ERRO DE LEITURA - WILLIAM CONTRAPONTO




ERRO DE LEITURA 
William Contraponto 

Não me leias com suas lentes
Para evitar um grande equívoco,
 Suas observações seriam insuficientes
Uma vez que me conheces pouco.

Se pensas que algo realmente sabes
Só por ter ouvido comentários 
Creia neles e te enganes
 Já que não basta um alô nos aniversários.

 Tudo o que disseram é mentira,
Mas se você deseja acreditar
O problema também é a postura 
Indo além do erro de leitura.

 Acaso houver real interesse 
Não faça uma leitura distante,
 Acaso houver nebuloso interesse
Permaneça o mais distante.

Tudo o que disseram é mentira,
Mas se você deseja acreditar
O problema também é a postura 
Indo além do erro de leitura. 





TAÇA DE RAZÃO - WILLIAM CONTRAPONTO


 TAÇA DE RAZÃO 

William Contraponto 


Manter as portas fechadas 

Ou adormecer de punhos cerrados, 

 A diferença entre os seus valores

Muda nas versões dissimuladas.


O que alivia  a pressão é uma dose

Mas qual a dose certa?

A decisão mais esperta 

Entre as lágrimas e o concreto.


A taça que serve a razão 

Convence ou fica neutra

Num gole de alguma outra

Mais ardente questão. 

 

E, então,  volta

 Para aquela primeira

 Que toda noite te revira

 E por nada te solta.


Enquanto a taça cheia estiver 

O pensamento apenas bordeja,

Não se oferece a quem quer que seja

Aquilo que somente nos cabe beber.


Quando a taça esvaziar 

O pensamento já não bordeja,

Não se entrega a quem quer que seja 

A decisão que somente nos cabe tomar.



Quando Nasço

 



Quando Nasço 

William Contraponto 


Eu nasço nas alvoradas

Quando o sol me convida para a dança,

E se despedem mansas as madrugadas

Presenteando a estrada com orvalhos de esperança.


 Cada dia é um parto de luz e vida

Onde tudo se refaz, onde tudo se recria,

 Cada dia é uma obra de arte desconhecida

Que muito inspira, que muito ínicia.


Quantas vezes mesmo eu renasci?

A contagem, agora, não é tão importante,

Sei que até num poema de Rimbaud que li

Outra vez me fez nascer naquele instante.


 Aquilo que não acaba se expande

Tanto que precisa romper algum limite,

Saltando da redoma de já pouca claridade 

E vindo novamente à luz mais consciente.


Quantas vezes mesmo eu renasci?

A contagem, agora, não é tão importante,

Sei que até num poema de Rimbaud que li

Outra vez me fez nascer naquele instante.

Começando - o relato.

 Somente quem vive uma situação pode falar sobre a mesma. Mas quando se trata de algo tão forte, complicado e que deixa tantas cicatrizes profundas na alma como é  o caso de quem foi abusado ou abusada na infância, por exemplo, a questão é muito mais difícil de ser expressada e precisa de uma consciência fortificada para tanto. Principalmente quando tais relatos mexem diretamente com a visão deturpada que os demais possuem sobre determinados fatos e pessoas que pouco nobres são em suas realidades.

Indo no sentido de me fortificar e preparar vou tentar aos poucos ir soltando os relatos  conforme me sinto pronto. É,  portanto, no meu atual entendimento que se faça necessário o dividir daquilo que passei como forma de um desabafo que  também  traga ao conhecimento a necessidade de  proteção contínua para que crianças não vivam situações que agridam seus corpos e  almas. 

Não sei por onde nem como começar, então, pode demorar um pouco ou vir tudo de uma única  vez.

Esse são os primeiros passos. Ter consciência. Saber que aquilo era um abuso. Ou mais de um. E iniciar a jornada de expurgo do que  seja possível  através do relato. Eis o primeiro passo  dessa última fase citada.


BLOQUEIOS E ENCRUZILHADAS



 BLOQUEIOS E ENCRUZILHADAS 

William Contraponto 


A falta de beligerância não diz nada

É  apenas uma aparência de paz

A mente se movimenta numa encruzilhada

Tentando manter a respiração no interno caos.


O destino brinca de ter direções diversas

Mas há pontos nos quais se cruzam,

Num desses que traz recordações adversas

Verdades e decisões colidem e pressionam.


O fluxo já não parece ser como antes

Pois seus assuntos se tornaram incontornáveis,

Para que a máquina consiga  seguir em frente

É preciso desbloquear a barreira erguida pelos execráveis


A falta de beligerância não diz nada

É apenas uma aparência de paz, 

A mente se movimenta numa encruzilhada 

Tentando manter a respiração no interno caos.

 

Quando os bloqueios são rompidos

Os pensamentos rumam fluidos.


Quando a verdade é posta no volante 

Nenhuma encruzilhada mais é torturante.