Um Canto de Amor, Memória e Respeito - William Contraponto



UM CANTO DE AMOR, MEMÓRIA E RESPEITO


Como se pode ver na imagem, fiz um canto de homenagem ao Maurício, na casa onde vivíamos. Nele, estão presentes dois santos, um crucifixo e um terço.

Mas como explicar isso sendo eu ateu?

Acontece que, quando me desprendi das crenças espirituais e religiosas, Maurício seguiu outro caminho. Ele deixou as crenças espiritualistas, mas manteve viva sua identidade católica.

Por isso, esse espaço não representa uma mudança nas minhas convicções, mas o respeito àquilo em que ele acreditava. É uma homenagem à sua memória, à sua história e também à sua identidade.

Não precisamos compartilhar as mesmas crenças para respeitar aquilo que faz parte da vida de quem amamos. Eu não preciso acreditar para compreender o significado que esses símbolos tinham para ele. Até  pelo motivo que um dia acreditei e sei a força do significado disso para quem crê. 

Esse canto é, acima de tudo, uma expressão do meu amor pelo Maurício. É uma forma de preservar sua memória respeitando quem ele foi, inclusive naquilo em que nossas convicções eram diferentes.

Porque amar também é isso: respeitar a individualidade do outro, sem exigir que ele seja igual a nós. E, mesmo depois da sua partida, continuo respeitando aquilo que fez parte da sua vida.


William Contraponto


O Luto

 



O Luto

Eu nem sei quanto tempo durará. E nem sei se terá fim. 

Cada canto, cada ação, cada som que se faz... tudo carrega lembrança de momentos,  palavras, jeito de realizar algo, enfim... um oceano inesgotável de lembranças. E elas causam a saudade mais implacável. Aquela que rasga o peito de dor enquanto o soluço que acompanha o  choro ecoa pela casa vazia daquela presença física.

Por ora, busco fotos, as reproduzo em forma de arte como um jeitinho de homenagear o meu amor. Espalho pela casa recordações, pois não tem como ser diferente de qualquer forma.

A essência do Maumau ( Maurício Rodrigues Lucas) vive entre Bob,  Baby e eu. A essência daquilo que ele nos deixou: o amor por essa nossa vida pacata,  sincera e simples. Exatamente  como a alma dele.

Não sou mais o mesmo. Com ele partiu ao menos metade de mim. É irrecuperável essa metade. E eu não quero substituir por algo. No máximo só posso aprender a  viver amputado, pela metade.

Esse momento tem sido de lembranças,  saudade, dor e choro. E o único ponto de saída tem sido movimentar o pensamento em torno de maneiras de homenagear a sua passagem pelas nossas vidas. Seja num painel, numa missa, doações, orações ou poema. 




09.10 ANIVERSÁRIO DO MAUMAU

 Hoje, 09.10, Maurício Rodrigues Lucas,  o meu amor Maumau,  estariam completando seus 38 anos nessa existência material. 

Não poderia deixar de mencionar essa data aqui no espaço  que mostra a minha arte e vida.

Que a sua passagem por essa existência não seja jamais esquecida e permaneça como exemplo de simplicidade, carinho, dedicação e amor ao próximo. 




16 de Dezembro de 2012


 



 16 de dezembro de 2012

Era domingo. Tarde de 16 de dezembro de 2012.

Maurício desceu três paradas depois. Fui ao seu encontro o mais rápido que pude.

Naquele tempo, eu morava de aluguel numa casinha pequena, de duas peças e um banheiro. Durante três meses, escondi dele o meu sobrenome. Ele acreditava que eu era apenas empregado da loja onde eu trabalhava. A loja, na verdade, pertencia aos meus pais. Mas isso não significava, para mim, autoridade ou vantagem alguma. Naquela altura, eu mesmo preferia ser visto somente como empregado. Não queria que qualquer condição familiar ou patrimonial interferisse na maneira como ele me enxergava.

E então apareceu Maurício.

Não demorou para que ele deixasse de ser simplesmente Maurício. Já no primeiro dia, inventei para ele o apelido que nasceu espontaneamente do afeto: Maumau.
(o que ao longo dos tempos acabou se ampliando  para outros. Inúmeros).

Logo percebi também que Maurício gostava de ser ninado. E, diante daquela descoberta, inventei uma cantiga para ele:

Eu sou o Maumau,
que veio trazer a luz das estrelas
para iluminar...

Naqueles primeiros meses, fomos nos conhecendo aos poucos. Eu havia escondido meu sobrenome. Ele também guardava partes de si. Havia coisas que ainda não sabíamos um do outro, histórias que ainda não tinham sido contadas, detalhes que o tempo haveria de revelar.

Depois de três meses, fui me revelando. E ele, também, foi se revelando para mim.

E então aconteceu algo que, olhando para trás, considero uma das coisas mais importantes de toda a nossa história: o sentimento nascido naquele primeiro dia não se alterou em nada.

As revelações não diminuíram o encanto.

Não mudaram aquilo que havíamos sentido.

Não fizeram desaparecer o Maumau que eu havia encontrado naquele domingo, nem o homem que, pouco a pouco, eu conheceria muito além da primeira impressão.

Ao contrário.

Quanto mais um conhecia o outro, mais aquele primeiro sentimento encontrava motivos para continuar existindo.

O que começou naquele 16 de dezembro não precisava ser inventado novamente.

Já estava lá.





As Interpretações do Maumau

 Maumau, Maurício Rodrigues Lucas,  meu amor, meu lindo, minha vida, e seus vídeos para o TikTok. 

Essa é a  parte um.

Aqui alguns: 











No Facebook fiz do perfil de Maurício um memorial de suas fotos,  vídeos,  etc. 


Aos poucos vou postando lá também.