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Rock Grande do Sul e Rio Grande do Rock


 Rock Grande do Sul e Rio Grande do Rock 


São dois dos principais discos do rock gaúcho sempre citados para quem busca conhecer um pouco sobre o referido estilo musical feito por aqui nos anos 80. É sobre esses discos que hoje traremos algumas informações. Conheça, relembre:


Rock Grande do Sul – 1985

Considerado o disco que possibilitou que o rock gaúcho atravessasse as fronteiras do estado. Lançada em 1985 pela gravadora multinacional RCA, a coletânea era uma forma do selo testar a popularidade de alguns artistas gaúchos em que pensava investir. Assim, foram selecionados Engenheiros do Hawaii (que aqui comparecem com “Sopa de Letrinhas” e “Segurança”), DeFalla (próximos do rock inglês e do punk, sendo que o grupo seguiria diversas tendências ao longo da carreira, chegando a ir do heavy metal ao funk carioca em sua discografia), TNT (com seu rock de toques anos 50), Os Replicantes (tendo a primeira versão de  “Surfista Calhorda”) e Garotos da Rua (com o também hino do rock gaúcho, “Tô de Saco Cheio”). Devido a repercussão e sucesso do disco, quase todas as bandas acabaram tendo suas estreias “solo” lançadas pelo selo no ano seguinte, sendo Engenheiros a que conquistou maior sucesso a nível nacional, embora as demais permaneçam cultuadas até hoje no RS.

Faixas:

1. Sopa de Letrinhas - Engenheiros do Hawaii

2. Surfista Calhorda  - Os Replicantes

3. Entra Nessa- TNT

4. Sozinho Outra Vez - Garotos da Rua

5. Você Me Disse - DeFalla

6.Tô de Saco Cheio - Garotos da Rua

7. Segurança - Engenheiros do Hawaii

8. Estou na Mão - TNT

9. Instinto Sexual - DeFalla

10. A Verdadeira Corrida Espacial - Os Replicantes


Rio Grande do Rock  - 1988

A última coletânea relevante lançada naquela década. Com a presença do estilo particular de Julio Reny & Expresso Oriente, a estreia de Os Cascavelletes, a new wave da Prize e o pós-punk do Apartheid (cujas duas faixas lembram The Cure pré-1985) e da Justa Causa (que seria depois mais inclinada ao hard rock), mostrou que o rock gaúcho mantinha a qualidade já apresentada anteriormente.

Faixas:

1. Expresso Oriente - Julio Reny & Expresso Oriente

2. Roleta Russa - Apartheid

3. Forças do Interesse - Prize

4. Exilados - Justa Causa

5. Estou Amando Uma Mulher - Os Cascavelletes

6. Morte Por Tesão - Os Cascavelletes

7. Status - Justa Causa

8. Críticos - Apartheid

9. Anita - Julio Reny & Expresso Oriente

10. Brasil - Prize


E Outros

Mais discos, anteriores e posteriores, também poderiam ser citados aqui. Como Vôo Livre – Vôo Livre - de 1981, Rock Garagem – de 1984 (uma coletânea que, entre outras bandas, trazia Taranatiriça e Urubu Rei) e Bandaliera – Ao Vivo – de 1991.


Hoje  

Um ponto importante de toda essa história do rock gaúcho é o seguimento da sua qualidade. Bandas como Tequila Baby, Reação em Cadeia, Ultramen, Pata de Elefante, Papas da Língua, Vera Loca, Cidadão Quem e incontáveis outras seguiram o caminho iniciado por Bixo da Seda e Liverpool.

(Texto Publicado originalmente na minha coluna no "falecido" Jornal Águas Claras do Sul.)

(contra)cultura: A Geração Beat

(Contra)Cultura

Geração Beat



Foi um movimento literário originado em meados dos anos 1950 por um grupo de jovens intelectuais que cansado do modelo de ordem estabelecido nos EUA depois da Segunda Guerra Mundial. Com o objetivo de se expressarem de forma livre e contarem sua visão do mundo e suas histórias, esses escritores começaram a produzir desenfreadamente, muitas vezes movidos a drogas, álcool, sexo livre e jazz – o gênero musical que mais inspirou os beats. Mais do que escrever, esse grupo de amigos tinha interesse em estar sempre junto, compondo, viajando, bebendo e, por vezes, transando em grupo.
O autor Jack Kerouac introduziu a frase “Geração Beat” em 1948, generalizada do seu círculo social para caracterizar o submundo de juventude anti-conformista, reunida em Nova Iorque naquele tempo. O nome surgiu numa conversa com o novelista John Clellon Holmes (que publicou um romance sobre a Geração Beat, Go, em 1952), junto com um manifesto no The New York Times: “This Is the Beat Generation”. Em 1954, Nolan Miller o seu terceiro romance, Why I Am So Beat, relatando as festas de fim-de-semana de quatro estudantes.
O adjetivo “beat” foi introduzido ao grupo por Herbert Huncke, embora Kerouac tenha expandido o significado do termo. “Beat” fazia parte do calão do submundo – o mundo dos vigaristas, toxicodependentes e pequenos ladrões, onde Ginsberg e Kerouac procuraram inspiração. Beat era o calão para “beaten down” ou “downtrodden”, ambas expressões que podem significar oprimido, rebaixado, espezinhado. Mas para Kerouac, tinha uma conotação espiritual. Outros adjetivos discutidos por Holmes e Kerouac foram “found” (encontrado, achado) e “furtive” (furtivo). Kerouac alegou que ele tinha identificado (e incorporado) uma nova tendência análoga à influente Geração Perdida.
BEATNICK
A palavra “beatnik” foi inscrita por Herb Caen num artigo no San Francisco Chronicle a 2 de Abril de 1958. Caen cunhou o termo juntando-lhe o sufixo russo -nik depois de Sputnik 1, para a Geração Beat. A coluna de Caen surgiu com a palavra seis meses depois do Sputnik. Pode ter sido a intenção de Caen caracterizar os membros da Geração Beat como não-americanos. Opondo-se à distorção do termo por parte de Caen, Allen Ginsberg escreveu para o New York Times a lamentar “a obscena palavra beatnik,” comentando, “Se os beatniks e poetas Beat não iluminados infestarem este país, eles não terão sido criados por Kerouac mas pela indústria da comunicação em massa que continua fazer lavagens cerebrais ao homem.”
INFOGRÁFICO BÁSICO
O beat chegou a outras formas de arte, mas com menos impacto. Na literatura, durou entre 1944 e 1959
Como era…
As características do movimento:
  • Intensidade em tudo: no estilo narrativo, nos temas, nos personagens
  • Escrita compulsiva
  • Fluxo de pensamento desordenado, por vezes caótico
  • Linguagem informal, cheia de gírias e palavrões, ou com o chamado “hip talk” (um vocabulário típico do submundo marginal da cidade de Nova York)
  • Grande valorização da transmissão oral
  • Apoio à igualdade étnica, à miscigenação e às trocas culturais entre raças
Onde você encontra a influência deles:
  • Nos movimentos estudantis e na onda hippie dos anos 60, que herdaram causas como a ecologia e o amor livre;
  • Na liberação feminista e no movimento homossexual, em parte consequências da luta dos beats pela liberdade sexual;
  • Em canções de Bob Dylan e Jim Morrison e em filmes de Wim Wenders e Jim Jarmusch;
  • No punk rock, considerado uma retomada do espírito beat por sua verve selvagem, espontânea e contestatória...