WATERLOO - William Contraponto

 



WATERLOO

William Contraponto 


Há dias em que o homem calcula o futuro,

como quem desenha a rota antes de andar;

faz dos próprios planos um mapa seguro,

sem perceber que o tempo pode mudar.


Constrói suas metas, organiza os passos,

confia que a vontade conduz o que virá;

mas a vida não conhece os seus traçados,

e nem sempre o caminho que se espera dará.


Há quem passe a existência acumulando vitórias,

confundindo o aplauso com alguma razão;

vence batalhas, coleciona histórias,

e chega ao fim sem conhecer a direção.


Então vem Waterloo, sem trombetas ou soldados,

sem bandeiras caindo diante de um rei;

apenas a realidade diante dos olhos cansados,

mostrando que o controle nunca foi uma lei.


Não é preciso perder tudo para compreender,

nem esperar que o mundo nos diga quem somos;

há derrotas que ensinam antes de acontecer,

quando percebemos o preço dos nossos sonhos.


Porque a maior batalha não está no exterior,

nem existe inimigo esperando em algum lugar;

é descobrir, entre o desejo e o temor,

o que vale a pena vencer e o que devemos deixar.


Waterloo não é o fim de uma trajetória,

é o instante em que a consciência vê:

não somos donos do tempo, nem da história,

mas somos responsáveis pelo modo de viver.


O Pensamento e o Tempo - William Contraponto

 



O Pensamento e o  Tempo 

William Contraponto 


A realidade muda com o passar dos dias,

nenhuma forma consegue sempre existir;

as lutas encontram novas geografias,

e o mundo nos obriga novamente a refletir.


O cenário se altera, outro começa a surgir,

o que ontem foi resposta pode hoje limitar;

há ideias que precisam aprender a evoluir,

sem perder seus princípios, mas sabendo se renovar.


Não há pensamento fora do seu próprio tempo,

nem verdade humana que dispense revisão;

quem transforma o passado em único fundamento

pode fazer da certeza uma prisão.


Pensar é seguir quando a história se reorganiza,

é rever a estrada sem negar o que se viu;

pois nenhuma consciência se conserva na mesma divisa,

quando o próprio mundo já se modificou.


Quanto Vale a Paz - William Contraponto



Quanto Vale a Paz

William Contraponto 


O lucro que se quer,

às vezes, traz dor demais;

será que vai valer

mais que sua paz?


Há quem transforme o viver

numa conta a calcular,

e só depois venha perceber

o que não pode recuperar.


Há escolhas que parecem

conduzir à liberdade,

mas pouco a pouco revelam

o preço da própria vontade.


Há uma conta sobre a mesa

que nenhuma cifra encerra;

de um lado, a própria riqueza,

do outro, o tempo que se enterra.


Quando o ganho vira norte,

todo limite perde a vez;

há quem chame isso de sorte

sem perceber o que desfez.


O tempo não faz negócio,

nem aceita negociação;

quando a vida vira um sócio,

quem decide sua direção?


Nenhum resultado alcançado

justifica abandonar o ser;

há vitória que deixa ao lado

aquilo que fazia viver.


O lucro que se quer,

às vezes, traz dor demais;

será que vai valer

mais que sua paz?


A Alienação com a Era Digital: Uma Estratégia Econômica e Política ‐ William Contraponto

 



A Alienação com a Era Digital: Uma Estratégia Econômica e Política


A tecnologia chegou prometendo liberdade, aproximação e acesso ao conhecimento. E, de fato, ampliou possibilidades que antes pareciam impossíveis. Mas, junto com essa expansão, surgiu uma nova disputa: a disputa pela atenção humana. Na economia digital, nosso tempo tornou-se valioso, nossos hábitos tornaram-se dados e nossas preferências passaram a alimentar sistemas capazes de prever aquilo que desejamos antes mesmo de percebermos que desejamos.

A alienação, portanto, já não depende apenas do isolamento. Ela pode nascer do excesso de conexão. Recebemos informações continuamente, acompanhamos acontecimentos em tempo real e participamos de inúmeras discussões, mas isso não significa necessariamente compreender melhor o mundo. A velocidade favorece a reação, enquanto a reflexão exige tempo. Quanto mais rapidamente uma informação é substituída por outra, menor é a possibilidade de examiná-la com cuidado.

Existe também uma dimensão econômica nessa dinâmica. Plataformas disputam nossa permanência, anunciantes disputam nossa atenção e empresas transformam comportamentos em valor. O usuário não é apenas consumidor: sua atenção é parte do produto. Quanto mais tempo permanecemos conectados, maior é a quantidade de dados produzidos e maiores são as oportunidades de consumo, influência e direcionamento.

A dimensão política surge quando essa lógica ultrapassa o mercado. Uma sociedade permanentemente estimulada pode tornar-se mais suscetível à indignação instantânea, à polarização e à manipulação emocional. Não é necessário controlar todas as opiniões quando se pode controlar a velocidade com que elas se sucedem. O excesso de informação pode produzir um paradoxo: sabemos cada vez mais acontecimentos, mas dedicamos cada vez menos tempo para compreender suas causas.

Isso não significa transformar a tecnologia em inimiga ou imaginar uma conspiração única por trás de toda plataforma digital. O problema é estrutural. Empresas buscam lucro, grupos políticos buscam influência e indivíduos buscam reconhecimento. Interesses diferentes podem, entretanto, convergir para o mesmo resultado: uma sociedade ocupada demais para questionar aquilo que determina sua própria realidade.

A resistência começa pela recuperação da autonomia. Não se trata de abandonar a tecnologia, mas de impedir que ela ocupe todo o espaço da consciência. Em uma época na qual a atenção se tornou mercadoria, pensar tornou-se também uma forma de liberdade. Talvez a maior resistência contemporânea seja simplesmente recuperar o direito de escolher onde colocamos nosso tempo, nossa atenção e nossa capacidade de pensar.


William Contraponto 

williamcontraponto.com.br 

Maurício - Atualização

  Maurício - Atualização. 


Maumau segue na CTI. Exames estão  sendo realizados a fim de identificar a causa do quadro apresentado. Enquanto isso, Maumau segue sedado e intubado. E recebendo a medicação necessária no momento. 

 A equipe médica e de enfermagem são profissionais sensíveis e dedicados. Assim que os médicos identificarem a causa o tratamento  passa a ser mais efetivo.

Assim a equipe responsável deseja.


Reforçando os horários de visitano Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA):




NÃO É REVOLTA - William Contraponto (William Gogolenko Risther)

 



NÃO É REVOLTA

William Contraponto (William Gogolenko Risther)


Não é revolta. É consciência.

Eu fui médium espírita. Fui pai de santo de Umbanda, cacique. Não me revoltei com essas religiões por nada pessoal. Nem com elas, nem com as demais. Foi a consciência que se desprendeu das crenças religiosas. 

Na minha experiência pessoal  compreendi apenas que aquilo era algo condicionado. Devido a crenças familiares que me moldaram e  nelas adentrei...

Mas a vida e suas situações não se resumem às explicações toscas e pouco avançadas que as religiões oferecem. É natural que quem não queira pensar além, ou se beneficie de explicações transcendentais para questões humanas, queira manter essa visão limitada pelos dogmas. Até  para manter vítimas caladas achando que  certas práticas são naturais ou, se expostas, a punição vem do além. 

Há religiosos cruéis com os seus e benevolentes com os demais. Usam a religiosidade como uma espécie de verniz. Ou disfarce. E isso para que ninguém questione suas ações no campo das relações reais.

Se eu me desprendi dessa lógica nefasta, à qual fui condicionado para não revelar as crueldades que vivi, foi porque as convicções que construí a partir da reflexão me levaram a questionar aquilo que antes eu apenas aceitava.

Não houve apenas coragem nesse processo. Houve dor.

Porque romper com uma estrutura que nos ensinou a calar também significa encarar aquilo que foi escondido, justificado ou transformado em obrigação.


Para me livrar da dor, foi preciso coragem.

A coragem de romper as correntes.


Ternopil - William Contraponto




TERNOPIL

William Contraponto


Um sino divide a manhã ao meio,

e ninguém pergunta o que ele anuncia;

há nomes adormecidos no passeio,

sob a rotina exata de cada dia.


Um homem passa diante de uma porta,

detém-se apenas pelo que não vê;

alguma coisa antiga ainda o importa,

sem que ele saiba exatamente o quê.


Nessas paredes o tempo perde a pressa,

mas deixa sua marca sem intenção;

uma cidade muda quando atravessa

a memória de outra geração.


Nem toda origem pede reconhecimento,

nem todo retorno precisa acontecer;

há coisas que sobrevivem ao momento

somente porque recusam desaparecer.


Ternopil segue o curso das horas,

indiferente ao que ficou para trás;

e há quem descubra, entre partidas e auroras,

que certas distâncias nunca são iguais.


Maurício Rodrigues Lucas

 Maurício Rodrigues Lucas - Atualização 


Maurício Rodrigues Lucas,  o Maumau,  está na UTI do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.  Todos seus amigos e parentes podem visitá-lo nos seguintes horários:




Azov - William Contraponto

 



AZOV

William Contraponto 


Pequeno mar de águas rasas,

guardando o peso de outra extensão.

Suas margens carregam tantas marcas

que o tempo já perdeu a dimensão.


Terras se encontram nas suas águas,

navegantes cruzam seu horizonte.

Cada corrente carrega antigas mágoas,

cada margem conhece sua própria fonte.


O mundo desenha suas barcas,

e a história insiste em prosseguir.

Cada margem guarda suas marcas,

cada corrente conhece o partir.


Não mede a grandeza pelo espaço,

nem pela distância até o cais.

Há mundos inteiros em pouco traço,

e conflitos maiores que seus sinais.


Quando as águas mudam de rumo,

nenhuma margem segue igual.

O que parecia pequeno no mundo

revela a força de um temporal.


A MESMA ESTRADA - WILLIAM CONTRAPONTO




A MESMA ESTRADA

William Contraponto 


Há uma fronteira desenhada no chão,

mas ninguém nasceu dentro dela,

há mil maneiras de chamar de nação,

e uma só humanidade sob a estrela.


Cada povo carrega sua própria memória,

seu jeito de cair e recomeçar,

não existe um caminho escrito na história,

nem uma única forma de caminhar.


Vamos deixar as portas abertas,

deixar o futuro entrar,

se somos vozes tão diferentes,

há uma canção para compartilhar.

Nenhum de nós possui o amanhã,

nenhum de nós pode o controlar,

somos partes de uma mesma estrada,

aprendendo juntos a caminhar.


Há quem construa muros por medo,

há quem transforme a fé em poder,

mas nenhuma bandeira guarda um segredo

que impeça outro povo de escolher.


Que a liberdade não seja privilégio,

que a justiça encontre seu lugar,

que toda criança receba um começo

antes que alguém lhe ensine a odiar.


Vamos deixar as portas abertas,

deixar o futuro entrar,

se somos vozes tão diferentes,

há uma canção para compartilhar.

Nenhum de nós possui o amanhã,

nenhum de nós pode o controlar,

somos partes de uma mesma estrada,

aprendendo juntos a caminhar.


Não precisamos pensar igualmente

para descobrir o que podemos ser,

basta reconhecer no outro, frente a frente,

o mesmo direito de existir e escolher.


E quando a última fronteira desaparecer,

não haverá vitória de um sobre alguém,

haverá somente o que pudermos fazer

para que a liberdade alcance também.


Se cada país é uma experiência,

se cada povo tem algo a ensinar,

talvez a maior revolução da existência

seja aprender sem deixar de questionar.


O Muro de Adriano - William Contraponto

 



O MURO DE ADRIANO

William Contraponto


Há palavras caminhando pela sala,

sem encontrar destino ao terminar;

cada resposta contorna o que se fala,

como quem teme enfim se revelar.


No espaço das vozes cresce uma parede,

construída devagar por precaução;

cada pergunta esbarra no que impede

que a fala alcance o centro da questão.


O diálogo prossegue, mas não avança,

repete os mesmos passos pelo chão;

há muito movimento, pouca mudança,

e toda frase retorna à mesma mão.


Roma também subiu seu grande limite,

para conter o que vinha de outro lugar;

há muros que nenhum exército derrube,

quando duas pessoas deixam de atravessar.


Vestígios do Passado - William Contraponto (William Gogolenko Risther)



 Já  passei por acidente de automóvel quando criança. Estive em coma. Guardo seguelas físicas notáveis até os dias atuais. Porém,  o meu maior trauma é outro e cujas seguelas vão muito além da questão física. 


Existem  dores que o tempo não  apaga. E o esquecimento é  impossível.  Acredito  que todas as pessoas que passam por esta situação carregam as marcas do ocorrido na alma por toda a vida.


Já mencionei em algum outro momento o fato. Sem dar detalhes, pois é  extremamente dolorido escrever sobre tais e sobre a responsabilidade do acontecido. Mas, em nome de elucidar e prevenir para que  ninguém mais sofra o mesmo pelas mesmas mãos.


Para tanto, usarei o presente espaço. Destoando da criação artística aqui apresentada para poder dar voz a acontecimentos que até aqui ficaram restritos e os quais buscarei colocar luz sobre com a intenção exposta no parágrafo anterior.  Utilizarei o método de uma série de publicações para expor o ocorrido.  Faço isso, pois, como disse, relatar tudo de uma única só vez é sofrido e desgastante emocionalmente. 


Como disse, o trauma não é tal o acidente. Trata-se do que podemos chamar de grande maldade em relação a uma criança. 




A Maré - William Contraponto

 



A MARÉ

William Contraponto


A maré desenha o caminho,

depois o cobre sem avisar;

a pedra permanece no destino,

enquanto a água insiste em mudar.


Há momentos em que tudo se alcança,

noutros, o solo deixa de aparecer;

o tempo também muda a distância

sem perguntar o que deve acontecer.


No alto, permanece a construção,

vendo as águas tomarem o lugar;

não há promessa de permanência,

nem certeza de quando retornar.


A paisagem aprende outra forma,

quando a água decide avançar;

o que parecia ser norma

também pode se transformar.


E quando a maré novamente recua,

surge o caminho que estava oculto;

a realidade não segue apenas nua

diante do movimento absoluto.


Parágrafo 175 - William Contraponto




PARÁGRAFO 175


Dois homens dividiam a mesma espera,

duas vidas guardadas pela discrição,

enquanto uma norma fria e severa

tentava transformar afeto em infração.


Havia um quarto, uma janela, uma cidade,

e um mundo que não lhes permitia escolher,

mas entre os dois permanecia a vontade

de continuar próximos, apesar do poder.


Um número passou a nomear suas vidas,

um papel decidiu aquilo que deveriam ser,

e um triângulo rosa sobre suas roupas

passou a dizer aquilo que não podiam esconder.


Não havia culpa naquele sentimento,

nem havia ameaça naquilo que os unia,

mas o poder transformou um simples vínculo

em motivo para lhes negar a própria alegria.


Depois vieram os portões e a distância,

um lugar onde o medo aprendeu a mandar,

e o tempo perdeu sua importância

diante de um destino impossível de mudar.


Ficaram para trás os dias partilhados,

as conversas, os livros, a antiga afeição,

e dois nomes, quase apagados,

permaneceram guardados pela recordação.


Hoje resta apenas aquela sentença,

fria como um número perdido no papel,

e um triângulo rosa na memória

como testemunho de um tempo cruel.


Porque nenhuma lei possui o direito

de determinar aquilo que alguém pode sentir,

e nenhum poder consegue por decreto

decidir quem merece amar ou existir.



Dois Reis - William Contraponto




DOIS REIS

William Contraponto


Duas coroas sobre a mesma mesa,

dois olhares recusando o papel,

e na distância imposta pelo dever,

um sentimento aprendendo a ser fiel.


Um trazia a força da espada,

Filipe guardava um reino no olhar,

mas havia entre os dois, na madrugada,

uma vontade que não sabia se calar.


Não era o poder que os fazia inteiros,

nem a glória que os fazia permanecer,

eram dois homens, antes de serem guerreiros,

descobrindo outro modo de viver.


O mundo lhes pedia força e aparência,

mas o coração desconhecia tal dever;

há sentimentos que vencem a prudência

quando encontram alguém capaz de compreender.


E quando o tempo fechou suas cortinas,

restou aquilo que ninguém pôde apagar:

dois reis, duas vidas, duas rotas distintas,

e um afeto que a memória traz a testemunhar.


Biblioteca de Celso - William Contraponto




Biblioteca de Celso

William Contraponto 


Entre colunas, a tarde descia,

e dois desconhecidos buscavam saber,

cada qual carregava sua própria teoria,

sem imaginar o que estava para acontecer.


Discutiam ideias, o tempo e a memória,

autores antigos, perguntas sem fim,

um defendia o peso de uma velha história,

o outro encontrava novos caminhos em si.


As palavras cresceram, perderam fronteiras,

e a conversa deixou de ser apenas razão,

duas inteligências, antes estrangeiras,

descobriram afinidade na mesma direção.


Não houve promessa, nem gesto ensaiado,

somente a vontade de continuar ali,

como se o mundo tivesse, por algum momento,

diminuído o espaço entre mim e ti.


A tarde caiu sobre as antigas colunas,

e ninguém percebeu quando o dia terminou,

as perguntas ficaram entre as ruínas,

enquanto alguma coisa entre os dois começou.


Partiram depois, cada qual por seu caminho,

levando livros, ideias e uma nova questão:

há encontros que não precisam de destino

para transformar discretamente uma existência.


E entre páginas que sobreviveram,

fica aquilo que nenhum livro explicou:

duas pessoas chegaram procurando respostas

e encontraram uma na presença da outra.



Alexandria - William Contraponto




 Alexandria

William Contraponto 


Havia uma cidade voltada para o mar,

onde duas vidas cruzaram sem aviso,

e uma delas aprendeu, ao caminhar,

que certos encontros mudam o juízo.


As ruas guardavam línguas diferentes,

janelas abertas para outro lugar,

e nós éramos dois desconhecidos presentes

num mundo que decidiu nos aproximar.


Não fizemos promessas para o futuro,

nem procuramos respostas para o fim,

deixamos o instante seguir seu curso,

como a maré que encontra outro jardim.


O amor não pede permanência,

nem precisa de um nome para existir,

basta uma breve coincidência

para uma vida inteira se modificar.


Quando a manhã devolveu cada estrada,

ficou no horizonte alguma coisa a brilhar:

não era certeza, nem despedida marcada,

era a vontade de um dia retornar.