Não Me Apresente o Caos
William Contraponto
Não me apresente o caos,
Que eu faço dele um mingau,
Esse que se come devagar
Até o fim chegar.
Cada colher tem seu gosto,
Mesmo quando é dissabor;
Quem mastiga a própria noite
Perde o medo da dor.
Não me embriagam promessas,
Nem o brilho do altar;
Prefiro o peso da dúvida
Ao conforto de acreditar.
Se o destino é tempestade,
Faço do vento um varal;
Penduro nele os meus medos
Até secarem no vendaval.
Quando o caos perde a força
Por não me ver recuar,
Descobre que seu império
Nunca soube me dobrar.