A Maré - William Contraponto

 



A MARÉ

William Contraponto


A maré desenha o caminho,

depois o cobre sem avisar;

a pedra permanece no destino,

enquanto a água insiste em mudar.


Há momentos em que tudo se alcança,

noutros, o solo deixa de aparecer;

o tempo também muda a distância

sem perguntar o que deve acontecer.


No alto, permanece a construção,

vendo as águas tomarem o lugar;

não há promessa de permanência,

nem certeza de quando retornar.


A paisagem aprende outra forma,

quando a água decide avançar;

o que parecia ser norma

também pode se transformar.


E quando a maré novamente recua,

surge o caminho que estava oculto;

a realidade não segue apenas nua

diante do movimento absoluto.