16 de dezembro de 2012
Era domingo. Tarde de 16 de dezembro de 2012.
Maurício desceu três paradas depois. Fui ao seu encontro o mais rápido que pude.
Naquele tempo, eu morava de aluguel numa casinha pequena, de duas peças e um banheiro. Durante três meses, escondi dele o meu sobrenome. Ele acreditava que eu era apenas empregado da loja onde eu trabalhava. A loja, na verdade, pertencia aos meus pais. Mas isso não significava, para mim, autoridade ou vantagem alguma. Naquela altura, eu mesmo preferia ser visto somente como empregado. Não queria que qualquer condição familiar ou patrimonial interferisse na maneira como ele me enxergava.
E então apareceu Maurício.
Não demorou para que ele deixasse de ser simplesmente Maurício. Já no primeiro dia, inventei para ele o apelido que nasceu espontaneamente do afeto: Maumau.
(o que ao longo dos tempos acabou se ampliando para outros. Inúmeros).
Logo percebi também que Maurício gostava de ser ninado. E, diante daquela descoberta, inventei uma cantiga para ele:
Eu sou o Maumau,
que veio trazer a luz das estrelas
para iluminar...
Naqueles primeiros meses, fomos nos conhecendo aos poucos. Eu havia escondido meu sobrenome. Ele também guardava partes de si. Havia coisas que ainda não sabíamos um do outro, histórias que ainda não tinham sido contadas, detalhes que o tempo haveria de revelar.
Depois de três meses, fui me revelando. E ele, também, foi se revelando para mim.
E então aconteceu algo que, olhando para trás, considero uma das coisas mais importantes de toda a nossa história: o sentimento nascido naquele primeiro dia não se alterou em nada.
As revelações não diminuíram o encanto.
Não mudaram aquilo que havíamos sentido.
Não fizeram desaparecer o Maumau que eu havia encontrado naquele domingo, nem o homem que, pouco a pouco, eu conheceria muito além da primeira impressão.
Ao contrário.
Quanto mais um conhecia o outro, mais aquele primeiro sentimento encontrava motivos para continuar existindo.
O que começou naquele 16 de dezembro não precisava ser inventado novamente.
Já estava lá.
