Maumau - William Contraponto

 



Maumau 

William Contraponto (William Gogolenko Risther)


Te conheci no avesso da estrada,

quando o mundo esquecia de nós.

Havia silêncio em cada palavra,

mas teu abraço fazia voz.


Não prometemos céu nem destino,

nem juramentos diante do altar.

Só dividimos o peso dos dias,

sem perguntar onde ia dar.


Maumau,

se o tempo nos feriu, também nos fez.

Nos corredores da tempestade

aprendemos outra forma de viver.


Maumau...

amor não é o nome que se dá.

É quem permanece quando tudo

parece querer desmoronar.


Hoje te vejo travando batalhas

que nem sempre consigo alcançar.

Queria roubar um pouco da dor,

mas só consigo contigo ficar.


Porque às vezes amar é tão simples:

sentar em silêncio, estender a mão.

Ser companhia quando a esperança

esquece o caminho do coração.


E nossos filhos de patas

fazem da casa um pequeno universo.


Bob, o catiolo, corre feliz

como se toda tristeza pudesse perder a corrida.


Baby, a catiola,

deita entre nós sem escolher um lado,

como quem sabe

que amor não precisa tomar partido.


Eles nos lembram, todos os dias,

que carinho é uma linguagem

que nunca precisou de tradução.


Maumau...

se houver manhã, caminharemos nela.

Se houver noite, acenderemos riso

no olhar de Bob e de Baby.


E quando a vida nos pedir coragem,

que ela nos encontre assim:


com as mãos marcadas pelo tempo,

com o coração ainda inteiro,

e com esse amor teimoso,

que insiste em florescer

mesmo onde quase ninguém acredita.