Além da versão em ebook, entrou para venda nesta madrugada o livro físico de Com Todas as Letras no Clube de Autores.
Para adquirir acesse o link clicando na imagem abaixo:
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Para Não Dizer quem Não Falo de Ontem
William Contraponto
O ontem pesa, mas não governa
Carrega marcas que não desfaço
A memória insiste, mas não ordena
Nem dita o rumo do meu passo
Não peço perdão ao que já fui
Nem faço do erro uma prisão
O que passou em mim persiste e flui
Sem me exigir reparação
O ontem ensina pelo atrito
Nunca pelo conforto fácil
Seu verbo é seco, quase aflito
Sem promessa, sem prefácio
Não moro onde o tempo fechou
A casa ali virou sinal
Reconheço o chão que me formou
Sem torná-lo final
Falo do ontem com lucidez
Sem culto, medo ou redenção
Ele explica quem eu fui uma vez
Mas não dá a direção
O Enigma do Primeiro Passo
William Contraponto
O caminho desperta no primeiro passo,
abrindo o mundo sem se anunciar.
Do ato nasce um tênue traço,
que à própria essência decide chamar.
Nenhuma voz secreta indica direção;
o ritmo surge ao se escutar.
Entre o peso do tempo e a indecisão,
a senda encontra modo de avançar.
Sem verbo fixo ou guia certeiro,
a trilha aprende a se configurar.
Há sempre vida no início ligeiro,
sutil convite para continuar.
Quando o silêncio cresce por inteiro,
um fundo sentido tenta despontar.
No intervalo se refaz o roteiro,
mínima música a respirar.
E se algo fica, é o inicial traço,
o breve lume a resistir.
Sutil lembrança de que há espaço
para o instante enfim surgir.
Entre o Sóbrio e o Ébrio
William Contraponto
Entre o sóbrio e o ébrio
haverá uma conexão;
entre certeza e mistério
haverá revelação.
O que a consciência vigia,
a dúvida põe em tensão:
somos o elo que falha
na busca por direção.
A fronteira não é ameaça,
é estado, é condição;
quem a encara de frente
aprende a nomear o não.
Entre o sóbrio e o ébrio
haverá uma conexão;
entre certeza e mistério
haverá revelação.
Nenhum mapa nos garante,
nem promessa em previsão;
o sentido não é dado,
germina na interrogação.
Entre o delírio e a lógica
segue a mesma pulsação:
a lucidez é ferida,
e viver é insurreição.
Entre o sóbrio e o ébrio
haverá uma conexão;
entre certeza e mistério
haverá compreensão.
Na Esteira das Horas
William Contraponto
Corremos sem perceber,
no giro que nunca demora;
a vida tenta nos deter,
mas seguimos na esteira das horas.
O tempo caminha sem sapatos,
não pede licença ao chão que pisa;
passa leve como quem destrói,
e pesa fundo como quem avisa.
As horas nos puxam pelo fio
que tecemos sem perceber;
às vezes guia, às vezes trilho,
às vezes só nos faz correr.
Corremos sem perceber,
no giro que nunca demora;
a vida tenta nos deter,
mas seguimos na esteira das horas.
O relógio é cúmplice e carrasco,
marca destinos e omissões;
mas cada ponte entre dois instantes
se constrói com decisões.
Há quem tente frear o passo
com calendários e ilusões;
mas o futuro não negocia,
ele empurra as estações.
Corremos sem perceber,
no giro que nunca demora;
a vida tenta nos deter,
mas seguimos na esteira das horas.
E quando o dia já se cansa
de colecionar nossas demoras,
entendemos que somos feitos
de breves e frágeis agoras.
Corremos sem perceber,
até que a verdade aflora:
não escolhemos começar,
mas escolhemos como o tempo nos devora.
A versão musical do poema DIVERSIDADE foi disponibilizada ontem no YouTube.
Confere aí: