NÃO É REVOLTA - William Contraponto (William Gogolenko Risther)

 



NÃO É REVOLTA

William Contraponto (William Gogolenko Risther)


Não é revolta. É consciência.

Eu fui médium espírita. Fui pai de santo de Umbanda, cacique. Não me revoltei com essas religiões por nada pessoal. Nem com elas, nem com as demais. Foi a consciência que se desprendeu das crenças religiosas. 

Na minha experiência pessoal  compreendi apenas que aquilo era algo condicionado. Devido a crenças familiares que me moldaram e  nelas adentrei...

Mas a vida e suas situações não se resumem às explicações toscas e pouco avançadas que as religiões oferecem. É natural que quem não queira pensar além, ou se beneficie de explicações transcendentais para questões humanas, queira manter essa visão limitada pelos dogmas. Até  para manter vítimas caladas achando que  certas práticas são naturais ou, se expostas, a punição vem do além. 

Há religiosos cruéis com os seus e benevolentes com os demais. Usam a religiosidade como uma espécie de verniz. Ou disfarce. E isso para que ninguém questione suas ações no campo das relações reais.

Se eu me desprendi dessa lógica nefasta, à qual fui condicionado para não revelar as crueldades que vivi, foi porque as convicções que construí a partir da reflexão me levaram a questionar aquilo que antes eu apenas aceitava.

Não houve apenas coragem nesse processo. Houve dor.

Porque romper com uma estrutura que nos ensinou a calar também significa encarar aquilo que foi escondido, justificado ou transformado em obrigação.


Para me livrar da dor, foi preciso coragem.

A coragem de romper as correntes.