O Luto

 O Luto

Eu nem sei quanto tempo durará. E nem sei se terá fim. 

Cada canto, cada ação, cada som que se faz... tudo carrega lembrança de momentos,  palavras, jeito de realizar algo, enfim... um oceano inesgotável de lembranças. E elas causam a saudade mais implacável. Aquela que rasga o peito de dor enquanto o soluço que acompanha o  choro ecoa pela casa vazia daquela presença física.

Por ora, busco fotos, as reproduzo em forma de arte como um jeitinho de homenagear o meu amor. Espalho pela casa recordações, pois, não tem como não ser.

A essência do Maumau vive entre Bob,  Baby e eu. A essência daquilo que ele nos deixou: o amor por essa nossa vida pacata,  sincera e simples. Exatamente  como a alma dele.

Não sou mais o mesmo. Com ele partiu ao menos metade de mim. É irrecuperável essa metade. E eu não quero substituir por algo. No máximo só posso aprender a  viver amputado, pela metade.

Esse momento tem sido de lembranças,  saudade, dor e choro. E o único ponto de saída tem sido movimentar o pensamento em torno de maneiras de homenagear a sua passagem pelas nossas vidas. Seja num painel, numa missa, doações, orações ou poema. 

Uma Continuação do texto " Aos Fatos... em nome do Maumau". PARTE II

 




Uma Continuação do texto " Aos Fatos... em nome do Maumau". 

A PARTE II


No texto "Aos Fatos... Em nome do Maumau!" dou um soco na redoma. De forma profunda e visceral. Com toda força que a verdade estimulou aos meus músculos reagirem.

Se resta alguém no engano depois de tal estardalhaço é  por ser conivente. Por comportamentos semelhantes aos meus abusadores ou vislumbrando alguma recompensa em valores financeiros para manter a aparência dos criminosos  mesmo diante do exposto. 

Nao creio mais que haja gente na ignorância dos fatos. Creio, agora, na cumplicidade. 

E quem pensa que eu estou falando, escrevendo todas essas situações nesse momento por raiva, destempero momentâneo devido aos dias de dor pela passagem do meu Maumau,  engana-se mais uma vez. Ou, novamente,  faz de conta que nunca percebeu as minhas frases, as minhas reflexões... os meus versos mais doloridos.

E o silêncio desses que se dizem meus parentes, mesmo sem na verdade ser, diante do meu luto, da minha dor... nenhuma palavra . Palavras recebo de pessoas que  nos conheciam realmente como casal.  E viam o entrelaçamento das nossas existências. 

Esses que se silenciam preferem ouvir as mentiras e manipulações da verdade ditadas por quem durante quinze anos nos torturou por meios psicológicos. Utilizando, muitas vezes, meios abstratos como feitiço, gambiarra da verdade através de metades dessa que pudessem dar coro aos seus nada nobres intentos. No que podem ser classificadas como narrativas pusilâmines.



Continua...

Entre o Amor e a Democracia, Minha Escolha é Lula

 



 Entre o Amor e a Democracia, Minha Escolha é Lula

William Contraponto | Poeta-Reflexivo


Não escrevo estas palavras apenas como poeta, mas como alguém que dedicou parte da vida à militância social, à defesa da democracia, da diversidade e da liberdade humana.

Minha poesia nunca foi um exercício de alienação. Sempre procurei fazer da palavra um instrumento de reflexão, inquietação e crítica. Acredito que a política deve servir à vida, reduzir desigualdades e garantir dignidade, especialmente àqueles que historicamente foram deixados à margem da sociedade.


É por essas convicções que, neste segundo turno, defendo Luiz Inácio Lula da Silva. 13.


Não por fidelidade cega, pois pensar criticamente também significa reconhecer limites, cobrar resultados e não entregar a própria consciência a qualquer liderança. Apoiar Lula é, para mim, reconhecer a importância de um projeto comprometido com a inclusão social, a valorização do trabalho e a preservação da democracia.

Minha militância ensinou-me que direitos são conquistas, não favores. Minha história com Maurício Rodrigues Lucas, meu amado Maumau, ensinou-me que a liberdade também tem rosto, nome e sentimento.

Durante quase quinze anos, construímos uma história de amor entre dois homens que escolheram viver sem esconder a própria existência. Nosso relacionamento foi uma afirmação de liberdade, o direito de amar, constituir uma família e enfrentar os preconceitos de uma sociedade que nem sempre compreende aquilo que é diferente.

Maurício partiu em 26 de setembro de 2026, deixando uma ausência que não sei medir. Mas a nossa história reforça em mim uma certeza: a liberdade não é uma abstração quando é a nossa própria existência que está em jogo.

Por isso, não separo minhas convicções políticas daquilo que vivi. Quero um Brasil onde ninguém precise esconder quem é para ser respeitado, onde a pobreza não seja tratada como destino e onde as diferenças não sejam usadas para alimentar o ódio.

Não acredito em salvadores da pátria. Acredito na democracia, na participação popular e na responsabilidade de escolher, entre as alternativas concretas, aquela que melhor corresponda aos nossos compromissos sociais e humanos.

Neste segundo turno, minha escolha é Lula. Escolho a democracia contra o autoritarismo, a inclusão contra a exclusão e a solidariedade contra a indiferença.

Escrevo como William Contraponto, poeta, pensador e militante social, mas também como o homem que amou Maurício e continua carregando consigo a história que construímos.

Sei que vou ao oposto do que pensa boa parte da minha "família". Família  tal que não foi capaz de me dar sequer um "pêsames" pela passagem do meu amor. Logo, isso diz muito sobre a preferência da falsa moralidade antidiversidade que nesses habita. 

Não transformo minha dor em argumento eleitoral. Transformo minha trajetória e coerência em responsabilidade diante do mundo que aí está. 

Meu voto é Lula. Minha bandeira é a dignidade humana. E minha esperança é um Brasil onde todas as pessoas possam viver, amar e existir em liberdade.


William Contraponto

Poeta-Reflexivo


“Eu não vendo palavra. Eu ofereço uma perspectiva.”





09.10 ANIVERSÁRIO DO MAUMAU

 Hoje, 09.10, Maurício Rodrigues Lucas,  o meu amor Maumau,  estariam completando seus 38 anos nessa existência material. 

Não poderia deixar de mencionar essa data aqui no espaço  que mostra a minha arte e vida.

Que a sua passagem por essa existência não seja jamais esquecida e permaneça como exemplo de simplicidade, carinho, dedicação e amor ao próximo. 




16 de Dezembro de 2012


 



 16 de dezembro de 2012

Era domingo. Tarde de 16 de dezembro de 2012.

Maurício desceu três paradas depois. Fui ao seu encontro o mais rápido que pude.

Naquele tempo, eu morava de aluguel numa casinha pequena, de duas peças e um banheiro. Durante três meses, escondi dele o meu sobrenome. Ele acreditava que eu era apenas empregado da loja onde eu trabalhava. A loja, na verdade, pertencia aos meus pais. Mas isso não significava, para mim, autoridade ou vantagem alguma. Naquela altura, eu mesmo preferia ser visto somente como empregado. Não queria que qualquer condição familiar ou patrimonial interferisse na maneira como ele me enxergava.

E então apareceu Maurício.

Não demorou para que ele deixasse de ser simplesmente Maurício. Já no primeiro dia, inventei para ele o apelido que nasceu espontaneamente do afeto: Maumau.
(o que ao longo dos tempos acabou se ampliando  para outros. Inúmeros).

Logo percebi também que Maurício gostava de ser ninado. E, diante daquela descoberta, inventei uma cantiga para ele:

Eu sou o Maumau,
que veio trazer a luz das estrelas
para iluminar...

Naqueles primeiros meses, fomos nos conhecendo aos poucos. Eu havia escondido meu sobrenome. Ele também guardava partes de si. Havia coisas que ainda não sabíamos um do outro, histórias que ainda não tinham sido contadas, detalhes que o tempo haveria de revelar.

Depois de três meses, fui me revelando. E ele, também, foi se revelando para mim.

E então aconteceu algo que, olhando para trás, considero uma das coisas mais importantes de toda a nossa história: o sentimento nascido naquele primeiro dia não se alterou em nada.

As revelações não diminuíram o encanto.

Não mudaram aquilo que havíamos sentido.

Não fizeram desaparecer o Maumau que eu havia encontrado naquele domingo, nem o homem que, pouco a pouco, eu conheceria muito além da primeira impressão.

Ao contrário.

Quanto mais um conhecia o outro, mais aquele primeiro sentimento encontrava motivos para continuar existindo.

O que começou naquele 16 de dezembro não precisava ser inventado novamente.

Já estava lá.





As Interpretações do Maumau

 Maumau, Maurício Rodrigues Lucas,  meu amor, meu lindo, minha vida, e seus vídeos para o TikTok. 

Essa é a  parte um.

Aqui alguns: 











No Facebook fiz do perfil de Maurício um memorial de suas fotos,  vídeos,  etc. 


Aos poucos vou postando lá também. 




Maurício Era Feito de Simplicidade

 Maurício Era Feito de Simplicidade.

Um Relato de Quem Amou e Viveu 15 Anos com Maurício Rodrigues Lucas. 


Não gostava de luxos extremos, nem se encantava com aquilo que tantas vezes serve apenas para impressionar os outros. A ostentação lhe era estranha. Não precisava de muito para estar bem, nem precisava mostrar o que tinha para provar quem era.

Havia nele uma humildade silenciosa. Era calado, sensível, atento às coisas que muitas pessoas deixam passar. Sentia profundamente, embora nem sempre transformasse em palavras aquilo que sentia.

E gostava, sobretudo, de ser útil.

Havia uma espécie de satisfação em poder ajudar, resolver alguma coisa, facilitar a vida de alguém, fazer-se presente quando necessário. Essa era uma das formas mais próprias que encontrou para demonstrar carinho: estar disponível, contribuir, servir.

Maurício, o meu Maumau, não parecia querer muito da vida em termos de luxo. Queria aquilo que lhe fazia sentido. E, justamente por isso, sua simplicidade nunca foi pobreza de espírito. Era uma maneira de existir.

Ele tinha pouco interesse em parecer importante. Seu valor estava justamente em não precisar parecer.



Aos Fatos...Em nome do Maumau!

 



Aos Fatos... Em nome do Maumau!


Aos Fatos vou dando o contorno do que resultou em anos de luta para Maurício e eu conseguirmos viver o nosso relacionamento.  Foram 15 anos de lutas. Lutas contra a imbecilidade, o preconceito e principalmente a  uma espécie  de dor de cotovelo dos meus abusadores por eu ter encontrado  alguém que os enfrentasse para ficar comigo mesmo diante de ameaças. E sabendo do que eu havia vivido. E sobrevivido!

Nunca que falei diretamente da minha própria existência ou da existência do meu amor, Maumau,  recorri ao meu lado literário. Nunca escolhi palavras ou um método para tanto. Falo de mim e do meu meu amor sem escolher palavras além da emoção  e da verdade que estão  inclusas num texto desses.

Meu Maumau era o equilíbrio.  Por ele não entrava em combates. Para o proteger de ataques.  Infelizmente não esta aqui E TEM GENTE QUE VAI MENTIR QUE ELE DISSE ISSO OU AQUILO ENQUANTO ESTAVA NO LEITO DO HOSPITAL! Gente que foi justamente algoz da nossa relação. E que tanto tentou nos destruir.  

Ao contrário do possam imaginar não vou baixar a cabeça.  Em nome dele, e em nome do que  vivemos, vou expor a verdade por trás dessa cortina que até o momento foi imposta para que pudéssemos continuar  vivendo.

Perdi o filtro. O filtro era proteger a vida do Maumau.  Perdi Maumau. Agora, não resta filtro, mas a força. Força em dobro. Por mim. Pelo nome dele. Pela nossa honra.

A nossa existência  como casal sempre foi marcada pela resistência.  E pela luta contra as injustiças  que nos eram impostas por quem  não  nos queria juntos. E felizes.

Essa resistência despertou ódio e maledicência infundadas. Como para quem acreditava por conveniência pessoal nessa criminosa visão e de quem vendia essa  ideia para conquistar uns trocados vendendo  mentira para satisfazer gente imbecil e ressentida com medo da minha paixão  viesse a tocar luz sobre o passado que eu vivera. 

Acho que não preciso nem citar nomes. É explícito sobre quem  falo. Basta não  estar iludido pela mentira que  eles construíram  contra nós,  para se blindagem e afastar  de nós pessoas que para eles a opinião é  importante. 

Felizmente nem todo mundo foi afastado de nós.  E puderam ter contato com a nossa realidade e história. 

Diante disso tudo peço atenção: se eu não amanhecer, assim como meu amor, que haja investigação sobre o narcisismo e sociopatia de quem me ronda.

Mesmo que  estejam babando pelo canto da boca para que eu não resista a perda do meu amor tudo esta sendo dito para que não reste duvidas sobre essas questões  já  aqui nesse texto. E se isso realmente  acontecer  que o presente escrito seja o principal meio de pesquisa do possivel fato.


Caso não resista que esse texto seja um farol.


E que meus restos físicos sejam colocados junto do meu anjinho, o  Maumau Estrelinha. 



...

Curiosidade:

Dias antes da primeira internação,  Maumau ouviu uma serie de músicas do gosto dele pela última vez em casa. Mas terminou ouvindo pela primeira vez algumas musicas que  eu gosto e nao eram do repertório dele. 

São lembranças...


...


Esse é  o encerramento das minhas atividades nesse blog.  Mas tudo aqui escrito ficara disponível  nesse mesmo endereço para sempre! Para posteriores pesquisas. 



Maumau na Redenção (Porto Alegre). Foto tirada por esse que escreve.



Maurício Rodrigues Lucas 09/10/1988 – 26/09/2026

 


Maurício Rodrigues Lucas 09/10/1988 – 26/09/2026.


O Meu Maumau Partiu Para as Estrelas.


Não sei como será a vida. Se houver. Sem cinquenta porcento de mim é  imprevisto qualquer futuro. 


Maurício e eu éramos como uma entidade praticamente única. Atrelados nossas existências de forma previamente impensada. 


Mas desde o dia que o conheci tive a certeza de estar diante de uma pessoa encantada. Encantada na sua sutileza, originalidade e de uma alma virtuosamente sincera na sua mais evidente característica: a sua original postura de simplicidade. 


Não falo de simplicidade pelo aspecto material,  mas comportamental e realista. Não fingiu ser o que não era e tinha ao seu redor a aura luminosa de quem não inventa um personagem apenas para ser aceito pelo outro conforme creia que o outro preferisse.


Nao tem como ser breve se abordasse cada pedacinho da ternura que dominava a essência do Mauricio e o que essa ternura significa pessoalmente para a minha vida.


Até no campo dos percalços do relacionamento eu digo que foi plenamente satisfatória a nossa experiência.  De modo que é impossível viver outra vez isso. O nosso relacionamento me completou como ser. E estando completo não necessito de outras experiências conjugais nessa caminhada.


O Maumau me completou. Imensamente. 


Para finalizar só quero deixar a minha gratidão por esses quinze anos de parceria e companheirismo através da música de ninar que fiz e cantava quase toda noite mexendo nos seus cabelos:


Eu sou o Maumau 

Que veio trazer

A luz das estrelas

Para iluminar...


R.I.P MEU AMOR 



...


William:

Watts: 51 995435132

O Lala e o Maumau - William Gogolenko Risther e Maurício Rodrigues Lucas




O Lala e o Maumau 


Eu, William Gogolenko Risther, sempre fui aquele que coloca o pé no acelerador diante daquilo em que acredita. Tenho a intensidade de quem não suporta assistir calado às injustiças, às contradições e às hipocrisias.


Maumau, MaurícioRodriguesLucas, porém, sempre me fez pensar melhor. Seu jeito de me conter, de me fazer reconsiderar atitudes e palavras, impediu que muitas situações fossem enfrentadas com o radicalismo que, por vezes, eu desejava expressar.


Muita gente não conheceu a dimensão desse meu radicalismo porque Maurício esteve ao meu lado. Ele foi o freio de algumas atitudes minhas, e isso não representava fraqueza. Era, muitas vezes, a razão necessária para que eu não transformasse a indignação em algo de que pudesse me arrepender.


Ele me ajudou a compreender que nem toda verdade precisa ser lançada de qualquer maneira, que nem toda exposição produz justiça e que pensar melhor também é uma forma de lutar.


Mas existe um temor que me atravessa: se um dia Maurício me faltar, quem será esse freio? Quem me fará respirar antes de agir, reconsiderar antes de falar e enxergar além da minha própria indignação?


Meu freio é Maumau. A razão da minha vida. E, quando penso na possibilidade de sua ausência, não temo apenas a saudade. Temo também a falta daquela presença que, tantas vezes, me ajudou a ser uma versão mais consciente de mim mesmo.


A Moral dos que Podem - William Contraponto

 



A MORAL DOS QUE  PODEM

William Contraponto 


No Brasil, existe uma parcela da direita, especialmente de sua vertente mais extremada, que construiu uma curiosa relação com a moral. Defende princípios em voz alta, mas frequentemente os abandona quando eles começam a contrariar seus próprios interesses. Condena determinados comportamentos quando praticados pelos outros e, ao mesmo tempo, encontra justificativas para praticá-los quando são seus aliados, seus representantes ou seus próprios interesses que estão em jogo. Não se trata apenas de incoerência ocasional. É uma maneira de enxergar o mundo.


Nessa lógica, a lei não deveria valer da mesma forma para todos. Ela serve para controlar aqueles que não possuem influência, dinheiro ou poder. Para os demais, sempre aparece uma justificativa, uma brecha, uma narrativa conveniente ou alguém disposto a transformar o errado em aceitável. O que seria escândalo nas mãos de um pobre pode receber outro nome quando envolve alguém poderoso. O que seria corrupção pode virar negócio. O que seria privilégio pode ser apresentado como mérito. E aquilo que seria crime para uns passa a ser tratado como simples excesso para outros.


É justamente aí que a hipocrisia deixa de ser apenas uma característica individual e passa a revelar uma visão de sociedade. Uma sociedade na qual direitos, deveres e consequências não seriam universais, mas proporcionais à posição que cada pessoa ocupa. Quem tem dinheiro pode comprar bons advogados, influência, tempo e silêncio. Quem tem poder pode transformar sua versão dos fatos em verdade conveniente. Quem não tem nada disso recebe a dureza completa das instituições. A mesma regra, aplicada a pessoas diferentes, produz resultados diferentes quando o poder interfere no caminho.


O mais curioso é que essa gente costuma se apresentar como guardiã dos bons costumes. Fala em família, honestidade, ordem, tradição, responsabilidade e respeito à lei. Mas princípios que só existem enquanto beneficiam quem os proclama não são princípios. São instrumentos. A moral passa a ser utilizada como arma contra o adversário e como proteção para o aliado. Não importa tanto o que foi feito, mas quem fez. Não importa tanto a transgressão, mas a posição social de quem transgrediu.


Por isso, a crítica não deveria se limitar àquilo que essas pessoas dizem. É preciso observar aquilo que fazem quando acreditam que ninguém está olhando. Porque existe uma diferença enorme entre defender uma regra e defendê-la apenas quando ela serve aos próprios interesses. Existe uma diferença entre acreditar na justiça e acreditar que a justiça deve alcançar somente os outros. E existe uma diferença ainda maior entre ter princípios e utilizar princípios como fantasia para esconder conveniências.


No fundo, essa é a essência da picaretagem política: vender virtude enquanto se pratica o contrário, exigir dos outros aquilo que não se exige de si mesmo e transformar dinheiro e poder em uma espécie de salvo-conduto moral. Uma sociedade verdadeiramente democrática não pode aceitar que existam cidadãos acima da regra e cidadãos abaixo dela. A lei não pode ter preço, a moral não pode ter proprietário e a responsabilidade não pode depender do tamanho da conta bancária. Se pode fazer quem tem poder, então não estamos diante da liberdade. Estamos diante do privilégio.


A Mamaçonaria: a fraternidade oculta da hipocrisia conservadora - William Contraponto


A Mamaçonaria: a fraternidade oculta da hipocrisia conservadora

William Contraponto 


Há uma contradição particularmente curiosa em determinados setores da extrema direita que se apresentam como defensores da tradição, da família e dos valores religiosos, ao mesmo tempo em que demonstram uma obsessão desproporcional com a existência pública dos homossexuais e das pessoas LGBT.

A questão que se coloca é incômoda: o que exatamente alguns desses conservadores pretendem conservar?

Pode-se imaginar, como hipótese crítica, a existência de indivíduos que, sendo homossexuais, não assumem publicamente sua sexualidade e encontram no conservadorismo uma forma de proteção. Ao combaterem a manifestação aberta do amor entre pessoas do mesmo sexo, estariam também ajudando a preservar o ambiente social no qual a própria homossexualidade precisa permanecer escondida.

Nesse cenário hipotético, a clandestinidade deixa de ser apenas uma condição individual e transforma-se em uma espécie de mecanismo coletivo. Uns saberiam dos outros. Uns protegeriam os outros. E todos manteriam, diante da sociedade, a imagem de homens tradicionais, religiosos, moralmente rigorosos e supostamente incompatíveis com aquilo que secretamente viveriam.

O paradoxo seria profundo: quanto mais hostil a sociedade pública se torna à homossexualidade, maior pode ser o valor do segredo para aqueles que possuem poder suficiente para sobreviver dentro dele.

O homossexual assumido, entretanto, rompe essa lógica.

Ele não precisa esconder o amor, não precisa construir uma identidade paralela, não precisa negociar sua existência através da cumplicidade de outros homens igualmente ocultos. Ele aparece à luz do dia. Ama à luz do dia. Vive à luz do dia. E justamente por isso pode representar uma ameaça simbólica à estrutura baseada na ocultação.

A existência de gays que vivem abertamente demonstra que não é necessário preservar uma sociedade na qual a homossexualidade precise ser clandestina.

É nesse ponto que surge a minha provocação: mamaçonaria.

O termo nasce da fusão deliberadamente irônica entre “mamar” e “maçonaria”. Não se trata aqui de uma acusação factual contra pessoas determinadas, mas de uma imagem satírica para representar uma suposta fraternidade clandestina de homens que, publicamente, sustentariam uma moral conservadora enquanto, privadamente, compartilhariam segredos, desejos, favores e mecanismos de proteção.

Uma sociedade oculta dentro da sociedade.

Uma fraternidade na qual o segredo seria uma moeda de poder.

Um saberia quem é o outro, e justamente por saber poderia protegê-lo. Ou até exigir dele alguma coisa. A manutenção da aparência tradicional deixaria de ser apenas uma questão moral e passaria a funcionar como uma espécie de pacto de sobrevivência política e social.

O mais perverso dessa hipótese seria que o homossexual assumido não faria parte desse pacto.

Ele seria justamente aquele que rompe o código.

Porque não aceita a clandestinidade como condição de existência. Não aceita que o amor precise ser negociado com o medo. Não aceita que a sexualidade seja utilizada como instrumento de controle, chantagem, proteção ou privilégio.

Assim, a crítica não está dirigida ao homossexual que é conservador, nem à orientação sexual de qualquer indivíduo. Um homem gay pode ser conservador, religioso ou de direita. Isso, por si só, não contém contradição alguma.

A contradição aparece quando a defesa pública da repressão àquilo que alguém vive secretamente passa a servir como instrumento de poder.

Entao, fica uma pergunta:

Quando alguém luta para manter outros homossexuais escondidos, está defendendo a tradição ou está defendendo o próprio esconderijo?

A “mamaçonaria” é menos uma sociedade concreta do que uma metáfora para uma determinada forma de hipocrisia: homens que poderiam utilizar a própria clandestinidade como capital político, protegendo-se mutuamente enquanto combatem aqueles que decidiram viver sem esconder quem são.

Porque há algo que o poder oculto não suporta:

A liberdade de quem já não precisa esconder nada.




Ceuta ‐ William Contraponto

 



CEUTA

WILLIAM CONTRAPONTO 


Existem cidades carregadas de perguntas,

mesmo quando o tempo já passou,

suas ruas carregam muitas lutas,

e cada geração algo acrescentou.


Ali diferentes vozes se encontram,

trazendo no nome memória e razão,

antigos conflitos lentamente se transformam

quando o diálogo supera a separação.


No azul que une as margens,

há uma força a despertar,

e aquilo que parecia distante

pode enfim se aproximar.


Ceuta vive como pensamento,

mais profunda que sua própria história,

um nome que vence calendários

sem depender de conquista ou glória.


Nesse lugar o mundo pode ser compreendido

como encontro de múltiplas realidades,

e o passado, quando é revisitado,

revela outras possibilidades.


No azul que une as margens,

há uma força a despertar,

e aquilo que parecia distante

pode enfim se aproximar.


O que rompe o tempo

pode alcançar outra dimensão:

vidas distintas compartilhando o momento,

e a humanidade encontrando nova compreensão.



WATERLOO - William Contraponto

 



WATERLOO

William Contraponto 


Há dias em que o homem calcula o futuro,

como quem desenha a rota antes de andar;

faz dos próprios planos um mapa seguro,

sem perceber que o tempo pode mudar.


Constrói suas metas, organiza os passos,

confia que a vontade conduz o que virá;

mas a vida não conhece os seus traçados,

e nem sempre o caminho que se espera dará.


Há quem passe a existência acumulando vitórias,

confundindo o aplauso com alguma razão;

vence batalhas, coleciona histórias,

e chega ao fim sem conhecer a direção.


Então vem Waterloo, sem trombetas ou soldados,

sem bandeiras caindo diante de um rei;

apenas a realidade diante dos olhos cansados,

mostrando que o controle nunca foi uma lei.


Não é preciso perder tudo para compreender,

nem esperar que o mundo nos diga quem somos;

há derrotas que ensinam antes de acontecer,

quando percebemos o preço dos nossos sonhos.


Porque a maior batalha não está no exterior,

nem existe inimigo esperando em algum lugar;

é descobrir, entre o desejo e o temor,

o que vale a pena vencer e o que devemos deixar.


Waterloo não é o fim de uma trajetória,

é o instante em que a consciência vê:

não somos donos do tempo, nem da história,

mas somos responsáveis pelo modo de viver.


O Pensamento e o Tempo - William Contraponto

 



O Pensamento e o  Tempo 

William Contraponto 


A realidade muda com o passar dos dias,

nenhuma forma consegue sempre existir;

as lutas encontram novas geografias,

e o mundo nos obriga novamente a refletir.


O cenário se altera, outro começa a surgir,

o que ontem foi resposta pode hoje limitar;

há ideias que precisam aprender a evoluir,

sem perder seus princípios, mas sabendo se renovar.


Não há pensamento fora do seu próprio tempo,

nem verdade humana que dispense revisão;

quem transforma o passado em único fundamento

pode fazer da certeza uma prisão.


Pensar é seguir quando a história se reorganiza,

é rever a estrada sem negar o que se viu;

pois nenhuma consciência se conserva na mesma divisa,

quando o próprio mundo já se modificou.


Quanto Vale a Paz - William Contraponto



Quanto Vale a Paz

William Contraponto 


O lucro que se quer,

às vezes, traz dor demais;

será que vai valer

mais que sua paz?


Há quem transforme o viver

numa conta a calcular,

e só depois venha perceber

o que não pode recuperar.


Há escolhas que parecem

conduzir à liberdade,

mas pouco a pouco revelam

o preço da própria vontade.


Há uma conta sobre a mesa

que nenhuma cifra encerra;

de um lado, a própria riqueza,

do outro, o tempo que se enterra.


Quando o ganho vira norte,

todo limite perde a vez;

há quem chame isso de sorte

sem perceber o que desfez.


O tempo não faz negócio,

nem aceita negociação;

quando a vida vira um sócio,

quem decide sua direção?


Nenhum resultado alcançado

justifica abandonar o ser;

há vitória que deixa ao lado

aquilo que fazia viver.


O lucro que se quer,

às vezes, traz dor demais;

será que vai valer

mais que sua paz?


A Alienação com a Era Digital: Uma Estratégia Econômica e Política ‐ William Contraponto

 



A Alienação com a Era Digital: Uma Estratégia Econômica e Política


A tecnologia chegou prometendo liberdade, aproximação e acesso ao conhecimento. E, de fato, ampliou possibilidades que antes pareciam impossíveis. Mas, junto com essa expansão, surgiu uma nova disputa: a disputa pela atenção humana. Na economia digital, nosso tempo tornou-se valioso, nossos hábitos tornaram-se dados e nossas preferências passaram a alimentar sistemas capazes de prever aquilo que desejamos antes mesmo de percebermos que desejamos.

A alienação, portanto, já não depende apenas do isolamento. Ela pode nascer do excesso de conexão. Recebemos informações continuamente, acompanhamos acontecimentos em tempo real e participamos de inúmeras discussões, mas isso não significa necessariamente compreender melhor o mundo. A velocidade favorece a reação, enquanto a reflexão exige tempo. Quanto mais rapidamente uma informação é substituída por outra, menor é a possibilidade de examiná-la com cuidado.

Existe também uma dimensão econômica nessa dinâmica. Plataformas disputam nossa permanência, anunciantes disputam nossa atenção e empresas transformam comportamentos em valor. O usuário não é apenas consumidor: sua atenção é parte do produto. Quanto mais tempo permanecemos conectados, maior é a quantidade de dados produzidos e maiores são as oportunidades de consumo, influência e direcionamento.

A dimensão política surge quando essa lógica ultrapassa o mercado. Uma sociedade permanentemente estimulada pode tornar-se mais suscetível à indignação instantânea, à polarização e à manipulação emocional. Não é necessário controlar todas as opiniões quando se pode controlar a velocidade com que elas se sucedem. O excesso de informação pode produzir um paradoxo: sabemos cada vez mais acontecimentos, mas dedicamos cada vez menos tempo para compreender suas causas.

Isso não significa transformar a tecnologia em inimiga ou imaginar uma conspiração única por trás de toda plataforma digital. O problema é estrutural. Empresas buscam lucro, grupos políticos buscam influência e indivíduos buscam reconhecimento. Interesses diferentes podem, entretanto, convergir para o mesmo resultado: uma sociedade ocupada demais para questionar aquilo que determina sua própria realidade.

A resistência começa pela recuperação da autonomia. Não se trata de abandonar a tecnologia, mas de impedir que ela ocupe todo o espaço da consciência. Em uma época na qual a atenção se tornou mercadoria, pensar tornou-se também uma forma de liberdade. Talvez a maior resistência contemporânea seja simplesmente recuperar o direito de escolher onde colocamos nosso tempo, nossa atenção e nossa capacidade de pensar.


William Contraponto 

williamcontraponto.com.br 

Maurício - Atualização

  Maurício - Atualização. 


Maumau segue na CTI. Exames estão  sendo realizados a fim de identificar a causa do quadro apresentado. Enquanto isso, Maumau segue sedado e intubado. E recebendo a medicação necessária no momento. 

 A equipe médica e de enfermagem são profissionais sensíveis e dedicados. Assim que os médicos identificarem a causa o tratamento  passa a ser mais efetivo.

Assim a equipe responsável deseja.


Reforçando os horários de visitano Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA):




NÃO É REVOLTA - William Contraponto (William Gogolenko Risther)

 



NÃO É REVOLTA

William Contraponto (William Gogolenko Risther)


Não é revolta. É consciência.

Eu fui médium espírita. Fui pai de santo de Umbanda, cacique. Não me revoltei com essas religiões por nada pessoal. Nem com elas, nem com as demais. Foi a consciência que se desprendeu das crenças religiosas. 

Na minha experiência pessoal  compreendi apenas que aquilo era algo condicionado. Devido a crenças familiares que me moldaram e  nelas adentrei...

Mas a vida e suas situações não se resumem às explicações toscas e pouco avançadas que as religiões oferecem. É natural que quem não queira pensar além, ou se beneficie de explicações transcendentais para questões humanas, queira manter essa visão limitada pelos dogmas. Até  para manter vítimas caladas achando que  certas práticas são naturais ou, se expostas, a punição vem do além. 

Há religiosos cruéis com os seus e benevolentes com os demais. Usam a religiosidade como uma espécie de verniz. Ou disfarce. E isso para que ninguém questione suas ações no campo das relações reais.

Se eu me desprendi dessa lógica nefasta, à qual fui condicionado para não revelar as crueldades que vivi, foi porque as convicções que construí a partir da reflexão me levaram a questionar aquilo que antes eu apenas aceitava.

Não houve apenas coragem nesse processo. Houve dor.

Porque romper com uma estrutura que nos ensinou a calar também significa encarar aquilo que foi escondido, justificado ou transformado em obrigação.


Para me livrar da dor, foi preciso coragem.

A coragem de romper as correntes.