16 de Dezembro de 2012
As Interpretações do Maumau
Maumau, Maurício Rodrigues Lucas, meu amor, meu lindo, minha vida, e seus vídeos para o TikTok.
Essa é a parte um.
Aqui alguns:
No Facebook fiz do perfil de Maurício um memorial de suas fotos, vídeos, etc.
Aos poucos vou postando lá.
Maurício Era Feito de Simplicidade
Maurício Era Feito de Simplicidade.
Um Relato de Quem Amou e Viveu 15 Anos com Maurício Rodrigues Lucas.
Não gostava de luxos extremos, nem se encantava com aquilo que tantas vezes serve apenas para impressionar os outros. A ostentação lhe era estranha. Não precisava de muito para estar bem, nem precisava mostrar o que tinha para provar quem era.
Havia nele uma humildade silenciosa. Era calado, sensível, atento às coisas que muitas pessoas deixam passar. Sentia profundamente, embora nem sempre transformasse em palavras aquilo que sentia.
E gostava, sobretudo, de ser útil.
Havia uma espécie de satisfação em poder ajudar, resolver alguma coisa, facilitar a vida de alguém, fazer-se presente quando necessário. Essa era uma das formas mais próprias que encontrou para demonstrar carinho: estar disponível, contribuir, servir.
Maurício, o meu Maumau, não parecia querer muito da vida em termos de luxo. Queria aquilo que lhe fazia sentido. E, justamente por isso, sua simplicidade nunca foi pobreza de espírito. Era uma maneira de existir.
Ele tinha pouco interesse em parecer importante. Seu valor estava justamente em não precisar parecer.
Aos Fatos...Em nome do Maumau!
Aos Fatos... Em nome do Maumau!
Aos Fatos vou dando o contorno do que resultou em anos de luta para Maurício e eu conseguirmos viver o nosso relacionamento. Foram 15 anos de lutas. Lutas contra a imbecilidade, o preconceito e principalmente a uma espécie de dor de cotovelo dos meus abusadores por eu ter encontrado alguém que os enfrentasse para ficar comigo mesmo diante de ameaças. E sabendo do que eu havia vivido. E sobrevivido!
Nunca que falei diretamente da minha própria existência ou da existência do meu amor, Maumau, recorri ao meu lado literário. Nunca escolhi palavras ou um método para tanto. Falo de mim e do meu meu amor sem escolher palavras além da emoção e da verdade que estão inclusas num texto desses.
Meu Maumau era o equilíbrio. Por ele não entrava em combates. Para o proteger de ataques. Infelizmente não esta aqui E TEM GENTE QUE VAI MENTIR QUE ELE DISSE ISSO OU AQUILO ENQUANTO ESTAVA NO LEITO DO HOSPITAL! Gente que foi justamente algoz da nossa relação. E que tanto tentou nos destruir.
Ao contrário do possam imaginar não vou baixar a cabeça. Em nome dele, e em nome do que vivemos, vou expor a verdade por trás dessa cortina que até o momento foi imposta para que pudéssemos continuar vivendo.
Perdi o filtro. O filtro era proteger a vida do Maumau. Perdi Maumau. Agora, não resta filtro, mas a força. Força em dobro. Por mim. Pelo nome dele. Pela nossa honra.
A nossa existência como casal sempre foi marcada pela resistência. E pela luta contra as injustiças que nos eram impostas por quem não nos queria juntos. E felizes.
Essa resistência despertou ódio e maledicência infundadas. Como para quem acreditava por conveniência pessoal nessa criminosa visão e de quem vendia essa ideia para conquistar uns trocados vendendo mentira para satisfazer gente imbecil e ressentida com medo da minha paixão viesse a tocar luz sobre o passado que eu vivera.
Acho que não preciso nem citar nomes. É explícito sobre quem falo. Basta não estar iludido pela mentira que eles construíram contra nós, para se blindagem e afastar de nós pessoas que para eles a opinião é importante.
Felizmente nem todo mundo foi afastado de nós. E puderam ter contato com a nossa realidade e história.
Diante disso tudo peço atenção: se eu não amanhecer, assim como meu amor, que haja investigação sobre o narcisismo e sociopatia de quem me ronda.
Mesmo que estejam babando pelo canto da boca para que eu não resista a perda do meu amor tudo esta sendo dito para que não reste duvidas sobre essas questões já aqui nesse texto. E se isso realmente acontecer que o presente escrito seja o principal meio de pesquisa do possivel fato.
Caso não resista que esse texto seja um farol.
E que meus restos físicos sejam colocados junto do meu anjinho, o Maumau Estrelinha.
...
Curiosidade:
Dias antes da primeira internação, Maumau ouviu uma serie de músicas do gosto dele pela última vez em casa. Mas terminou ouvindo pela primeira vez algumas musicas que eu gosto e nao eram do repertório dele.
São lembranças...
...
Esse é o encerramento das minhas atividades nesse blog. Mas tudo aqui escrito ficara disponível nesse mesmo endereço para sempre! Para posteriores pesquisas.
Maurício Rodrigues Lucas 09/10/1988 – 26/09/2026
Maurício Rodrigues Lucas 09/10/1988 – 26/09/2026.
O Meu Maumau Partiu Para as Estrelas.
Não sei como será a vida. Se houver. Sem cinquenta porcento de mim é imprevisto qualquer futuro.
Maurício e eu éramos como uma entidade praticamente única. Atrelados nossas existências de forma previamente impensada.
Mas desde o dia que o conheci tive a certeza de estar diante de uma pessoa encantada. Encantada na sua sutileza, originalidade e de uma alma virtuosamente sincera na sua mais evidente característica: a sua original postura de simplicidade.
Não falo de simplicidade pelo aspecto material, mas comportamental e realista. Não fingiu ser o que não era e tinha ao seu redor a aura luminosa de quem não inventa um personagem apenas para ser aceito pelo outro conforme creia que o outro preferisse.
Nao tem como ser breve se abordasse cada pedacinho da ternura que dominava a essência do Mauricio e o que essa ternura significa pessoalmente para a minha vida.
Até no campo dos percalços do relacionamento eu digo que foi plenamente satisfatória a nossa experiência. De modo que é impossível viver outra vez isso. O nosso relacionamento me completou como ser. E estando completo não necessito de outras experiências conjugais nessa caminhada.
O Maumau me completou. Imensamente.
Para finalizar só quero deixar a minha gratidão por esses quinze anos de parceria e companheirismo através da música de ninar que fiz e cantava quase toda noite mexendo nos seus cabelos:
Eu sou o Maumau
Que veio trazer
A luz das estrelas
Para iluminar...
R.I.P MEU AMOR
...
William:
Watts: 51 995435132
O Lala e o Maumau - William Gogolenko Risther e Maurício Rodrigues Lucas
O Lala e o Maumau
Eu, William Gogolenko Risther, sempre fui aquele que coloca o pé no acelerador diante daquilo em que acredita. Tenho a intensidade de quem não suporta assistir calado às injustiças, às contradições e às hipocrisias.
Maumau, MaurícioRodriguesLucas, porém, sempre me fez pensar melhor. Seu jeito de me conter, de me fazer reconsiderar atitudes e palavras, impediu que muitas situações fossem enfrentadas com o radicalismo que, por vezes, eu desejava expressar.
Muita gente não conheceu a dimensão desse meu radicalismo porque Maurício esteve ao meu lado. Ele foi o freio de algumas atitudes minhas, e isso não representava fraqueza. Era, muitas vezes, a razão necessária para que eu não transformasse a indignação em algo de que pudesse me arrepender.
Ele me ajudou a compreender que nem toda verdade precisa ser lançada de qualquer maneira, que nem toda exposição produz justiça e que pensar melhor também é uma forma de lutar.
Mas existe um temor que me atravessa: se um dia Maurício me faltar, quem será esse freio? Quem me fará respirar antes de agir, reconsiderar antes de falar e enxergar além da minha própria indignação?
Meu freio é Maumau. A razão da minha vida. E, quando penso na possibilidade de sua ausência, não temo apenas a saudade. Temo também a falta daquela presença que, tantas vezes, me ajudou a ser uma versão mais consciente de mim mesmo.
A Moral dos que Podem - William Contraponto
A MORAL DOS QUE PODEM
William Contraponto
No Brasil, existe uma parcela da direita, especialmente de sua vertente mais extremada, que construiu uma curiosa relação com a moral. Defende princípios em voz alta, mas frequentemente os abandona quando eles começam a contrariar seus próprios interesses. Condena determinados comportamentos quando praticados pelos outros e, ao mesmo tempo, encontra justificativas para praticá-los quando são seus aliados, seus representantes ou seus próprios interesses que estão em jogo. Não se trata apenas de incoerência ocasional. É uma maneira de enxergar o mundo.
Nessa lógica, a lei não deveria valer da mesma forma para todos. Ela serve para controlar aqueles que não possuem influência, dinheiro ou poder. Para os demais, sempre aparece uma justificativa, uma brecha, uma narrativa conveniente ou alguém disposto a transformar o errado em aceitável. O que seria escândalo nas mãos de um pobre pode receber outro nome quando envolve alguém poderoso. O que seria corrupção pode virar negócio. O que seria privilégio pode ser apresentado como mérito. E aquilo que seria crime para uns passa a ser tratado como simples excesso para outros.
É justamente aí que a hipocrisia deixa de ser apenas uma característica individual e passa a revelar uma visão de sociedade. Uma sociedade na qual direitos, deveres e consequências não seriam universais, mas proporcionais à posição que cada pessoa ocupa. Quem tem dinheiro pode comprar bons advogados, influência, tempo e silêncio. Quem tem poder pode transformar sua versão dos fatos em verdade conveniente. Quem não tem nada disso recebe a dureza completa das instituições. A mesma regra, aplicada a pessoas diferentes, produz resultados diferentes quando o poder interfere no caminho.
O mais curioso é que essa gente costuma se apresentar como guardiã dos bons costumes. Fala em família, honestidade, ordem, tradição, responsabilidade e respeito à lei. Mas princípios que só existem enquanto beneficiam quem os proclama não são princípios. São instrumentos. A moral passa a ser utilizada como arma contra o adversário e como proteção para o aliado. Não importa tanto o que foi feito, mas quem fez. Não importa tanto a transgressão, mas a posição social de quem transgrediu.
Por isso, a crítica não deveria se limitar àquilo que essas pessoas dizem. É preciso observar aquilo que fazem quando acreditam que ninguém está olhando. Porque existe uma diferença enorme entre defender uma regra e defendê-la apenas quando ela serve aos próprios interesses. Existe uma diferença entre acreditar na justiça e acreditar que a justiça deve alcançar somente os outros. E existe uma diferença ainda maior entre ter princípios e utilizar princípios como fantasia para esconder conveniências.
No fundo, essa é a essência da picaretagem política: vender virtude enquanto se pratica o contrário, exigir dos outros aquilo que não se exige de si mesmo e transformar dinheiro e poder em uma espécie de salvo-conduto moral. Uma sociedade verdadeiramente democrática não pode aceitar que existam cidadãos acima da regra e cidadãos abaixo dela. A lei não pode ter preço, a moral não pode ter proprietário e a responsabilidade não pode depender do tamanho da conta bancária. Se pode fazer quem tem poder, então não estamos diante da liberdade. Estamos diante do privilégio.
A Mamaçonaria: a fraternidade oculta da hipocrisia conservadora - William Contraponto
A Mamaçonaria: a fraternidade oculta da hipocrisia conservadora
William Contraponto
Há uma contradição particularmente curiosa em determinados setores da extrema direita que se apresentam como defensores da tradição, da família e dos valores religiosos, ao mesmo tempo em que demonstram uma obsessão desproporcional com a existência pública dos homossexuais e das pessoas LGBT.
A questão que se coloca é incômoda: o que exatamente alguns desses conservadores pretendem conservar?
Pode-se imaginar, como hipótese crítica, a existência de indivíduos que, sendo homossexuais, não assumem publicamente sua sexualidade e encontram no conservadorismo uma forma de proteção. Ao combaterem a manifestação aberta do amor entre pessoas do mesmo sexo, estariam também ajudando a preservar o ambiente social no qual a própria homossexualidade precisa permanecer escondida.
Nesse cenário hipotético, a clandestinidade deixa de ser apenas uma condição individual e transforma-se em uma espécie de mecanismo coletivo. Uns saberiam dos outros. Uns protegeriam os outros. E todos manteriam, diante da sociedade, a imagem de homens tradicionais, religiosos, moralmente rigorosos e supostamente incompatíveis com aquilo que secretamente viveriam.
O paradoxo seria profundo: quanto mais hostil a sociedade pública se torna à homossexualidade, maior pode ser o valor do segredo para aqueles que possuem poder suficiente para sobreviver dentro dele.
O homossexual assumido, entretanto, rompe essa lógica.
Ele não precisa esconder o amor, não precisa construir uma identidade paralela, não precisa negociar sua existência através da cumplicidade de outros homens igualmente ocultos. Ele aparece à luz do dia. Ama à luz do dia. Vive à luz do dia. E justamente por isso pode representar uma ameaça simbólica à estrutura baseada na ocultação.
A existência de gays que vivem abertamente demonstra que não é necessário preservar uma sociedade na qual a homossexualidade precise ser clandestina.
É nesse ponto que surge a minha provocação: mamaçonaria.
O termo nasce da fusão deliberadamente irônica entre “mamar” e “maçonaria”. Não se trata aqui de uma acusação factual contra pessoas determinadas, mas de uma imagem satírica para representar uma suposta fraternidade clandestina de homens que, publicamente, sustentariam uma moral conservadora enquanto, privadamente, compartilhariam segredos, desejos, favores e mecanismos de proteção.
Uma sociedade oculta dentro da sociedade.
Uma fraternidade na qual o segredo seria uma moeda de poder.
Um saberia quem é o outro, e justamente por saber poderia protegê-lo. Ou até exigir dele alguma coisa. A manutenção da aparência tradicional deixaria de ser apenas uma questão moral e passaria a funcionar como uma espécie de pacto de sobrevivência política e social.
O mais perverso dessa hipótese seria que o homossexual assumido não faria parte desse pacto.
Ele seria justamente aquele que rompe o código.
Porque não aceita a clandestinidade como condição de existência. Não aceita que o amor precise ser negociado com o medo. Não aceita que a sexualidade seja utilizada como instrumento de controle, chantagem, proteção ou privilégio.
Assim, a crítica não está dirigida ao homossexual que é conservador, nem à orientação sexual de qualquer indivíduo. Um homem gay pode ser conservador, religioso ou de direita. Isso, por si só, não contém contradição alguma.
A contradição aparece quando a defesa pública da repressão àquilo que alguém vive secretamente passa a servir como instrumento de poder.
Entao, fica uma pergunta:
Quando alguém luta para manter outros homossexuais escondidos, está defendendo a tradição ou está defendendo o próprio esconderijo?
A “mamaçonaria” é menos uma sociedade concreta do que uma metáfora para uma determinada forma de hipocrisia: homens que poderiam utilizar a própria clandestinidade como capital político, protegendo-se mutuamente enquanto combatem aqueles que decidiram viver sem esconder quem são.
Porque há algo que o poder oculto não suporta:
A liberdade de quem já não precisa esconder nada.
Ceuta ‐ William Contraponto
CEUTA
WILLIAM CONTRAPONTO
Existem cidades carregadas de perguntas,
mesmo quando o tempo já passou,
suas ruas carregam muitas lutas,
e cada geração algo acrescentou.
Ali diferentes vozes se encontram,
trazendo no nome memória e razão,
antigos conflitos lentamente se transformam
quando o diálogo supera a separação.
No azul que une as margens,
há uma força a despertar,
e aquilo que parecia distante
pode enfim se aproximar.
Ceuta vive como pensamento,
mais profunda que sua própria história,
um nome que vence calendários
sem depender de conquista ou glória.
Nesse lugar o mundo pode ser compreendido
como encontro de múltiplas realidades,
e o passado, quando é revisitado,
revela outras possibilidades.
No azul que une as margens,
há uma força a despertar,
e aquilo que parecia distante
pode enfim se aproximar.
O que rompe o tempo
pode alcançar outra dimensão:
vidas distintas compartilhando o momento,
e a humanidade encontrando nova compreensão.
WATERLOO - William Contraponto
WATERLOO
William Contraponto
Há dias em que o homem calcula o futuro,
como quem desenha a rota antes de andar;
faz dos próprios planos um mapa seguro,
sem perceber que o tempo pode mudar.
Constrói suas metas, organiza os passos,
confia que a vontade conduz o que virá;
mas a vida não conhece os seus traçados,
e nem sempre o caminho que se espera dará.
Há quem passe a existência acumulando vitórias,
confundindo o aplauso com alguma razão;
vence batalhas, coleciona histórias,
e chega ao fim sem conhecer a direção.
Então vem Waterloo, sem trombetas ou soldados,
sem bandeiras caindo diante de um rei;
apenas a realidade diante dos olhos cansados,
mostrando que o controle nunca foi uma lei.
Não é preciso perder tudo para compreender,
nem esperar que o mundo nos diga quem somos;
há derrotas que ensinam antes de acontecer,
quando percebemos o preço dos nossos sonhos.
Porque a maior batalha não está no exterior,
nem existe inimigo esperando em algum lugar;
é descobrir, entre o desejo e o temor,
o que vale a pena vencer e o que devemos deixar.
Waterloo não é o fim de uma trajetória,
é o instante em que a consciência vê:
não somos donos do tempo, nem da história,
mas somos responsáveis pelo modo de viver.
O Pensamento e o Tempo - William Contraponto
O Pensamento e o Tempo
William Contraponto
A realidade muda com o passar dos dias,
nenhuma forma consegue sempre existir;
as lutas encontram novas geografias,
e o mundo nos obriga novamente a refletir.
O cenário se altera, outro começa a surgir,
o que ontem foi resposta pode hoje limitar;
há ideias que precisam aprender a evoluir,
sem perder seus princípios, mas sabendo se renovar.
Não há pensamento fora do seu próprio tempo,
nem verdade humana que dispense revisão;
quem transforma o passado em único fundamento
pode fazer da certeza uma prisão.
Pensar é seguir quando a história se reorganiza,
é rever a estrada sem negar o que se viu;
pois nenhuma consciência se conserva na mesma divisa,
quando o próprio mundo já se modificou.
Quanto Vale a Paz - William Contraponto
Quanto Vale a Paz
William Contraponto
O lucro que se quer,
às vezes, traz dor demais;
será que vai valer
mais que sua paz?
Há quem transforme o viver
numa conta a calcular,
e só depois venha perceber
o que não pode recuperar.
Há escolhas que parecem
conduzir à liberdade,
mas pouco a pouco revelam
o preço da própria vontade.
Há uma conta sobre a mesa
que nenhuma cifra encerra;
de um lado, a própria riqueza,
do outro, o tempo que se enterra.
Quando o ganho vira norte,
todo limite perde a vez;
há quem chame isso de sorte
sem perceber o que desfez.
O tempo não faz negócio,
nem aceita negociação;
quando a vida vira um sócio,
quem decide sua direção?
Nenhum resultado alcançado
justifica abandonar o ser;
há vitória que deixa ao lado
aquilo que fazia viver.
O lucro que se quer,
às vezes, traz dor demais;
será que vai valer
mais que sua paz?
A Alienação com a Era Digital: Uma Estratégia Econômica e Política ‐ William Contraponto
A Alienação com a Era Digital: Uma Estratégia Econômica e Política
A tecnologia chegou prometendo liberdade, aproximação e acesso ao conhecimento. E, de fato, ampliou possibilidades que antes pareciam impossíveis. Mas, junto com essa expansão, surgiu uma nova disputa: a disputa pela atenção humana. Na economia digital, nosso tempo tornou-se valioso, nossos hábitos tornaram-se dados e nossas preferências passaram a alimentar sistemas capazes de prever aquilo que desejamos antes mesmo de percebermos que desejamos.
A alienação, portanto, já não depende apenas do isolamento. Ela pode nascer do excesso de conexão. Recebemos informações continuamente, acompanhamos acontecimentos em tempo real e participamos de inúmeras discussões, mas isso não significa necessariamente compreender melhor o mundo. A velocidade favorece a reação, enquanto a reflexão exige tempo. Quanto mais rapidamente uma informação é substituída por outra, menor é a possibilidade de examiná-la com cuidado.
Existe também uma dimensão econômica nessa dinâmica. Plataformas disputam nossa permanência, anunciantes disputam nossa atenção e empresas transformam comportamentos em valor. O usuário não é apenas consumidor: sua atenção é parte do produto. Quanto mais tempo permanecemos conectados, maior é a quantidade de dados produzidos e maiores são as oportunidades de consumo, influência e direcionamento.
A dimensão política surge quando essa lógica ultrapassa o mercado. Uma sociedade permanentemente estimulada pode tornar-se mais suscetível à indignação instantânea, à polarização e à manipulação emocional. Não é necessário controlar todas as opiniões quando se pode controlar a velocidade com que elas se sucedem. O excesso de informação pode produzir um paradoxo: sabemos cada vez mais acontecimentos, mas dedicamos cada vez menos tempo para compreender suas causas.
Isso não significa transformar a tecnologia em inimiga ou imaginar uma conspiração única por trás de toda plataforma digital. O problema é estrutural. Empresas buscam lucro, grupos políticos buscam influência e indivíduos buscam reconhecimento. Interesses diferentes podem, entretanto, convergir para o mesmo resultado: uma sociedade ocupada demais para questionar aquilo que determina sua própria realidade.
A resistência começa pela recuperação da autonomia. Não se trata de abandonar a tecnologia, mas de impedir que ela ocupe todo o espaço da consciência. Em uma época na qual a atenção se tornou mercadoria, pensar tornou-se também uma forma de liberdade. Talvez a maior resistência contemporânea seja simplesmente recuperar o direito de escolher onde colocamos nosso tempo, nossa atenção e nossa capacidade de pensar.
William Contraponto
williamcontraponto.com.br
Maurício - Atualização
Maurício - Atualização.
Maumau segue na CTI. Exames estão sendo realizados a fim de identificar a causa do quadro apresentado. Enquanto isso, Maumau segue sedado e intubado. E recebendo a medicação necessária no momento.
A equipe médica e de enfermagem são profissionais sensíveis e dedicados. Assim que os médicos identificarem a causa o tratamento passa a ser mais efetivo.
Assim a equipe responsável deseja.
Reforçando os horários de visitano Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA):
NÃO É REVOLTA - William Contraponto (William Gogolenko Risther)
NÃO É REVOLTA
William Contraponto (William Gogolenko Risther)
Não é revolta. É consciência.
Eu fui médium espírita. Fui pai de santo de Umbanda, cacique. Não me revoltei com essas religiões por nada pessoal. Nem com elas, nem com as demais. Foi a consciência que se desprendeu das crenças religiosas.
Na minha experiência pessoal compreendi apenas que aquilo era algo condicionado. Devido a crenças familiares que me moldaram e nelas adentrei...
Mas a vida e suas situações não se resumem às explicações toscas e pouco avançadas que as religiões oferecem. É natural que quem não queira pensar além, ou se beneficie de explicações transcendentais para questões humanas, queira manter essa visão limitada pelos dogmas. Até para manter vítimas caladas achando que certas práticas são naturais ou, se expostas, a punição vem do além.
Há religiosos cruéis com os seus e benevolentes com os demais. Usam a religiosidade como uma espécie de verniz. Ou disfarce. E isso para que ninguém questione suas ações no campo das relações reais.
Se eu me desprendi dessa lógica nefasta, à qual fui condicionado para não revelar as crueldades que vivi, foi porque as convicções que construí a partir da reflexão me levaram a questionar aquilo que antes eu apenas aceitava.
Não houve apenas coragem nesse processo. Houve dor.
Porque romper com uma estrutura que nos ensinou a calar também significa encarar aquilo que foi escondido, justificado ou transformado em obrigação.
Para me livrar da dor, foi preciso coragem.
A coragem de romper as correntes.
Ternopil - William Contraponto
TERNOPIL
William Contraponto
Um sino divide a manhã ao meio,
e ninguém pergunta o que ele anuncia;
há nomes adormecidos no passeio,
sob a rotina exata de cada dia.
Um homem passa diante de uma porta,
detém-se apenas pelo que não vê;
alguma coisa antiga ainda o importa,
sem que ele saiba exatamente o quê.
Nessas paredes o tempo perde a pressa,
mas deixa sua marca sem intenção;
uma cidade muda quando atravessa
a memória de outra geração.
Nem toda origem pede reconhecimento,
nem todo retorno precisa acontecer;
há coisas que sobrevivem ao momento
somente porque recusam desaparecer.
Ternopil segue o curso das horas,
indiferente ao que ficou para trás;
e há quem descubra, entre partidas e auroras,
que certas distâncias nunca são iguais.
Maurício Rodrigues Lucas
Maurício Rodrigues Lucas - Atualização
Maurício Rodrigues Lucas, o Maumau, está na UTI do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Todos seus amigos e parentes podem visitá-lo nos seguintes horários:
Azov - William Contraponto
AZOV
William Contraponto
Pequeno mar de águas rasas,
guardando o peso de outra extensão.
Suas margens carregam tantas marcas
que o tempo já perdeu a dimensão.
Terras se encontram nas suas águas,
navegantes cruzam seu horizonte.
Cada corrente carrega antigas mágoas,
cada margem conhece sua própria fonte.
O mundo desenha suas barcas,
e a história insiste em prosseguir.
Cada margem guarda suas marcas,
cada corrente conhece o partir.
Não mede a grandeza pelo espaço,
nem pela distância até o cais.
Há mundos inteiros em pouco traço,
e conflitos maiores que seus sinais.
Quando as águas mudam de rumo,
nenhuma margem segue igual.
O que parecia pequeno no mundo
revela a força de um temporal.
A MESMA ESTRADA - WILLIAM CONTRAPONTO
A MESMA ESTRADA
William Contraponto
Há uma fronteira desenhada no chão,
mas ninguém nasceu dentro dela,
há mil maneiras de chamar de nação,
e uma só humanidade sob a estrela.
Cada povo carrega sua própria memória,
seu jeito de cair e recomeçar,
não existe um caminho escrito na história,
nem uma única forma de caminhar.
Vamos deixar as portas abertas,
deixar o futuro entrar,
se somos vozes tão diferentes,
há uma canção para compartilhar.
Nenhum de nós possui o amanhã,
nenhum de nós pode o controlar,
somos partes de uma mesma estrada,
aprendendo juntos a caminhar.
Há quem construa muros por medo,
há quem transforme a fé em poder,
mas nenhuma bandeira guarda um segredo
que impeça outro povo de escolher.
Que a liberdade não seja privilégio,
que a justiça encontre seu lugar,
que toda criança receba um começo
antes que alguém lhe ensine a odiar.
Vamos deixar as portas abertas,
deixar o futuro entrar,
se somos vozes tão diferentes,
há uma canção para compartilhar.
Nenhum de nós possui o amanhã,
nenhum de nós pode o controlar,
somos partes de uma mesma estrada,
aprendendo juntos a caminhar.
Não precisamos pensar igualmente
para descobrir o que podemos ser,
basta reconhecer no outro, frente a frente,
o mesmo direito de existir e escolher.
E quando a última fronteira desaparecer,
não haverá vitória de um sobre alguém,
haverá somente o que pudermos fazer
para que a liberdade alcance também.
Se cada país é uma experiência,
se cada povo tem algo a ensinar,
talvez a maior revolução da existência
seja aprender sem deixar de questionar.
O Muro de Adriano - William Contraponto
O MURO DE ADRIANO
William Contraponto
Há palavras caminhando pela sala,
sem encontrar destino ao terminar;
cada resposta contorna o que se fala,
como quem teme enfim se revelar.
No espaço das vozes cresce uma parede,
construída devagar por precaução;
cada pergunta esbarra no que impede
que a fala alcance o centro da questão.
O diálogo prossegue, mas não avança,
repete os mesmos passos pelo chão;
há muito movimento, pouca mudança,
e toda frase retorna à mesma mão.
Roma também subiu seu grande limite,
para conter o que vinha de outro lugar;
há muros que nenhum exército derrube,
quando duas pessoas deixam de atravessar.
Vestígios do Passado - William Contraponto (William Gogolenko Risther)
Já passei por acidente de automóvel quando criança. Estive em coma. Guardo seguelas físicas notáveis até os dias atuais. Porém, o meu maior trauma é outro e cujas seguelas vão muito além da questão física.
Existem dores que o tempo não apaga. E o esquecimento é impossível. Acredito que todas as pessoas que passam por esta situação carregam as marcas do ocorrido na alma por toda a vida.
Já mencionei em algum outro momento o fato. Sem dar detalhes, pois é extremamente dolorido escrever sobre tais e sobre a responsabilidade do acontecido. Mas, em nome de elucidar e prevenir para que ninguém mais sofra o mesmo pelas mesmas mãos.
Para tanto, usarei o presente espaço. Destoando da criação artística aqui apresentada para poder dar voz a acontecimentos que até aqui ficaram restritos e os quais buscarei colocar luz sobre com a intenção exposta no parágrafo anterior. Utilizarei o método de uma série de publicações para expor o ocorrido. Faço isso, pois, como disse, relatar tudo de uma única só vez é sofrido e desgastante emocionalmente.
Como disse, o trauma não é tal o acidente. Trata-se do que podemos chamar de grande maldade em relação a uma criança.
A Maré - William Contraponto
A MARÉ
William Contraponto
A maré desenha o caminho,
depois o cobre sem avisar;
a pedra permanece no destino,
enquanto a água insiste em mudar.
Há momentos em que tudo se alcança,
noutros, o solo deixa de aparecer;
o tempo também muda a distância
sem perguntar o que deve acontecer.
No alto, permanece a construção,
vendo as águas tomarem o lugar;
não há promessa de permanência,
nem certeza de quando retornar.
A paisagem aprende outra forma,
quando a água decide avançar;
o que parecia ser norma
também pode se transformar.
E quando a maré novamente recua,
surge o caminho que estava oculto;
a realidade não segue apenas nua
diante do movimento absoluto.
Parágrafo 175 - William Contraponto
PARÁGRAFO 175
Dois homens dividiam a mesma espera,
duas vidas guardadas pela discrição,
enquanto uma norma fria e severa
tentava transformar afeto em infração.
Havia um quarto, uma janela, uma cidade,
e um mundo que não lhes permitia escolher,
mas entre os dois permanecia a vontade
de continuar próximos, apesar do poder.
Um número passou a nomear suas vidas,
um papel decidiu aquilo que deveriam ser,
e um triângulo rosa sobre suas roupas
passou a dizer aquilo que não podiam esconder.
Não havia culpa naquele sentimento,
nem havia ameaça naquilo que os unia,
mas o poder transformou um simples vínculo
em motivo para lhes negar a própria alegria.
Depois vieram os portões e a distância,
um lugar onde o medo aprendeu a mandar,
e o tempo perdeu sua importância
diante de um destino impossível de mudar.
Ficaram para trás os dias partilhados,
as conversas, os livros, a antiga afeição,
e dois nomes, quase apagados,
permaneceram guardados pela recordação.
Hoje resta apenas aquela sentença,
fria como um número perdido no papel,
e um triângulo rosa na memória
como testemunho de um tempo cruel.
Porque nenhuma lei possui o direito
de determinar aquilo que alguém pode sentir,
e nenhum poder consegue por decreto
decidir quem merece amar ou existir.
Dois Reis - William Contraponto
DOIS REIS
William Contraponto
Duas coroas sobre a mesma mesa,
dois olhares recusando o papel,
e na distância imposta pelo dever,
um sentimento aprendendo a ser fiel.
Um trazia a força da espada,
Filipe guardava um reino no olhar,
mas havia entre os dois, na madrugada,
uma vontade que não sabia se calar.
Não era o poder que os fazia inteiros,
nem a glória que os fazia permanecer,
eram dois homens, antes de serem guerreiros,
descobrindo outro modo de viver.
O mundo lhes pedia força e aparência,
mas o coração desconhecia tal dever;
há sentimentos que vencem a prudência
quando encontram alguém capaz de compreender.
E quando o tempo fechou suas cortinas,
restou aquilo que ninguém pôde apagar:
dois reis, duas vidas, duas rotas distintas,
e um afeto que a memória traz a testemunhar.
Biblioteca de Celso - William Contraponto
Biblioteca de Celso
William Contraponto
Entre colunas, a tarde descia,
e dois desconhecidos buscavam saber,
cada qual carregava sua própria teoria,
sem imaginar o que estava para acontecer.
Discutiam ideias, o tempo e a memória,
autores antigos, perguntas sem fim,
um defendia o peso de uma velha história,
o outro encontrava novos caminhos em si.
As palavras cresceram, perderam fronteiras,
e a conversa deixou de ser apenas razão,
duas inteligências, antes estrangeiras,
descobriram afinidade na mesma direção.
Não houve promessa, nem gesto ensaiado,
somente a vontade de continuar ali,
como se o mundo tivesse, por algum momento,
diminuído o espaço entre mim e ti.
A tarde caiu sobre as antigas colunas,
e ninguém percebeu quando o dia terminou,
as perguntas ficaram entre as ruínas,
enquanto alguma coisa entre os dois começou.
Partiram depois, cada qual por seu caminho,
levando livros, ideias e uma nova questão:
há encontros que não precisam de destino
para transformar discretamente uma existência.
E entre páginas que sobreviveram,
fica aquilo que nenhum livro explicou:
duas pessoas chegaram procurando respostas
e encontraram uma na presença da outra.
Alexandria - William Contraponto
Alexandria
William Contraponto
Havia uma cidade voltada para o mar,
onde duas vidas cruzaram sem aviso,
e uma delas aprendeu, ao caminhar,
que certos encontros mudam o juízo.
As ruas guardavam línguas diferentes,
janelas abertas para outro lugar,
e nós éramos dois desconhecidos presentes
num mundo que decidiu nos aproximar.
Não fizemos promessas para o futuro,
nem procuramos respostas para o fim,
deixamos o instante seguir seu curso,
como a maré que encontra outro jardim.
O amor não pede permanência,
nem precisa de um nome para existir,
basta uma breve coincidência
para uma vida inteira se modificar.
Quando a manhã devolveu cada estrada,
ficou no horizonte alguma coisa a brilhar:
não era certeza, nem despedida marcada,
era a vontade de um dia retornar.
Os MUNDOS ESQUECIDOS - WILLIAM CONTRAPONTO
Os Mundos Esquecidos
William Contraponto
Talvez já fomos mais do que lembrança,
E o tempo ocultou nossa passagem;
Restou da antiga e vasta confiança
Somente o mito, herança da viagem.
Se o fogo um dia consumiu cidades,
E o mar levou palácios para o chão,
Restou só a poeira dessas verdades
Acumuladas na discreta tradição.
Quem sabe um templo fosse uma oficina,
Ou um saber tornado devoção;
A história, quando o esquecimento inclina,
Reveste a perda com imaginação.
Não digo que essa hipótese é verdade,
Nem quero tratá-la como religião;
A dúvida preserva a liberdade
De investigar sem qualquer imposição.
Talvez também sejamos só passagem,
Um breve instante à beira da erosão;
O orgulho não resiste à ventania,
Nem vence para sempre a destruição.
Se um novo amanhecer surgir depois,
De outro enredo feito de poeira,
Que reste a velha pergunta entre nós:
Quantos mundos perdeu a humanidade inteira?
Se NÃO EU, QUEM? - WILLIAM CONTRAPONTO
SE NÃO EU, QUEM?
Dizem que sou intelectualmente incapaz. Curioso. Se é assim, por que dedicam tanto tempo ao que escrevo? Por que tentam desqualificar o autor em vez de enfrentar as ideias?
Se eu não sou capaz de responder intelectualmente pelo que expresso, quem será?
Nao escondo minhas palavras atrás de gurus, partidos, religiões ou títulos acadêmicos. Tudo o que publico passa pelo meu próprio julgamento. Posso estar certo ou errado, mas cada texto é fruto da minha reflexão. E, quando erro, a responsabilidade é exclusivamente minha.
Não peço que concordem comigo. Peço apenas o mínimo de honestidade intelectual: respondam aos argumentos, não às caricaturas que criam sobre mim.
Há quem ache mais fácil chamar alguém de incapaz do que explicar por que discorda. É um atalho antigo. O insulto exige pouco; o debate exige estudo, paciência e coragem.
Continuarei escrevendo. Continuarei revendo minhas convicções quando houver razões para isso. Continuarei aceitando críticas fundamentadas, porque elas fazem parte do pensamento livre. Mas não aceitarei que tentem reduzir uma vida inteira de leitura, reflexão e escrita a um rótulo conveniente.
No fim das contas, não são os adjetivos que me definem. São as ideias que sou capaz de sustentar, revisar e desenvolver. E, enquanto eu puder responder por aquilo que escrevo, não precisarei que ninguém pense por mim.
Quando Minha Voz Não Puder Mais Falar - WILLIAM CONTRAPONTO (WILLIAM GOGOLENKO RISTHER)
Quando Minha Voz Não Puder Mais Falar
William Contraponto (William Gogolenko Risther)
Ao longo da minha vida, procurei construir minhas convicções por meio da reflexão, da dúvida e do conhecimento. Não encontrei nas crenças religiosas o fundamento para compreender a existência ou orientar minhas escolhas. Foi só pensando por conta própria que defini meus valores, minhas críticas e minha forma de estar no mundo. Por isso, considero importante deixar registrada uma vontade que expressa aquilo em que acredito.
Se um dia o pensar me fugir na névoa dos dias e minha consciência já não puder responder por mim, peço que ninguém busque explicações ou tratamentos baseados em crenças religiosas. Não desejo que rezas, rituais ou interpretações espirituais ocupem o lugar das decisões que tomei enquanto estava plenamente consciente. Quero que minha trajetória intelectual e filosófica seja respeitada até o fim, da mesma maneira que respeito aqueles que escolhem viver guiados pela fé.
Peço que me amparem com a ciência, com o conhecimento e com o cuidado humano. Confio no trabalho dos profissionais da saúde, na ética, na pesquisa e no compromisso de aliviar o sofrimento por meio das melhores evidências disponíveis. Também espero que o afeto daqueles que estiverem ao meu lado seja suficiente para oferecer conforto, sem a necessidade de recorrer a crenças que deixaram de fazer parte da minha maneira de compreender a realidade. E deixaram por completo. De forma ética e pela compreensão de que inexistente forças espirituais.
Não escrevo estas palavras por rejeição às pessoas religiosas, mas por fidelidade àquilo que sou. Sempre defendi que cada indivíduo deve ser livre para acreditar ou para não acreditar. Da mesma forma que nunca desejei impor minhas convicções a ninguém, peço que as convicções de outras pessoas não sejam impostas a mim quando eu já não puder expressar minha própria vontade.
Se minha consciência vacilar e minha voz se calar, que permaneça viva a decisão que tomei enquanto ainda podia pensar com clareza. Que minha dignidade seja preservada, que minha autonomia seja respeitada e que minha história não seja reescrita pela ausência da minha lucidez. Se algo deve permanecer de mim, que seja o compromisso que sempre assumi com a liberdade de pensamento e com o direito de viver — e de ser cuidado — em coerência com aquilo que escolhi acreditar.
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William Contraponto
O Deus que Cabe no Patriarcado - William Contraponto
O Deus que Cabe no Patriarcado
William Contraponto
Há quem levante a Bíblia com uma mão e, com a outra, sustente as velhas estruturas de dominação. Chamam isso de fé. Eu chamo de conveniência.
Se Deus é amor, por que tantos transformaram esse amor em instrumento de controle? Se a compaixão fosse realmente o centro de suas crenças, não haveria tanto entusiasmo em decidir quem pode amar, quem pode falar, quem deve obedecer e quem merece ser silenciado.
Curioso é perceber que muitos dos que afirmam viver para o céu fazem de tudo para preservar os privilégios da terra. Não defendem apenas uma religião. Defendem uma hierarquia. Um mundo onde o homem manda, a mulher aceita, a diversidade se esconde e a autoridade jamais é questionada. Deus torna-se argumento; o patriarcado, verdadeiro altar.
Não é coincidência. Durante séculos, crenças foram usadas para justificar poderes humanos. Reis governaram em nome do divino. Pais governaram suas casas como pequenos soberanos. Líderes religiosos transformaram interpretações em decretos morais. A transcendência serviu, muitas vezes, para proteger interesses profundamente terrenos.
Como ateu, não vejo nisso uma prova da existência de qualquer divindade. Vejo apenas a extraordinária capacidade humana de criar discursos capazes de legitimar aquilo que já desejava conservar.
A fé pode inspirar gestos de solidariedade, e seria injusto negar isso. Mas também pode servir de escudo para a intolerância quando deixa de ser um caminho pessoal e passa a exigir submissão coletiva. O problema não está na espiritualidade em si, mas na facilidade com que ela é capturada por estruturas de poder.
Talvez a maior blasfêmia não seja deixar de acreditar em Deus. Talvez seja usar Deus para justificar preconceitos, desigualdades e privilégios históricos, enquanto se proclama humildade diante do sagrado.
A ética não precisa de recompensa eterna para existir. O respeito não depende de mandamentos gravados em pedra. A dignidade humana não deveria precisar da autorização de um livro, de um púlpito ou de uma tradição.
Enquanto houver quem confunda autoridade com virtude e dominação com ordem, continuaremos assistindo ao espetáculo de uma religiosidade que fala de amor, mas pratica exclusão; que prega igualdade diante do divino, mas aceita desigualdade entre os vivos.
No fim, talvez a pergunta mais desconfortável não seja se Deus existe.
Talvez seja por que tantos insistem em criar um deus que se parece tanto com aqueles que sempre ocuparam o topo da mesa.
NAO ME APRESENTE O CAOS - WILLIAM CONTRAPONTO
Não Foi a Primeira Censura. Não Será a Última - William Contraponto
Não Foi a Primeira Censura. Não Será a Última
Por William Contraponto
Fui excluído das redes da META.
Alguns dirão que foi apenas uma decisão empresarial. Outros afirmarão que se trata do cumprimento de regras internas. Há ainda aqueles que celebrarão o ocorrido, convencidos de que o desaparecimento de uma voz equivale ao desaparecimento das ideias que ela carrega.
Não compartilho dessa crença.
Ao longo da história, toda estrutura de poder desenvolveu seus próprios mecanismos de exclusão. Mudam os instrumentos, mudam os discursos justificadores, mas permanece a tentativa de controlar aquilo que pode ou não circular entre as pessoas. Antes eram púlpitos, tribunais, editoras, governos e jornais. Hoje são algoritmos, plataformas e conglomerados tecnológicos.
Minha exclusão não me surpreende. Minha escrita nunca foi construída para agradar. Não escrevo para confirmar certezas. Escrevo para questioná-las. Não escrevo para servir a dogmas. Escrevo para colocá-los sob exame. Não escrevo para me integrar ao coro. Escrevo porque toda sociedade precisa de vozes dispostas a desafiar a música dominante.
O curioso é que aqueles que mais falam sobre diversidade nem sempre demonstram apreço pela diversidade de pensamento. Há uma diferença profunda entre defender a pluralidade como slogan e aceitá-la como prática. A primeira é confortável. A segunda exige tolerar opiniões, críticas e questionamentos que nem sempre agradam.
Não tenho ilusões sobre o mundo digital. As redes sociais jamais foram territórios neutros. São empresas privadas guiadas por interesses próprios. O que me preocupa não é meu caso individual, mas o precedente que ele representa. Quando poucos grupos concentram a capacidade de determinar quem será ouvido, toda a sociedade deveria prestar atenção.
Mas há algo que a experiência me ensinou.
As ideias não dependem de plataformas para sobreviver. Livros sobreviveram sem redes sociais. Poetas sobreviveram sem algoritmos. Pensadores sobreviveram sem curtidas, compartilhamentos ou métricas de engajamento. A palavra humana sempre encontrou caminhos alternativos quando portas foram fechadas.
Já vi isso acontecer antes. Já testemunhei tentativas de silenciamento em outros espaços. Sobrevivi a elas. Continuarei sobrevivendo.
A META pode excluir perfis. Pode limitar alcance. Pode apagar páginas inteiras. O que não pode fazer é apagar aquilo que já foi lido, pensado e incorporado por outras consciências.
Toda censura parte da mesma ilusão: a de que controlar os meios equivale a controlar as ideias.
A história demonstra exatamente o contrário.
As plataformas passarão.
Os algoritmos passarão.
Os executivos passarão.
As palavras permanecerão.
E eu continuarei escrevendo.
Que seja constado em ata!
Deus Prefere os Ateus - William Contraponto
Deus Prefere os Ateus
William Contraponto
Não dobram o joelho ao céu vazio,
nem vestem fé por medo da solidão;
encaram o abismo, frio e sombrio,
sem terceirizar ao eterno a decisão.
Enquanto muitos rezam por aparência,
erguendo templos sobre a contradição,
eles carregam a própria consciência
como quem assume o peso da condição.
Não prometem virtudes para outro plano,
nem compram absolvição por devoção;
sabem que o bem se prova no cotidiano
e não no discurso de uma procissão.
Se existe um deus além da névoa humana,
talvez rejeite toda submissão;
talvez admire a coragem soberana
de quem procura sem conclusão.
Pois a dúvida sincera vale mais,
que a certeza herdada pela tradição;
e entre os que o invocam e os que buscam sinais,
talvez prefira os ateus à adoração.
Marcar Posição - William Contraponto
Marcar Posição
William Contraponto
Quando o mundo exige rendição,
eu sigo a trilha da consciência,
não vendo a voz por aprovação,
nem faço da omissão uma evidência.
Há quem procure abrigo no favor,
e molde a fala ao gosto dominante,
mas toda ideia que renuncia ao vigor,
acaba serva do instante.
Marcar posição é enfrentar o vendaval,
sem transformar a diferença em guerra,
é não chamar de natural
a corrente que o pensamento encerra.
Prefiro a dúvida ao dogma triunfal,
e a busca franca à certeza fabricada,
pois o espírito que se quer integral
não teme a estrada inacabada.
Se um dia eu mudar de direção,
que seja pela força do argumento,
não pela pressão da multidão,
nem pelo conforto do consentimento.
A PALAVRA PERMANECE - WILLIAM CONTRAPONTO
A Palavra Permanece
A minha arte incomoda. Incomoda tanto que fui banido dos serviços da META. Incomoda a extrema-direita. Ainda assim, minhas palavras continuam encontrando outros caminhos. Já enfrentei censura em jornais impressos e sobrevivi. Não será a censura de uma empresa que transformará minha escrita em silêncio.
A META passará. O que escrevo permanecerá. De alguma forma.
Há muito tempo desafio a extrema-direita, e nunca conseguiram me apagar por completo. Sempre ressurjo. Pela minha própria escrita ou pela lembrança deixada na escrita de outros. Às vezes, por uma citação. Outras vezes, apenas por uma ideia que segue circulando sem que sua origem seja lembrada.
E mesmo quando não houver redes para me citar, estarei presente no pensamento que ajudei a provocar. A empresa hoje poderosa será apenas mais uma empresa na história. A palavra, a ideia e a arte lançadas por mim e por tantos outros artistas perseguidos continuarão seu percurso.
Empresas podem falir. Plataformas podem desaparecer. Impérios econômicos podem ser substituídos. Mas as ideias atravessam o tempo. E a arte, quando encontra eco, permanece.
O texto reforça a permanência das ideias em contraste com o caráter transitório das empresas e instituições, mantendo o tom combativo associado à voz ensaística de William Contraponto.
Sigo na rede: Aqui no blog oficial, em inúmeros outros site nos quais sou citado. Em outras redes não associadas a empresa citada. Ou seja: YouTube, TikTok, X (twitter), nos meus livros publicados no que podem ser adquiridos aqui (em breve gratuitamente), no Clube de Autores ou no Google Livros do PlayStore em português em versões escritas ou adaptadas em espanhol. Etc. Etc...
Eu sou citado no Instagram e no Facebook por contas que me citam pelos meus poemas, minhas frases... mas eu, o autor, não posso ter conta nessas plataformas.
Tenho um sentimento dúbio sobre isso: ojeriza por ser censurado por e oruglho por ser censurado por essa empresa que serve ao império atualmente vassalo da extrema-direita trumpista.
Posso não ser considerado hoje por essa empresa, mas suas sucessoras ainda me citação. Mesmo que atraves de seus usuários.
O que digo permanecerá. Essas plataformas que censuram meu perfil, mas não citações das minhas obras, passarão.
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