminhos que uma comunidade deve seguir. É natural, portanto, que existam divergências. Aliás, uma sociedade democrática não apenas admite diferenças: depende delas para manter vivo o debate público.

Minha própria trajetória me colocou em contato com diferentes realidades sociais, políticas e humanas. Ao longo de aproximadamente duas décadas, estive envolvido com movimentos sociais, participação política, comunicação comunitária e iniciativas de organização coletiva. Vivi experiências que me permitiram compreender que a sociedade é muito mais complexa do que as divisões partidárias costumam sugerir.

Na comunicação, especialmente na experiência com o rádio comunitário, aprendi que o espaço público precisa comportar diferentes vozes. Na participação social, compreendi que as necessidades humanas não costumam perguntar a qual partido pertence aquele que precisa de ajuda, reconhecimento ou dignidade. E na militância, conheci tanto a importância da organização coletiva quanto os problemas que surgem quando divergências internas passam a ser tratadas como incompatibilidades humanas.

Também aprendi que estar do mesmo lado de uma determinada pauta não significa necessariamente compartilhar todas as ideias, estratégias ou interpretações de quem a defende. Existem diferenças dentro dos próprios movimentos sociais, assim como existem contradições entre pessoas que compartilham uma mesma identificação política.

Por isso, considero preocupante a transformação da identidade ideológica em uma espécie de documento de autorização para a convivência social.

Amor é amor. Ideologia política é ideologia política.

No campo social, essa distinção significa compreender que a solidariedade não precisa de partido, que a empatia não exige alinhamento ideológico e que o respeito à dignidade humana não deve depender de filiação partidária, preferência eleitoral ou concordância com determinada corrente de pensamento.

Isso não significa relativizar princípios ou ignorar a gravidade de determinadas posições. Não existe obrigação democrática de aceitar discursos que defendam a supressão de direitos, a discriminação ou a destruição das próprias condições que permitem a liberdade coletiva. Pluralismo não é ausência de princípios, assim como tolerância não significa aceitar a intolerância como regra.

Mas há uma diferença considerável entre combater ideias e transformar pessoas em inimigas por qualquer divergência. Uma coisa é estabelecer limites éticos e políticos; outra é reproduzir, dentro dos próprios espaços de convivência, os mecanismos de exclusão que tantas vezes criticamos na sociedade.

Ao longo da minha trajetória, defendi causas, sustentei posicionamentos e construí minhas próprias convicções. Não tenho necessidade de esconder minhas referências políticas para parecer mais aceitável. Tampouco considero que a coerência exija tratar todos aqueles que pensam diferentemente de mim como adversários em todas as circunstâncias.

O problema está em transformar a sociedade em uma sucessão de grupos fechados, nos quais cada indivíduo reconhece como legítimo apenas aquele que compartilha suas convicções. Essa lógica empobrece o debate, alimenta antagonismos e enfraquece a possibilidade de construção coletiva.

Uma comunidade não é um partido político. Uma cidade não é um comitê eleitoral. Uma sociedade não pode ser reduzida à soma de suas disputas ideológicas.

Precisamos recuperar a compreensão de que existem espaços comuns, interesses coletivos e necessidades humanas que ultrapassam as fronteiras partidárias. Saúde, educação, segurança, cultura, moradia, trabalho, dignidade e liberdade são questões que dizem respeito à sociedade inteira.

A democracia não exige que todos pensem da mesma maneira. Exige que reconheçamos a legitimidade da participação, do contraditório e da pluralidade, dentro dos limites dos direitos fundamentais.

Defender uma posição política é legítimo. Fazer dela uma medida absoluta para determinar o valor social de alguém é outra coisa.

Não escrevo isso por ausência de posicionamento. Escrevo justamente porque tenho posicionamentos. Acredito que convicções precisam ser defendidas, debatidas e submetidas à reflexão. Não precisam, entretanto, transformar cada espaço social em uma extensão das disputas partidárias.

Minha defesa é a da convivência democrática, da dignidade humana e da possibilidade de construirmos algo em comum, mesmo quando nossas interpretações sobre a sociedade não coincidem.

Uma sociedade verdadeiramente democrática não é aquela em que todos concordam, mas aquela em que as diferenças não impedem o reconhecimento dos direitos, da dignidade e da humanidade de cada pessoa.

Afinal, não precisamos de uniformidade para construir unidade. Precisamos de consciência para compreender onde termina a divergência política e onde começa a responsabilidade humana e social.

William Contraponto

26 de Outubro: Um mês de luto.

 



26 de Outubro: Um mês de luto por meu amor. 

Os últimos dias tem sido os mais difíceis. Até o O pânico tem se manifestado todas as noites. Me sinto um trapo velho. Sem ter a noção exata do tempo. Vivo perdido nos dias, nas horas... tem dias que penso um dia adiante, outro um dia atrás. O sentido virou todo lembranças. 

Não sei quanto tempo essas dores vão estar tão presentes e oferecendo esses enganos. 

Não sei como fugir desse teste. Nós éramos um. É a dor de perder 50% de mim.

Esse é o luto. Se não for para me compreender de forma humana, com sensibilidade, entendendo esse período, então... isso não tem como desenhar. É intenso demais para tanto.

Infelizmente descobri que expressar um amor pela data da sua passagem para a eternidade, para a memória gera raiva. Mesmo assim, expressarei sempre o meu amor em momentos como o presente.



Um Canto de Amor, Memória e Respeito - William Contraponto



UM CANTO DE AMOR, MEMÓRIA E RESPEITO


Como se pode ver na imagem, fiz um canto de homenagem ao Maurício, na casa onde vivíamos. Nele, estão presentes dois santos, um crucifixo e um terço.

Mas como explicar isso sendo eu ateu?

Acontece que, quando me desprendi das crenças espirituais e religiosas, Maurício seguiu outro caminho. Ele deixou as crenças espiritualistas, mas manteve viva sua identidade católica.

Por isso, esse espaço não representa uma mudança nas minhas convicções, mas o respeito àquilo em que ele acreditava. É uma homenagem à sua memória, à sua história e também à sua identidade.

Não precisamos compartilhar as mesmas crenças para respeitar aquilo que faz parte da vida de quem amamos. Eu não preciso acreditar para compreender o significado que esses símbolos tinham para ele. Até  pelo motivo que um dia acreditei e sei a força do significado disso para quem crê. 

Esse canto é, acima de tudo, uma expressão do meu amor pelo Maurício. É uma forma de preservar sua memória respeitando quem ele foi, inclusive naquilo em que nossas convicções eram diferentes.

Porque amar também é isso: respeitar a individualidade do outro, sem exigir que ele seja igual a nós. E, mesmo depois da sua partida, continuo respeitando aquilo que fez parte da sua vida.


William Contraponto


O Luto

 



O Luto

Eu nem sei quanto tempo durará. E nem sei se terá fim. 

Cada canto, cada ação, cada som que se faz... tudo carrega lembrança de momentos,  palavras, jeito de realizar algo, enfim... um oceano inesgotável de lembranças. E elas causam a saudade mais implacável. Aquela que rasga o peito de dor enquanto o soluço que acompanha o  choro ecoa pela casa vazia daquela presença física.

Por ora, busco fotos, as reproduzo em forma de arte como um jeitinho de homenagear o meu amor. Espalho pela casa recordações, pois não tem como ser diferente de qualquer forma.

A essência do Maumau ( Maurício Rodrigues Lucas) vive entre Bob,  Baby e eu. A essência daquilo que ele nos deixou: o amor por essa nossa vida pacata,  sincera e simples. Exatamente  como a alma dele.

Não sou mais o mesmo. Com ele partiu ao menos metade de mim. É irrecuperável essa metade. E eu não quero substituir por algo. No máximo só posso aprender a  viver amputado, pela metade.

Esse momento tem sido de lembranças,  saudade, dor e choro. E o único ponto de saída tem sido movimentar o pensamento em torno de maneiras de homenagear a sua passagem pelas nossas vidas. Seja num painel, numa missa, doações, orações ou poema.