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NAO ME APRESENTE O CAOS - WILLIAM CONTRAPONTO




Não Me Apresente o Caos
William Contraponto 

Não me apresente o caos,
Que eu faço dele um mingau,
Esse que se come devagar
Até o fim chegar.

Cada colher tem seu gosto,
Mesmo quando é dissabor;
Quem mastiga a própria noite
Perde o medo da dor.

Não me embriagam promessas,
Nem o brilho do altar;
Prefiro o peso da dúvida
Ao conforto de acreditar.

Se o destino é tempestade,
Faço do vento um varal;
Penduro nele os meus medos
Até secarem no vendaval.

Quando o caos perde a força
Por não me ver recuar,
Descobre que seu império
Nunca soube me dobrar.


A Consciência à Venda - William Contraponto

 



A Consciência à Venda

William Contraponto


O homem mede o mundo pela posse,

chama avanço ao ato de tomar;

tem ciência, mas veste-a de prece,

quando o lucro começa a mandar.


Entre o saber e o querer imediato,

a escolha recai sempre no ter;

o planeta sustém seu contato,

mas é ferido por quem diz viver.


Há cálculo onde deveria haver cuidado,

há razão servindo à exploração;

o amanhã é custo adiado,

quando o agora exige expansão.


Não falta ao homem cognição,

falta freio à própria ambição;

devasta o chão que lhe dá condição,

e chama de progresso a destruição.



Para Não Dizer quem Não Falo de Ontem - William Contraponto



Para Não Dizer quem Não Falo de Ontem

William Contraponto


O ontem pesa, mas não governa 

Carrega marcas que não desfaço 

A memória insiste, mas não ordena 

Nem dita o rumo do meu passo 


Não peço perdão ao que já fui 

Nem faço do erro uma prisão 

O que passou em mim persiste e flui 

Sem me exigir reparação 


O ontem ensina pelo atrito 

Nunca pelo conforto fácil 

Seu verbo é seco, quase aflito 

Sem promessa, sem prefácio 


Não moro onde o tempo fechou 

A casa ali virou sinal 

Reconheço o chão que me formou 

Sem torná-lo final 


Falo do ontem com lucidez 

Sem culto, medo ou redenção 

Ele explica quem eu fui uma vez 

Mas não dá a direção

Uma Casa no Agora - William Contraponto



Uma Casa no Agora

William Contraponto 


Não tem alicerce fora do instante 

Nem planta fixa no que já passou 

Sustenta-se no risco do presente 

Onde o chão treme, mas se firmou 


Aqui o tempo não pede garantia 

Nem vende promessas para depois 

O dia chega simples, sem profecia 

E parte inteiro, como se mostrou 


Não se decora a casa com futuro 

Nem se pendura o ontem na parede 

O abrigo surge do olhar maduro 

Que aceita o limite e não excede 


Morar no agora não traz descanso 

Exige vigília, exige decisão 

Cada segundo é escolha em avanço 

Sem manual, sem absolvição 


E ainda assim chamamos de morada 

Esse teto breve, em mutação 

Pois só no agora a vida é habitada 

Sem apelo, sem fundação 






O Enigma do Primeiro Passo - William Contraponto



O Enigma do Primeiro Passo 

William Contraponto 


O caminho desperta no primeiro passo, 

abrindo o mundo sem se anunciar. 

Do ato nasce um tênue traço, 

que à própria essência decide chamar. 


Nenhuma voz secreta indica direção; 

o ritmo surge ao se escutar. 

Entre o peso do tempo e a indecisão, 

a senda encontra modo de avançar. 


Sem verbo fixo ou guia certeiro, 

a trilha aprende a se configurar. 

Há sempre vida no início ligeiro, 

sutil convite para continuar. 


Quando o silêncio cresce por inteiro, 

um fundo sentido tenta despontar. 

No intervalo se refaz o roteiro, 

mínima música a respirar. 


E se algo fica, é o inicial traço, 

o breve lume a resistir. 

Sutil lembrança de que há espaço 

para o instante enfim surgir. 





Entre o Sóbrio e o Ébrio - William Contraponto

 



Entre o Sóbrio e o Ébrio 

William Contraponto 


Entre o sóbrio e o ébrio

haverá uma conexão;

entre certeza e mistério

haverá revelação.


O que a consciência vigia,

a dúvida põe em tensão:

somos o elo que falha

na busca por direção.


A fronteira não é ameaça,

é estado, é condição;

quem a encara de frente

aprende a nomear o não.


Entre o sóbrio e o ébrio

haverá uma conexão;

entre certeza e mistério

haverá revelação.


Nenhum mapa nos garante,

nem promessa em previsão;

o sentido não é dado,

germina na interrogação.


Entre o delírio e a lógica

segue a mesma pulsação:

a lucidez é ferida,

e viver é insurreição.


Entre o sóbrio e o ébrio

haverá uma conexão;

entre certeza e mistério

haverá compreensão.







Na Esteira das Horas - William Contraponto

 



Na Esteira das Horas

William Contraponto


Corremos sem perceber,

no giro que nunca demora;

a vida tenta nos deter,

mas seguimos na esteira das horas.


O tempo caminha sem sapatos,

não pede licença ao chão que pisa;

passa leve como quem destrói,

e pesa fundo como quem avisa.


As horas nos puxam pelo fio

que tecemos sem perceber;

às vezes guia, às vezes trilho,

às vezes só nos faz correr.


Corremos sem perceber,

no giro que nunca demora;

a vida tenta nos deter,

mas seguimos na esteira das horas.


O relógio é cúmplice e carrasco,

marca destinos e omissões;

mas cada ponte entre dois instantes

se constrói com decisões.


Há quem tente frear o passo

com calendários e ilusões;

mas o futuro não negocia,

ele empurra as estações.


Corremos sem perceber,

no giro que nunca demora;

a vida tenta nos deter,

mas seguimos na esteira das horas.


E quando o dia já se cansa

de colecionar nossas demoras,

entendemos que somos feitos

de breves e frágeis agoras.


Corremos sem perceber,

até que a verdade aflora:

não escolhemos começar,

mas escolhemos como o tempo nos devora.





Máquina do Infinito – William Contraponto

 



Máquina do Infinito

William Contraponto 


O céu repete antigos labirintos, 

com lógica de um sonho recorrente, 

estrelas são os cálculos extintos 

de uma mente que pensa eternamente. 


Os átomos se alinham no compasso 

do tempo que não sabe pra onde vai, 

há dúvida moldando cada traço, 

e o caos revela a ordem que se esvai. 


Um pensamento pulsa entre os planetas, 

em código que nunca se decifra, 

e o vácuo grita verdades secretas 

que a razão recusa, mas registra. 


O universo é só um pensamento, 

máquina viva sem operador, 

reflete em mim seu movimento, 

sou engrenagem do seu motor. 


As galáxias giram como ideias, 

que buscam forma e nome sem cessar, 

mas toda luz produz suas aldeias 

de sombra que ninguém pode evitar. 


Se o mundo é mente, somos devaneio

 de um cérebro em combustão, 

e a vida, esse constante entremeio 

entre a matéria e a percepção. 


O universo é só um pensamento, 

máquina viva sem operador, 

reflete em mim seu movimento, 

sou engrenagem do seu motor. 



#williamcontraponto #poeta #poesia #maquinadoinfinito




O Nada é a Raiz de Tudo - William Contraponto

 



O Nada é a Raiz de Tudo

William Contraponto


Do nada ergue-se o sopro mudo,

Que anuncia o ser em seu ensaio,

Na penumbra fria germina o estudo,

Do caos que molda o próprio raio.


Nenhum sentido nasce inteiro,

É do vazio que o verbo emana,

O nada é ventre verdadeiro,

Que dá à forma a dor humana.


A vida insiste em se inventar,

Mesmo onde o tempo se desfaz,

Há um sopro que tenta se afirmar,

Na ruína que o ser nos traz.


Do limite brota o pensamento,

Raiz que toca o incerto chão,

É no silêncio do tormento,

Que o tudo nasce da contradição.


E ao fim, quando o verbo se cala,

O nada reina, lúcido e mudo,

Pois toda existência se embala,

Na origem simples de um tudo.



CONGRESSO MARGINAL - WILLIAM CONTRAPONTO




 Congresso Marginal

 William Contraponto


As vozes se vendem por moedas gastas,

na mesa dourada que não vê a rua.

Assinam folhas e rasgam promessas,

e o povo assiste, calado, à sua.


Na tribuna, os discursos vazios,

palavras vestidas de falsa razão.

Por trás das cortinas, negócios sombrios,

a pátria leiloada em cada votação.


Congresso marginal, teatro do poder,

onde o voto é moeda e a mentira é lei.

Congresso marginal, palco de perder,

quem acredita sangra outra vez.


Erguem bandeiras que já não tremulam,

são panos de farsa, costura de pó.

E cada silêncio que as ruas acumulem

vira alimento pra quem manda só.


Os olhos do povo carregam cansaço,

mas ainda resistem no peito a lutar.

Pois toda mentira tem fim e tem prazo,

nenhuma muralha é feita pra durar.


Congresso marginal, teatro do poder,

onde o voto é moeda e a mentira é lei.

Congresso marginal, palco de perder,

quem acredita sangra outra vez.

O Preâmbulo do Sinuoso Amanhã - William Contraponto




O Preâmbulo do Sinuoso Amanhã

William Contraponto


No espelho o indivíduo se pergunta,

mas não é só de si que diz o reflexo 

O tempo o cerca, exige resposta,

entre o que cala e o que desponta.


O amanhã não é linha reta,

carrega desvios, curvas abertas.

Uns vendem certezas já apodrecidas,

outros recolhem verdades dispersas.


A democracia ainda respira,

mas sufocada por mãos de ferro.

O ouro dita leis silenciosas,

o povo tropeça em promessas de desterro.


Entre gritos de ordem e velhos estandartes,

ergue-se o espectro da mentira.

Ela se disfarça em nome de pátria,

mas guarda o preço da ferida.


E o ser, perdido entre lutas alheias,

pergunta se sua voz resiste.

Pois cada passo nesse sinuoso amanhã

decide se a esperança ainda existe.



O Ofício da Mente - William Contraponto




 O Ofício da Mente

William Contraponto


Não busca ouro, que é vaidade,

nem se alimenta de vãs coroas.

A mente livre é claridade,

semeia dúvidas silenciosas.


Não veste o brilho da ilusão,

nem pede glória passageira.

Age no fundo da reflexão,

ergue o pensar em sua esteira.


Saber não é prêmio ou troféu,

mas lâmina que rompe o véu.

É ponte erguida sobre o nada,

faísca que resiste calada.


O ofício da mente é semear,

não acumular, não dominar.

É fogo que insiste em arder,

é chama que força a crescer.




O ESPINHO QUE SUSTENTA O LUXO - WILLIAM CONTRAPONTO




O Espinho que Sustenta o Luxo

William Contraponto 


O lixo na cidade se acumula,

O luxo segue o mesmo caminho. 

A bandeira de poucos trêmula,

Enquanto a maioria pisa espinho. 


O grito da fome é contido,

abafado por telas brilhantes.

Um povo cansado e esquecido,

som perdido em ruas distantes.


As praças se tornam vitrines,

com passos de pressa e descaso.

Erguem-se muros e confins,

derruba-se o humano no atraso.


O poder se veste de ouro,

mas seus pés tropeçam na lama.

Promete futuro sonoro,

entrega cinza e mais trama.


Enquanto se erguem palácios,

ergue-se também a miséria.

Nos becos, os corpos cansados

carregam a dor que não cessa.


E o tempo que passa impassível

não limpa a ferida exposta.

A cidade, em ciclo terrível,

repete a mesma resposta.

Status Sem Conteúdo - William Contraponto



Status Sem Conteúdo

William Contraponto


O dinheiro é tudo o que ele tem,

fala alto, mas pensa raso.

Confunde respeito com amém,

vive exibindo o próprio atraso.


Não lê, não ouve, não pergunta,

mas quer parecer importante.

A ignorância nunca o assusta,

desde que o carro seja brilhante.


Fala muito pra esconder o nada,

o vazio mora em seu discurso.

A alma trancada, alma calada,

compra amigos no cartão de uso.


Segue a vida como vitrine,

vendendo o que não é verdade.

Sua existência é palpite fino,

mas fede à superficialidade.


Foge de tudo que é profundo,

pois teme o peso de pensar.

No palco raso deste mundo,

prefere pagar do que mudar.


#poema #williamcontraponto #statussemconteudo


SINAL DOS SATURNINOS - WILLIAM CONTRAPONTO

 



Sinal dos Saturninos

William Contraponto


Os olhares saturninos acoam

Transmitindo uma sinalização,

Feita de sombra e de idioma

Que escapa à compreensão.


São faróis de uma ausência contida,

São espelhos do não-lugar,

Onde a verdade adormecida

Insiste em não se calar.


A verdade não brada no vento,

Nem desce em clarão triunfal,

Ela dança num tempo lento,

Em silêncio essencial.


Não gritam, não se exaltam,

Mas vibram no contrassom 

Enquanto os olhos se faltam,

A alma escuta o tom.


E no passo que se atrasa,

Algo novo se faz ver:

Não é o saber que embasa,

Mas o ato de aprender.


A verdade não brada no vento,

Nem desce em clarão triunfal,

Ela dança num tempo lento,

Em silêncio essencial.

TRAMAS DO LIMITE - WILLIAM CONTRAPONTO

 



Tramas do Limite

William Contraponto


Há tramas que nos cercam, sim —

umas protegem, outras ferem.

Como a cerca do jardim,

que guarda... ou impede que esperem.


Vivemos contando as grades,

no molde exato que se herda.

Chamamos lar às metades,

e medo ao passo que enverga.


Será abrigo ou cela fria?

Depende do que se sente.

É prisão ou poesia?

Depende do olhar da gente.


Fios ocultos nos conduzem,

costuras dentro da mente.

Uns com amor nos infundem,

outros controlam silente.


Na alma, regras costuradas,

laços do tempo e do chão.

Algumas são bem tramadas,

outras viram restrição.


Será abrigo ou cela fria?

Depende do que se sente.

É prisão ou poesia?

Depende do olhar da gente.




NA FRONTEIRA DE NÓS DOIS - WILLIAM CONTRAPONTO




Na Fronteira de Nós Dois

William Contraponto


Na esquina estreita do mundo,

onde o olhar pesa mais que a pedra,

nós dois existimos à revelia,

de um céu que nunca nos celebra.


Gritam nomes, constroem muros,

com dogmas, cruzes, fardos e leis,

mas vivemos, mesmo sem permissão,

num agora que ninguém desfez.


Disseram que amar era errado,

que Deus não cabe no nosso abraço...

Mas se o inferno é o outro,

não sou eu quem lança o laço.


Vivemos, apesar do medo,

no absurdo que a fé construiu,

somos escolha em meio ao silêncio,

somos desejo que nunca fugiu.

E mesmo que tudo negue o que somos,

seguimos, porque amar é ser.

Na fronteira de nós dois,

há um mundo que não quiseram ver.


Carregamos angústias herdadas,

verdades partidas em becos calados,

mas cada toque teu me ancora

no sentido que não vem dos fados.


Saltamos sem chão sob os dias,

com a fé de quem teme e insiste,

e encontramos abrigo nos gestos

que provam que o amor persiste.


Disseram que a alma tem forma,

e que a nossa é ausência e engano...

Mas não há essência que nos prenda

quando o afeto é soberano.


Vivemos, apesar do medo,

no absurdo que a fé construiu,

somos escolha em meio ao silêncio,

somos desejo que nunca fugiu.

E mesmo que tudo negue o que somos,

seguimos, porque amar é ser.

Na fronteira de nós dois,

há um mundo que não quiseram ver.


Não há condenação mais cruel

que viver sob o olhar alheio.

Mas o amor é nossa resposta

ao vazio feito de receio.


Vivemos, apesar do medo,

no absurdo que a fé construiu,

somos coragem em carne e beijo,

somos liberdade que resistiu.

E mesmo que tudo negue o que somos,

seguimos, porque amar é ser.

Na fronteira de nós dois,

há um mundo inteiro por renascer.








VERSÃO OFICIAL- WILLIAM CONTRAPONTO

 



Versão Oficial

William Contraponto


Escreve o rei com tinta de guerra,  

na pele alheia, sua versão.  

Quem tombou antes, já não encerra  

nenhum direito à narração.  


Ergue-se o herói sobre os escombros,  

de quem lutava por abrigo.  

Os nomes somem nesses escombros,  

só resta o canto do inimigo.  


A glória é escrita a ferro e fogo,  

com pena feita de poder.  

Apaga-se o que não foi jogo,  

o que sangrou sem merecer.  


Mas sob a página encadernada,  

há vozes presas no papel.  

A história é sempre maquiada  

pra parecer toque do céu.


EU PAGUEI O PREÇO - WILLIAM CONTRAPONTO



Eu Paguei o Preço

William Contraponto


Falei o que outros calaram,  

vivi o que muitos fugiram.  

Enfrentei pedra, riso e murmurinho,  

só pra andar com o que eu respiro.  


Teve quem riu da minha cara,  

teve quem virou o olhar.  

Hoje me dizem que era medo —  

mas medo não me faz respeitar.  


Eu paguei o preço pra ser quem sou,

apanhei do mundo sem me curvar.

Quem se escondeu por escolha ou por conforto,

não vem pedir meu lugar.


Teve noite que não teve sono,  

muita lágrima sem plateia.  

Enquanto alguns se moldavam no escuro,  

eu me acendia na ideia.  


Agora vêm com discurso gasto,  

dizendo que o tempo passou...  

Mas coragem não nasce de desculpa,  

nem brota onde nunca germinou.  


Eu paguei o preço pra ser quem sou,

enfrentei sem ter onde encostar.

Quem se trancou no medo e no costume,

não tem direito de me julgar.

TENSÕES INSOLÚVEIS - WILLIAM CONTRAPONTO

 



Tensões Insolúveis

William Contraponto


Desejo o teu olhar que me desvenda,  

Mas temo ser espelho e não mistério.  

Na tua liberdade que me ofenda,  

Procuro um porto e encontro um hemisfério.  


Queria que me amasses por vontade,  

Sem leis, sem jaulas, sem promessa vã.  

Mas clamo por constância e lealdade  

Enquanto a tua alma quer manhã.  


Se tento te prender, tu me resistes,  

Se solto, a angústia em mim se faz furor.  

O amor nos une em pactos tão tristes,  

Travando em carne o grito do temor.  


Não há fusão — há campos de batalha,  

Dois mundos que se cruzam e recuam.  

No gesto mais gentil, a força falha,  

Dois corpos que se amam, mas se anulem.  


E sigo te amando em contradição,  

Pedindo que tu sejas o que és.  

Amar é ver no outro a negação  

E mesmo assim ficar de pés a pés.