A Realidade Paralela de Alguns
William Contraponto
Há pessoas que passam o dia consumindo conteúdos de grupos políticos de WhatsApp, especialmente os de orientação negacionista e ultradireitista. Recebem áudios, vídeos e mensagens, reproduzem tudo e acabam construindo uma realidade particular, na qual a mentira ganha status de verdade simplesmente porque confirma suas convicções.
O problema não está em pensar diferente, mas em abdicar da capacidade de questionar. Pensar exige investigar, confrontar informações e, sobretudo, admitir a possibilidade de estar errado. Mas, para alguns, parece mais confortável receber opiniões prontas do que desenvolver as próprias. Confundem repetição com conhecimento e convicção com inteligência.
Existe também uma diferença entre ser enganado e reconhecer uma mentira, mas continuar defendendo-a porque ela favorece interesses políticos ou alimenta preconceitos. Nesse caso, já não se trata apenas de desinformação, mas de responsabilidade individual.
A submissão ideológica torna-se especialmente perigosa quando passa a justificar intolerância, desumanização e ataques a direitos. Afinal, nenhuma convicção política concede licença para abandonar princípios humanos.
Divergir é legítimo. O que não pode ser tratado como simples divergência é a manipulação deliberada dos fatos e a defesa consciente da falsidade. Liberdade de pensamento também pressupõe responsabilidade pelo que se pensa e reproduz.
Há uma diferença entre ter pensamento próprio e apenas reproduzir o pensamento que outros escolheram por nós. Afinal, encaminhar mensagens é fácil. Difícil é pensar sem terceirizar a própria consciência.

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