Maurício Rodrigues Lucas
Maurício Rodrigues Lucas, o Maumau, está na UTI do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Todos seus amigos e parentes podem visitá-lo nos seguintes horários:
Maurício Rodrigues Lucas
Maurício Rodrigues Lucas, o Maumau, está na UTI do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Todos seus amigos e parentes podem visitá-lo nos seguintes horários:
AZOV
William Contraponto
Pequeno mar de águas rasas,
guardando o peso de outra extensão.
Suas margens carregam tantas marcas
que o tempo já perdeu a dimensão.
Terras se encontram nas suas águas,
navegantes cruzam seu horizonte.
Cada corrente carrega antigas mágoas,
cada margem conhece sua própria fonte.
O mundo desenha suas barcas,
e a história insiste em prosseguir.
Cada margem guarda suas marcas,
cada corrente conhece o partir.
Não mede a grandeza pelo espaço,
nem pela distância até o cais.
Há mundos inteiros em pouco traço,
e conflitos maiores que seus sinais.
Quando as águas mudam de rumo,
nenhuma margem segue igual.
O que parecia pequeno no mundo
revela a força de um temporal.
A MESMA ESTRADA
William Contraponto
Há uma fronteira desenhada no chão,
mas ninguém nasceu dentro dela,
há mil maneiras de chamar de nação,
e uma só humanidade sob a estrela.
Cada povo carrega sua própria memória,
seu jeito de cair e recomeçar,
não existe um caminho escrito na história,
nem uma única forma de caminhar.
Vamos deixar as portas abertas,
deixar o futuro entrar,
se somos vozes tão diferentes,
há uma canção para compartilhar.
Nenhum de nós possui o amanhã,
nenhum de nós pode o controlar,
somos partes de uma mesma estrada,
aprendendo juntos a caminhar.
Há quem construa muros por medo,
há quem transforme a fé em poder,
mas nenhuma bandeira guarda um segredo
que impeça outro povo de escolher.
Que a liberdade não seja privilégio,
que a justiça encontre seu lugar,
que toda criança receba um começo
antes que alguém lhe ensine a odiar.
Vamos deixar as portas abertas,
deixar o futuro entrar,
se somos vozes tão diferentes,
há uma canção para compartilhar.
Nenhum de nós possui o amanhã,
nenhum de nós pode o controlar,
somos partes de uma mesma estrada,
aprendendo juntos a caminhar.
Não precisamos pensar igualmente
para descobrir o que podemos ser,
basta reconhecer no outro, frente a frente,
o mesmo direito de existir e escolher.
E quando a última fronteira desaparecer,
não haverá vitória de um sobre alguém,
haverá somente o que pudermos fazer
para que a liberdade alcance também.
Se cada país é uma experiência,
se cada povo tem algo a ensinar,
talvez a maior revolução da existência
seja aprender sem deixar de questionar.
O MURO DE ADRIANO
William Contraponto
Há palavras caminhando pela sala,
sem encontrar destino ao terminar;
cada resposta contorna o que se fala,
como quem teme enfim se revelar.
No espaço das vozes cresce uma parede,
construída devagar por precaução;
cada pergunta esbarra no que impede
que a fala alcance o centro da questão.
O diálogo prossegue, mas não avança,
repete os mesmos passos pelo chão;
há muito movimento, pouca mudança,
e toda frase retorna à mesma mão.
Roma também subiu seu grande limite,
para conter o que vinha de outro lugar;
há muros que nenhum exército derrube,
quando duas pessoas deixam de atravessar.
Já passei por acidente de automóvel quando criança. Estive em coma. Guardo seguelas físicas notáveis até os dias atuais. Porém, o meu maior trauma é outro e cujas seguelas vão muito além da questão física.
Existem dores que o tempo não apaga. E o esquecimento é impossível. Acredito que todas as pessoas que passam por esta situação carregam as marcas do ocorrido na alma por toda a vida.
Já mencionei em algum outro momento o fato. Sem dar detalhes, pois é extremamente dolorido escrever sobre tais e sobre a responsabilidade do acontecido. Mas, em nome de elucidar e prevenir para que ninguém mais sofra o mesmo pelas mesmas mãos.
Para tanto, usarei o presente espaço. Destoando da criação artística aqui apresentada para poder dar voz a acontecimentos que até aqui ficaram restritos e os quais buscarei colocar luz sobre com a intenção exposta no parágrafo anterior. Utilizarei o método de uma série de publicações para expor o ocorrido. Faço isso, pois, como disse, relatar tudo de uma única só vez é sofrido e desgastante emocionalmente.
Como disse, o trauma não é tal o acidente. Trata-se do que podemos chamar de grande maldade em relação a uma criança.